Chapter 2
O silêncio depois da minha pergunta durou mais do que qualquer discurso naquela festa.
Vanessa tentou rir de novo, mas a risada saiu fraca.
“Controle das suas ações? Do que você está falando?”
“Você sabe exatamente do que eu estou falando.”
Ao meu redor, os convidados começaram a se entreolhar.
Meu tio Martin deu um passo à frente, como se quisesse apagar o incêndio antes que ele crescesse.
“Vamos com calma”, ele disse. “Isso não é hora nem lugar.”
“Concordo”, respondi. “Mas foi Vanessa quem escolheu fazer isso na frente de todo mundo.”
Ela cruzou os braços.
“Você está inventando coisas porque está magoado. Todo mundo aqui sabe que o acidente mexeu com sua cabeça.”
Algumas pessoas assentiram, querendo acreditar naquilo.
Era mais fácil pensar que eu tinha enlouquecido do que aceitar que ela era capaz de algo assim.
Foi então que olhei para Daniel.
Ele ainda segurava o copo, mas os dedos dele estavam brancos ao redor do vidro.
“Daniel”, chamei. “Você sabia?”
Ele engoliu em seco.
“Sabia do quê?”
“Não brinque comigo. Eu vi o jeito que você e Vanessa se olharam quando ela falou em ‘meu conselho’.”
Vanessa se virou rápido demais para Daniel, um segundo de pânico genuíno cruzando o rosto dela antes de se recompor.
Foi rápido.
Mas eu vi.
E Clara, ainda ajoelhada ao meu lado, também viu.
“Isso é ridículo”, Daniel disse, forçando uma risada. “Somos amigos há quinze anos. Eu jamais—”
“Jamais o quê?” perguntei. “Eu nem terminei a frase.”
Ele parou.
O silêncio dele foi pior do que qualquer confissão.
A mãe de Vanessa se aproximou, com aquele sorriso frio que só usava quando sentia o controle escorrendo pelos dedos.
“Meu amor”, ela chamou para Vanessa, “vamos deixar essas acusações para outro momento. O rapaz claramente não está bem.”
“O rapaz está muito bem”, eu disse. “Melhor do que vocês gostariam.”
Clara se levantou devagar ao meu lado, ainda com a mão apoiada no encosto da minha cadeira, como se estivesse pronta para me proteger de alguma coisa.
Meu chefe de segurança se aproximou por trás, discreto, e se inclinou perto do meu ouvido.
“Senhor, tenho os primeiros documentos que Clara separou. Chegaram esta manhã.”
Meu coração acelerou, mas mantive o rosto calmo.
“Documentos?” Vanessa repetiu, tensa. “Que documentos?”
“Você vai descobrir”, respondi. “Assim como todo mundo aqui.”
Ela olhou para Clara com um ódio que não tentou mais esconder.
“O que você andou fazendo, sua intrometida?”
Clara não abaixou os olhos dessa vez.
“Fazendo meu trabalho”, ela disse. “Cuidando da casa. E de quem realmente merece cuidado.”
O salão inteiro prendeu a respiração.
E eu soube, naquele instante, que a festa de “boas-vindas” tinha acabado de virar outra coisa completamente diferente.
