Meu ex-marido bilionário se divorciou de mim depois de se convencer de que eu era o motivo de não conseguirmos ter filhos.

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Chapter 3

Não dormi naquela noite.

Fiquei sentada na sala do meu apartamento simples — nada parecido com o penthouse que eu tinha dividido com Luca — revivendo cada decisão que me trouxe até aquele momento.

Descobri a gravidez seis semanas depois de sair do penthouse, sozinha num banheiro de motel barato, tremendo, sem saber se estava mais assustada ou aliviada.

Minha primeira ideia foi ligar pra ele.

Discei metade do número antes de parar.

Porque lembrei da conversa que tive, dias antes de ir embora, com Marguerite, a assistente pessoal de Luca havia quinze anos, uma mulher que eu sempre tinha confundido com aliada.

“Ele já decidiu, Nia,” ela tinha me dito, com uma frieza calculada que só percebi depois. “Se você aparecer grávida agora, ele vai achar que é manipulação. Vai piorar tudo. Se isso for verdade, deixa ele descobrir sozinho, no tempo certo.”

Eu era jovem, destruída, e burra o suficiente pra acreditar que aquele conselho vinha de um lugar de cuidado.

Só anos depois entendi que Marguerite tinha motivos próprios pra me manter longe — motivos que envolviam a própria posição dela na empresa, e uma proximidade com Luca que ia além do profissional, embora eu só fosse descobrir isso muito mais tarde.

Fui embora de Chicago, me instalei em Milwaukee, criei os gêmeos sozinha com a ajuda dos meus pais, construí uma vida pequena mas real, longe de qualquer coisa que lembrasse Moretti Global.

Contei pra mim mesma, ano após ano, que Luca não merecia saber.

Que ele tinha me culpado, me abandonado, me deixado sozinha exatamente na hora que eu mais precisava dele.

Achei que estava me protegendo.

Só recentemente comecei a duvidar se, na verdade, eu não estava apenas me vingando, escondendo os filhos dele como punição por uma dor que ele nunca soube que tinha causado duas vezes.

No dia seguinte, entrei no escritório de Luca pela primeira vez em sete anos, as mãos suando dentro do casaco.

Ele estava de pé perto da janela, olheiras fundas, como se também não tivesse dormido.

— Obrigado por vir — ele disse, a voz mais controlada que na noite anterior, mas ainda tensa.

— Não vim por você. Vim porque meus filhos merecem saber a verdade completa, e isso significa que eu preciso resolver isso com você primeiro.

— Eles são meus.

Não era pergunta.

— São.

Ele fechou os olhos, respirando fundo, apoiando as duas mãos na mesa atrás dele.

— Sete anos, Nia. Você me escondeu meus próprios filhos por sete anos.

— Você me escondeu a verdade sobre o que sentia por meses antes de terminar comigo, Luca. Achei que estávamos empatados em segredos.

— Isso não é a mesma coisa.

— Não é mesmo. O seu segredo destruiu meu casamento. O meu só te impediu de conhecer duas crianças que você, de qualquer forma, achava que eram impossíveis de existir, já que a culpa toda era minha, lembra?

Ele ficou em silêncio, a verdade da minha acusação pesando visivelmente.

— Eu quero um teste de DNA — ele disse, por fim, embora a voz já não tivesse dúvida nenhuma. — Não porque eu duvide. Porque preciso que seja oficial, pra proteger os direitos deles, e os meus, legalmente.

— Tudo bem.

— E eu quero conhecê-los, Nia. De verdade. Não como um estranho que aparece de vez em quando.

— Isso vai levar tempo, Luca. Eles não te conhecem. Você é literalmente um estranho pra eles, mesmo tendo os seus olhos.

— Eu sei. Estou disposto a ter paciência.

Olhei pra ele, tentando encontrar o homem que eu tinha amado por baixo do bilionário endurecido em que ele tinha se transformado.

— Por que agora, Luca? Por que você se importa tanto assim, de repente?

Ele demorou pra responder, os olhos marejando de novo.

— Porque descobri, há alguns meses, através de três especialistas diferentes, que o problema nunca foi seu, Nia. Nunca foi. E eu já estava carregando essa culpa sozinho, tentando entender como consertar um erro que eu achava impossível de consertar. Aí eu vi meus próprios filhos sentados numa mesa de restaurante, e percebi que talvez o universo estivesse me dando uma segunda chance que eu não mereço, mas que vou lutar pra não desperdiçar.

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