— Por favor — sussurrou o chefe da máfia mais temido do porto de Nova York, segurando o filho recém-nascido faminto sob as luzes moribundas da minha padaria.

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Chapter 1

— Por favor — sussurrou o chefe da máfia mais temido do porto de Nova York, segurando o filho recém-nascido faminto sob as luzes moribundas da minha padaria. — Alimenta ele uma vez. Eu pago o que for.

Três semanas depois de enterrar minha filha prematura, Adrian Vale colocou o filho agonizante nos meus braços — e nenhum de nós dois entendia, naquele momento desesperado, o preço que aquilo ainda ia cobrar dos dois.

Meu nome é Hannah Brooks, e minha padaria estava a menos de uma hora de fechar as portas pra sempre quando Adrian chegou.

Três SUVs pretos esperavam do lado de fora. Homens armados vigiavam a rua, mas eu mal notei, porque o bebê minúsculo no peito de Adrian estava fraco demais até pra chorar.

Três semanas antes, minha filha Grace tinha vivido dezessete horas.

Meu corpo ainda produzia leite pra uma criança que eu não podia mais segurar.

— Me dá ele.

Adrian hesitou.

Então o filho dele fez um som fraco, e um dos homens mais perigosos de Nova York entregou a coisa mais preciosa que tinha.

Levei o bebê pro meu escritório pequeno.

— Qual é o nome dele?

— Lucas.

Um pediatra entrou logo atrás de nós.

— Quase três dias sem se alimentar direito — explicou o Dr. Bennett. — Ele recusa qualquer mamadeira.

Toquei o rosto de Lucas.

— Vamos lá, meu bem. Só tenta.

Por alguns segundos aterrorizantes, nada aconteceu.

Depois Lucas pegou o peito.

O pequeno ritmo dele mamando encheu a sala.

A mãozinha dele se fechou contra meu suéter, e lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto a cor voltava devagar às bochechas dele.

Quando olhei pra porta, Adrian Vale também estava chorando.

Em silêncio.

Vinte minutos depois, Lucas adormeceu nos meus braços.

— O perigo imediato passou — disse o Dr. Bennett. — Mas ele vai precisar de mamadas regulares.

Depois que todos saíram, Adrian me fez uma proposta.

Uma suíte privativa na propriedade dele em Long Island. Acompanhamento médico. Proteção. Todas as dívidas ligadas à minha padaria quitadas.

— E vinte e cinco mil dólares por semana.

Fiquei olhando pra ele.

— Eu vou. Mas não pelo dinheiro.

— Então diz seu preço.

— Eu não tenho preço.

— Todo mundo tem um preço.

— Talvez todo mundo no seu mundo.

Os olhos dele endureceram.

Olhei pra Lucas.

— Passei três semanas me perguntando se existia mais alguma coisa que eu podia ter feito pela minha filha. Não vou passar o resto da vida me perguntando a mesma coisa sobre o seu filho.

Duas horas depois, entrei na propriedade dos Vale.

Era menos uma mansão e mais uma fortaleza.

A esposa de Adrian, Isabel, tinha morrido pouco depois do nascimento de Lucas, e a ausência dela assombrava cada cômodo. Os funcionários falavam baixo, os seguranças viviam de café e comida de pacote, e ninguém tocava em nada que tivesse pertencido a ela.

Durante dois dias, quase não me afastei de Lucas.

Ele foi ficando mais forte, devagar.

Cada mamada doía, porque ele não era a Grace, e eu nunca me permiti fingir o contrário.

Mas mantê-lo vivo deu um lugar pra onde meu luto pudesse ir.

Na terceira manhã, desci com Lucas no colo e encontrei dois seguranças enormes comendo biscoitos de pacote perto da cozinha.

— Isso é café da manhã?

Eles se entreolharam.

— É, sim, senhora.

Abri a geladeira.

Quase tudo lá dentro estava intocado.

Então cozinhei.

Ovos, batatas, bacon, biscoitos frescos — o tipo de café da manhã simples que eu fazia antes do luto transformar comida em algo que eu preparava pra estranhos, em vez de pessoas que eu amava.

Um segurança apareceu.

Depois outro.

Logo seis homens armados estavam reunidos, desajeitados, em volta da ilha da cozinha.

Pela primeira vez desde que eu tinha chegado, alguém riu.

Aí a sala ficou em silêncio total.

Adrian estava parado na porta.

Todo mundo se endireitou na hora.

— O que está acontecendo aqui?

— Alimentei eles.

— Você foi trazida pra alimentar o Lucas.

Meu gênio explodiu.

— Seu filho precisa de pessoas ao redor dele que ainda lembrem que são humanas.

Ninguém respirou.

Adrian se aproximou devagar.

— Você está na minha casa há três dias, Hannah.

— E?

— Você está mudando as coisas.

— Alguém precisava mudar.

Os olhos dele travaram nos meus.

Antes que ele pudesse responder, Lucas de repente começou a gritar.

Não era choro.

Era grito.

Olhei pra baixo.

O rosto dele ficava vermelho, o corpinho se enrijecendo com violência nos meus braços.

— Lucas?

Adrian avançou na nossa direção.

A equipe médica do Dr. Bennett veio correndo.

Foi então que vi algo nos lábios de Lucas.

Um resíduo azulado, fraco.

Meu sangue gelou.

— O que ele comeu essa manhã? — o médico exigiu.

— Nada além do meu leite.

Adrian ficou completamente imóvel.

Os olhos dele foram até a garrafa de água ao meu lado.

Depois até a equipe da cozinha.

O pai enlutado desapareceu.

O chefe da máfia voltou.

— Trancar os portões — Adrian ordenou.

Todos os seguranças levaram a mão às armas.

— Ninguém sai dessa casa.

Segurei Lucas contra o peito enquanto o Dr. Bennett agarrava a garrafa de água.

Adrian olhou pra própria cozinha com um ódio assassino nos olhos.

Alguém dentro da propriedade Vale tinha acabado de tentar envenenar o filho dele.

E eu era quem estava segurando ele quando aconteceu.

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