Chapter 2
As mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair no colo.
— Mãe, o que a gente vai fazer? — Mason sussurrou, a voz abafada contra o meu ombro.
— Vamos ficar calmos, querido. — Minha própria voz saiu mais firme do que eu me sentia. — Vamos só… observar por um minuto.
Meu primeiro instinto foi ligar para a polícia. Mas alguma coisa me fez hesitar — talvez o fato de que os homens tinham usado uma chave de verdade, não tinham arrombado nada. Se eu chamasse a polícia e descobrissem que era só um parente ou um amigo de Ethan com permissão pra entrar, eu ia parecer completamente paranoica.
Mas Mason nunca tinha me visto tão certo de nada quanto estava certo daquela van.
Decidi ligar para minha vizinha, Carol, uma mulher aposentada que morava três casas abaixo e que sempre parecia saber tudo o que acontecia na rua.
— Carol, é a Diane. Desculpa incomodar tão tarde, mas você por acaso viu alguma coisa estranha na minha casa hoje? Uma van escura, talvez?
Houve uma pausa do outro lado da linha. — Na verdade, sim. Vi um carro parecido estacionado ali umas duas vezes essa semana. Achei que fosse alguém visitando vocês.
— Você reconheceu os homens?
— Não muito bem, mas um deles parecia… profissional, sabe? Tipo advogado ou algo assim. Terno escuro, pasta na mão.
Agradeci e desliguei, a mente correndo em mil direções diferentes.
Advogado. Por que meu marido teria um advogado entrando na nossa casa escondido, enquanto ele estava supostamente em Houston?
Esperei mais vinte minutos angustiantes até ver os dois homens saírem, trancarem a porta cuidadosamente, e entrarem de novo na van, desaparecendo pela rua.
Só então dirigi devagar até nossa entrada, o coração ainda martelando.
— Mason, quero que você espere no carro um minuto, está bem? Vou só checar se está tudo certo.
— Não me deixa sozinho!
— Só um minuto, querido. Vou trancar as portas e você pode me ver o tempo todo pela janela.
Entrei em casa com as chaves tremendo na mão, cada som familiar de repente parecendo ameaçador. Tudo parecia normal à primeira vista — os móveis no lugar, nenhum sinal óbvio de bagunça.
Foi no escritório de Ethan que encontrei a primeira pista.
A gaveta de baixo da mesa dele, sempre trancada, estava entreaberta. Dentro, encontrei uma pasta fina que eu nunca tinha visto antes — documentos com o timbre de um escritório de advocacia que eu desconhecia completamente, endereçado não ao Ethan que eu conhecia, mas a um nome ligeiramente diferente: Ethan Marcus Whitfield.
Meu marido se chamava Ethan Daniel Reeves.
Minhas mãos tremiam enquanto folheava os papéis, encontrando referências a contas bancárias que eu nunca tinha visto, endereços em outro estado, e uma cláusula que mencionava “custódia” e “transferência de bens” de um jeito que fazia meu sangue gelar.
Ouvi um som na porta da frente e quase gritei de susto, mas era só Mason, que tinha desobedecido e saído do carro, entrando atrás de mim, incapaz de ficar sozinho por mais tempo.
— Mãe, o que é isso?
— Não sei ainda, querido. — Guardei rapidamente os papéis na minha bolsa, decidindo que precisava entender aquilo antes de confrontar qualquer pessoa. — Vamos embora daqui. Agora.
Passamos aquela noite num hotel barato do outro lado da cidade, Mason finalmente adormecendo depois de horas de perguntas assustadas que eu não sabia como responder completamente.
Fiquei acordada a noite inteira, os documentos espalhados na cama do hotel, tentando entender que tipo de homem eu tinha passado nove anos casada sem realmente conhecer.
