Meu marido me deu um beijo de despedida no aeroporto O’Hare, em Chicago, e prometeu que voltaria de Houston em três dias

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Chapter 4

— Ele não pode saber que sabemos — Rachel disse pelo telefone, a voz tensa de urgência. — Diane, se ele perceber que você descobriu tudo antes de conseguirmos reunir provas suficientes, ele pode esconder ainda mais bens, ou pior, tentar impedir você de ter acesso legal a qualquer coisa.

— Então o que eu faço? Finjo que não sei de nada?

— Por enquanto, sim. Preciso de mais vinte e quatro horas pra confirmar tudo e conectar você com um advogado especializado em casos de bigamia e fraude conjugal.

A palavra “bigamia” pousou como um peso esmagador no meu peito. Eu não era só uma esposa traída — era, possivelmente, vítima de um crime federal.

Voltei para casa naquela noite, o coração martelando, praticando a expressão mais neutra possível no espelho do carro antes de destrancar a porta da frente.

Ethan já estava lá, a mala ainda ao lado da porta, um sorriso cansado no rosto que, pela primeira vez em nove anos, parecia completamente estranho e sinistro para mim.

— Vocês estavam onde? — ele perguntou, um traço de tensão por baixo da pergunta casual. — Liguei pra casa mais cedo e ninguém atendeu.

— Fomos visitar minha irmã de última hora. — A mentira saiu mais fácil do que eu esperava. — Mason estava chateado, precisava de distração.

Seus olhos se estreitaram ligeiramente, avaliando minha expressão com uma atenção que eu nunca tinha notado antes naquele jeito.

— Está tudo bem, Diane?

— Está tudo ótimo. — Forcei um sorriso, sentindo o estômago revirar com o esforço de manter a fachada. — Só cansada. Viagem longa.

Naquela noite, deitada ao lado dele na cama que compartilhávamos havia nove anos, fingi dormir enquanto meu marido — ou quem quer que ele realmente fosse — respirava tranquilamente ao meu lado, completamente alheio ao fato de que sua vida inteira de mentiras estava prestes a desmoronar.

Rachel ligou na manhã seguinte, assim que Ethan saiu para o que ele disse ser uma reunião de trabalho.

— Diane, encontrei mais informações, e não é bom. Ethan, ou Marcus, como ele é conhecido em Houston, estava se preparando pra transferir a maior parte dos bens conjuntos pra uma conta offshore. O processo estava marcado pra ser concluído essa semana.

— Ele estava roubando meu próprio dinheiro?

— Nosso dinheiro conjunto, tecnicamente, mas sim. Parece que ele planejava desaparecer completamente depois disso — abandonar as duas famílias, ficar com os recursos financeiros de ambas as “vidas”.

Senti uma raiva fria substituir gradualmente o choque inicial. — E a outra esposa, Melissa? Ela sabe sobre mim?

— Não, pelo que conseguimos descobrir. Ela também está completamente no escuro.

— Precisamos falar com ela.

— Diane, isso pode ser perigoso. Se Ethan perceber que as duas estão em contato…

— Ele já está prestes a roubar e abandonar as duas. Não vejo como as coisas poderiam ficar mais perigosas do que já estão.

Depois de considerar cuidadosamente, Rachel concordou em ajudar a organizar um contato discreto com Melissa Whitfield, através de um intermediário legal neutro, evitando qualquer rastro que pudesse alertar Ethan prematuramente.

O encontro foi marcado para dois dias depois, num café discreto do outro lado da cidade, longe de qualquer lugar que Ethan pudesse reconhecer ou visitar.

Quando finalmente vi Melissa pela primeira vez — uma mulher gentil, de aparência exausta, claramente carregando o mesmo tipo de confusão dolorosa que eu sentia — percebi que estávamos prestes a descobrir juntas a extensão completa da destruição que aquele homem tinha causado em ambas as nossas vidas.

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