Meu marido me trocou por uma mulher jovem o suficiente para ser irmã do nosso filho.

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Chapter 3

— Não é sobre dinheiro — disse Edmund, se afastando do carro. — É sobre nós. Sobre Thomas. Sobre vinte e quatro anos que não podem simplesmente…

— Vinte e quatro anos que você jogou fora ontem à noite — completei. — Antes de saber que eu valia alguma coisa além de fazer sua vida confortável.

Ele passou a mão pelo rosto, um gesto que eu conhecia bem demais. Era o que ele fazia quando estava prestes a mentir.

— Eu não sabia de nada, Cece. Juro por Deus.

— Então por que seu advogado pediu revisão de bens antes mesmo do divórcio sair do papel?

Silêncio. O tipo de silêncio que já tinha virado resposta padrão dele.

— Alguém te contou — eu disse, mais pra mim mesma do que pra ele. — Alguém no escritório soube antes de mim.

Edmund não negou. Isso já dizia tudo.

— Foi a Vivien — completei. — Ela trabalha lá. Deve ter visto alguma coisa nos registros, ou ouvido um comentário. E veio correndo te contar, achando que ia te fazer feliz.

— Isso não muda o que sinto por você — ele disse, e pela primeira vez percebi que sua voz tremia de verdade.

— Não muda nada, Edmund. Só confirma tudo.

Entrei no carro sem esperar resposta. Pelo retrovisor, vi ele parado na calçada, encolhido, como se tivesse acabado de perceber o tamanho do próprio erro.

Fui direto pra casa de Thomas. Ele tinha vinte e três anos, morava sozinho num apartamento pequeno perto da universidade onde terminava o mestrado, e quando abriu a porta, o rosto dele estava um misto de preocupação e raiva.

— Mãe, o que está acontecendo? O pai me ligou chorando feito criança.

— Senta, filho. Tem coisa que eu preciso te contar.

Contei tudo. O avô que não era relojoeiro comum. A empresa. Os bilhões. A ligação de Finch. Thomas ouviu em silêncio absoluto, os olhos cada vez mais arregalados.

— Vovô George tinha três bilhões de dólares — ele repetiu, como se testando o som da frase. — E nunca contou pra ninguém?

— Ele queria nos proteger. Acho que ele tinha razão em ter medo.

Thomas ficou quieto por um momento. Depois olhou pra mim com uma seriedade que eu nunca tinha visto nele. — O pai já sabe.

— Eu sei que ele sabe.

— Ele me ligou antes de te procurar, mãe. Chorando, dizendo que cometeu um erro, implorando pra eu falar bem dele pra você. — Thomas balançou a cabeça, com nojo. — Ele não estava chorando pela senhora. Estava chorando pelo dinheiro que ele perdeu.

Aquilo doeu, mas não me surpreendeu.

Meu celular tocou. Era um número desconhecido. Atendi por instinto.

— Sra. Hartwell? — Era uma voz feminina, tensa, quase sussurrada. — Meu nome é Vivien Cross.

Meu corpo inteiro ficou rígido. Thomas, do outro lado da sala, percebeu na minha expressão quem estava ligando.

— Eu sei que não tenho o direito de ligar — continuou Vivien, a voz tremendo. — Mas preciso te contar uma coisa antes que seja tarde. Sobre o Edmund. Sobre o que ele está planejando fazer.

— Por que eu deveria acreditar em você?

Houve uma pausa longa do outro lado da linha.

— Porque ele também está mentindo pra mim — disse ela, finalmente. — E eu acabei de descobrir até onde ele está disposto a ir pra conseguir o controle da empresa do seu pai.

Olhei pra Thomas, que já tinha se aproximado, tentando ouvir.

— Fala — eu disse a Vivien, sentindo o estômago se apertar. — Fala tudo.

— Não pelo telefone — ela respondeu. — Encontra comigo. Hoje à noite. Sozinha. Existe um documento que o Edmund assinou há três anos, Sra. Hartwell, e ele reza pra você nunca descobrir que ele existe.

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