Meu marido me trocou por uma mulher jovem o suficiente para ser irmã do nosso filho.

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Chapter 4

O café ficava numa rua tranquila, longe do centro, o tipo de lugar onde ninguém do círculo de Edmund apareceria. Vivien já estava lá quando cheguei, sentada num canto, torcendo as mãos sobre a xícara intocada.

De perto, ela era mais jovem do que eu imaginava. E mais assustada.

— Obrigada por vir — disse, a voz baixa.

Sentei na frente dela sem sorrir. — Você tem cinco minutos. Depois disso, eu vou embora e nunca mais vou querer ouvir seu nome.

Ela assentiu, tirando um envelope amarelado da bolsa. — Três anos atrás, quando o Edmund descobriu que o pai da senhora tinha morrido, ele contratou um investigador particular. Discretamente. Pra descobrir se havia herança.

Senti o sangue gelar. — Três anos atrás? Meu pai morreu há dois anos.

— Exatamente — disse Vivien. — Ele já sabia, Sra. Hartwell. Antes de morrer. Ele descobriu que o pai da senhora era dono da Alderton Global um ano antes da morte dele.

Peguei o envelope com mãos trêmulas e abri. Dentro havia um relatório de investigação particular, com o nome do meu pai, o nome da empresa, e uma data que confirmava tudo o que Vivien tinha dito.

— Ele sabia — sussurrei. — Ele sabia e ficou comigo mesmo assim, esperando.

— Ele estava esperando o momento certo — disse Vivien, os olhos marejados. — E quando descobriu que eu trabalhava perto dos registros financeiros do escritório, ele me usou. Pediu que eu ficasse de olho em qualquer movimentação relacionada ao nome Alderton. Eu não sabia o motivo real. Até ontem.

— E aí ele te trocou pela informação, e agora está tentando te trocar por mim de novo.

Vivien baixou a cabeça. — Ele me disse ontem à noite, depois de sair da sua casa, que precisava “consertar as coisas” com você. Que eu tinha sido… um erro de percurso.

Um erro de percurso. As mesmas palavras vazias que ele provavelmente usaria pra descrever qualquer pessoa que deixasse de ser útil.

— Por que está me contando isso agora? — perguntei. — O que você ganha com isso?

— Nada — disse ela, e pela primeira vez pareceu sincera. — Só não quero ser cúmplice de continuar mentindo pra senhora. Eu foi enganada também. Só que descobri isso tarde demais.

Guardei o envelope na bolsa. — Isso muda tudo no processo de divórcio. Se ele já sabia da fortuna antes de pedir o divórcio, isso é fraude patrimonial.

Levei o relatório direto pro escritório de Finch. Ele examinou cada página em silêncio, o rosto cada vez mais tenso.

— Isso é sério, Sra. Hartwell — disse por fim. — Muito sério. Se seu marido escondeu conhecimento prévio da herança pra manipular os termos do divórcio, ele pode perder qualquer direito a acordo patrimonial. E, dependendo de como o investigador dele obteve essas informações, pode até haver crime.

— Eu quero isso em juízo — eu disse, sem hesitar. — Quero que todo mundo saiba exatamente o tipo de homem que ele é.

Finch assentiu, mas ergueu a mão. — Antes disso, preciso te avisar de uma coisa. O conselho da Alderton Global marcou uma reunião de emergência pra amanhã. Alguns membros antigos, aliados do seu pai há décadas, estão preocupados com a repentina publicidade em torno da herança. Eles querem avaliar se a senhora está… preparada pra assumir o controle.

— Eles duvidam de mim?

— Eles não te conhecem, Sra. Hartwell. Só conhecem a esposa discreta de um advogado de Hartford. A senhora vai precisar mostrar a eles quem realmente é.

Na manhã seguinte, entrei na sala de reuniões da Alderton Global pela primeira vez na vida. Doze pessoas em volta de uma mesa de mármore, todas me olhando como quem avalia uma peça de museu.

E, sentado no canto mais afastado da mesa, alguém que eu não esperava ver.

Edmund.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, a voz cortando o silêncio da sala.

Ele se levantou, ajeitando o paletó, com aquele sorriso calculado que eu conhecia bem demais. — Vim pedir formalmente que o conselho considere minha reintegração como consultor jurídico da empresa. Afinal, ainda sou… tecnicamente… seu marido. E tenho vinte anos de experiência que podem proteger os interesses da família.

Um dos conselheiros mais velhos, um homem de cabelos brancos que eu reconheci como um dos antigos sócios do meu pai, franziu a testa. — Isso é uma decisão que cabe exclusivamente à Sra. Hartwell.

Todos os olhos se voltaram pra mim.

Edmund me encarou, o sorriso ainda no rosto, mas os olhos implorando por outra coisa. Desespero, talvez. Ou o início do pânico de um homem vendo o controle escorrer entre os dedos.

— Cece — ele disse, baixinho, só pra mim ouvir. — Não faz isso na frente de todo mundo. A gente ainda pode resolver isso em particular.

Coloquei o envelope de Vivien sobre a mesa de mármore, bem devagar, e empurrei até o centro, onde todos pudessem ver.

— Não, Edmund — eu disse, alto o suficiente pra sala inteira ouvir. — Acho que já é hora de resolver isso na frente de todo mundo.

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