Quatro vezes, numa única noite, Ethan quase perdeu o controle.

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Chapter 3

Maya se sentou mais ereta na cama, o soro ainda pingando no braço, tentando entender quem era aquela mulher parada na porta com tanta segurança.

— Eu não sei quem você é — disse Maya, a voz firme apesar do cansaço.

— Claro que não sabe — respondeu Bianca, entrando no quarto sem ser convidada, os saltos batendo no piso frio do hospital. — Por que saberia? Você é garçonete. Eu sou a mulher que a família Vale espera que o Ethan acabe se casando algum dia.

O peito de Maya apertou, mas ela não deixou transparecer.

— Isso soa como um problema seu, não meu.

Bianca riu, um som curto e sem humor. — Você é engraçadinha. Deixa eu adivinhar: ele te trouxe pro hospital, pagou a conta, disse alguma frase bonita sobre como você é diferente. É assim que ele começa sempre.

— Sempre?

— Ethan Vale coleciona causas perdidas, querida. Mulheres que precisam ser salvas. Isso alimenta o ego dele. Dura semanas, no máximo meses. Depois ele volta pro mundo dele, e você volta pro seu.

As palavras encontraram um lugar vulnerável dentro de Maya, um lugar que ela já tinha tentado proteger a noite inteira. Mas ela não deixou a dúvida chegar aos olhos.

— Se você tem tanta certeza disso, por que está aqui me avisando? Parece mais insegurança do que preocupação.

O sorriso de Bianca vacilou por um segundo antes de se recompor. — Estou aqui porque nossas famílias têm negócios juntos há trinta anos. Meu pai e o pai dele construíram metade dos contratos que sustentam a fortuna dos Vale. Um casamento entre nós não é romance, é estratégia. E eu não vou deixar uma garçonete atrapalhar isso.

— Então fala com ele — disse Maya. — Não comigo.

— Eu prefiro resolver as coisas na raiz.

Bianca se aproximou da cama, a voz baixando para algo mais afiado. — Deixa eu te dar um conselho gratuito. Pega o dinheiro do hospital, pega o que ele te oferecer, e desaparece com dignidade antes que ele te machuque de um jeito que o dinheiro não consiga consertar.

A porta se abriu de novo, dessa vez com força.

Ethan parou na entrada, o rosto fechado numa expressão que Maya nunca tinha visto antes. Frio. Perigoso.

— Bianca. O que você está fazendo aqui?

— Só dando as boas-vindas à sua nova protegida — disse Bianca, sem se abalar.

— Saia — disse Ethan, a voz baixa, mas cortante como uma lâmina. — Agora.

Bianca pegou a bolsa devagar, sem pressa, como quem quer deixar claro que estava saindo por escolha própria. Na porta, virou-se uma última vez.

— Ah, Ethan. Antes que eu esqueça. — Ela olhou pra Maya com um brilho cruel nos olhos. — Você devia perguntar a ela sobre a mãe. Sobre por que o sobrenome dela te soa familiar.

E saiu, deixando um silêncio pesado atrás de si.

Ethan se virou pra Maya, a confusão visível no rosto. — Do que ela está falando?

Maya sentiu o sangue gelar. Havia anos que ela evitava aquela pergunta, escondida atrás de turnos duplos e aluguéis atrasados.

— Qual é o seu sobrenome completo, Maya? — perguntou Ethan, se aproximando devagar. — Você nunca me disse.

Ela hesitou, os dedos apertando o lençol.

— Reyes — disse finalmente. — Maya Reyes. Mas antes disso, era Maya Reyes Ashford. Minha mãe… mudou nosso sobrenome quando eu tinha oito anos. Depois que ela saiu do emprego dela numa empresa chamada Vale Industries.

O rosto de Ethan perdeu toda a cor.

— Ashford — repetiu ele, baixinho. — Minha mãe se chamava Eleanor Ashford antes de se casar com meu pai.

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