Chapter 4
O quarto ficou tão silencioso que Maya conseguia ouvir o próprio coração batendo contra as costelas.
— Isso não significa nada — disse ela rapidamente, mais pra si mesma do que pra ele. — Ashford é um sobrenome comum.
— Minha mãe trabalhou na Vale Industries antes de se casar com meu pai — disse Ethan, devagar, como se estivesse juntando peças de um quebra-cabeça que ele nunca soube que existia. — Ela saiu de repente, sem explicação, quando eu tinha seis anos. Meu pai nunca falou sobre isso. Disse que ela simplesmente foi embora.
— Minha mãe morreu há três anos — disse Maya, a voz tremendo agora. — Ela nunca me contou o motivo de ter saído do emprego dela. Só dizia que tinha cometido um erro que mudou a vida dela pra sempre, e que esse erro tinha sido a melhor coisa que ela já tinha feito.
Os dois se olharam, a implicação pairando no ar entre eles, pesada demais pra ser dita em voz alta.
— Você acha que ela era… — Maya não conseguiu terminar a frase.
— Eu não sei — disse Ethan, sentando devagar na cadeira ao lado da cama, a firmeza de sempre completamente abalada. — Mas eu preciso descobrir.
Ele contratou um investigador particular naquela mesma tarde, alguém de confiança absoluta, e por três dias inteiros, Maya e Ethan mal se falaram, cada um preso na própria ansiedade, esperando por respostas que poderiam mudar tudo — ou nada.
Quando o investigador finalmente ligou, Ethan estava no escritório de Maya, um pequeno apartamento alugado em Queens que cheirava a café e livros usados, um lugar tão distante do mundo dele quanto possível.
— Diga — disse Ethan, o telefone no viva-voz, Maya sentada ao lado dele, as mãos entrelaçadas com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
— Encontrei os registros — disse o investigador. — Eleanor Ashford trabalhou como assistente executiva na Vale Industries entre 1998 e 2003. Ela pediu demissão repentinamente, um mês depois de um… incidente pessoal reportado nos registros internos da empresa. Não há detalhes claros sobre a natureza do incidente. Mas há um documento de acordo confidencial assinado pela empresa, garantindo apoio financeiro contínuo à Sra. Ashford, sob condição de silêncio absoluto.
Maya sentiu as lágrimas escorrerem antes mesmo de perceber que estava chorando.
— Ela recebia dinheiro da sua família há anos — sussurrou. — Foi assim que pagamos o aluguel depois que meu pai foi embora. Eu sempre achei que era pensão alimentícia dele. Ela nunca me disse a verdade.
Ethan ficou paralisado por um longo momento, tentando processar a possibilidade que pairava entre eles, tão grande que parecia engolir a sala inteira.
— Existe algum jeito de saber… — ele começou, mas não conseguiu terminar.
— Se você é meu irmão — completou Maya, a voz quebrada.
O investigador, ainda na linha, pigarreou. — Existe. Um teste de DNA resolveria isso definitivamente. Posso providenciar com total discrição, se os dois concordarem.
Ethan olhou pra Maya, e pela primeira vez desde que se conheceram, ela viu medo genuíno nos olhos dele. Não medo de perder controle sobre uma empresa, ou sobre um negócio bilionário.
Medo de perder a única coisa que tinha feito seu peito se abrir depois de anos fechado.
— Eu preciso saber — disse ele, finalmente. — Mas, Maya… independente do resultado, o que eu sinto por você não muda quem você é pra mim.
— E se formos irmãos, Ethan? — ela perguntou, a voz mal saindo. — O que a gente faz com tudo isso então?
Ele não teve resposta. Só segurou a mão dela com mais força, os dois esperando, em silêncio, pelo resultado que decidiria o destino de tudo o que tinha começado naquela noite no restaurante.
