Quinze dias depois de quase sangrar até a morte dando à luz o filho dele, meu marido — o chefe da máfia mais temido de Chicago

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Chapter 2

Os cinco dias seguintes se transformaram numa operação silenciosa que exigiu toda a força que meu corpo, ainda se recuperando da cirurgia, mal conseguia sustentar.

Minha mãe, percebendo finalmente que eu não estava exagerando, tornou-se minha aliada mais firme.

— Eu devia ter tirado você dessa casa há anos — ela disse, ajudando a organizar as malas discretamente, enquanto Vincent supostamente “resolvia negócios” em algum lugar da cidade.

— Ninguém sai de um casamento com o chefe da máfia mais temido de Chicago sem um plano muito bem-feito, mãe.

E eu já tinha começado a construir esse plano havia meses, sem nem perceber completamente.

Grant Ashford — não, esse não era o nome certo aqui, era Marissa Blake, minha advogada, recomendada por uma amiga de faculdade que nunca teve contato direto com o mundo de Vincent — tinha me orientado, discretamente, desde a décima semana de gravidez, quando os primeiros sinais claros de que Vanessa tinha voltado começaram a aparecer.

— As gravações que você tem são valiosas, Madison — Marissa me disse, numa ligação sussurrada enquanto minha mãe fazia barulho de propósito no corredor pra disfarçar. — Mas precisamos de mais. Provas financeiras, provas de negligência documentada, e um plano de saída seguro, considerando quem é seu marido.

— Ele nunca me machucou fisicamente.

— Isso não importa, Madison. Homens como Vincent Carter não precisam de violência física pra controlar completamente a vida de alguém. Negligência também é uma forma de dano, e o tribunal vai reconhecer isso, especialmente com as gravações que você tem.

Enquanto isso, dentro de casa, eu mantinha uma fachada de normalidade impecável.

Sorria pras babás.

Agradecia gentilmente qualquer flor tardia que Vincent mandasse entregar através de assistentes, nunca pessoalmente.

Amamentava meu filho, Theo, com uma determinação que superava qualquer exaustão física, decidida a garantir que ele nunca sentisse, nem por um segundo, o vazio que eu sentia todos os dias.

No sexto dia, recebi a ligação que confirmou tudo que eu temia.

— Madison — Marissa disse, a voz tensa. — Descobrimos que o apartamento onde Vincent instalou Vanessa Reed foi comprado usando fundos de uma conta conjunta aberta durante seu casamento, sem seu conhecimento ou assinatura.

Meu sangue gelou.

— Isso é fraude?

— Isso é, no mínimo, uso indevido de bens conjugais, o que fortalece imensamente seu caso. Além disso, encontramos registros de transferências regulares pra essa mesma conta nos últimos dois meses, incluindo três dias antes do parto.

Ele estava planejando o retorno de Vanessa antes mesmo do meu filho nascer.

A dor daquilo foi tão profunda que, por um momento, esqueci completamente de respirar.

— Preciso sair daqui, Marissa. O quanto antes.

— Temos um apartamento seguro pronto, com segurança discreta, registrado sob o nome da sua mãe pra evitar rastreamento imediato. Podemos organizar tudo pra amanhã à noite, enquanto Vincent estiver, supostamente, “em reunião”.

No dia seguinte, com Theo enrolado cuidadosamente contra o peito, e apenas duas malas contendo o essencial, deixei a mansão que nunca realmente tinha sentido como lar, sabendo que, dessa vez, não estava fugindo.

Estava escolhendo, finalmente, proteger meu filho e a mim mesma.

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