Chapter 1
Quando Jude Mercer me encontrou sangrando no chão de um closet escuro, meu ombro estava deslocado, meu lábio estava cortado, e oito homens ricos lá embaixo ainda achavam que o sobrenome deles podia protegê-los. Eles não faziam ideia de que o homem mais temido de Nova York estava prestes a descobrir o que tinham feito — nem que, até o amanhecer, todos eles teriam desaparecido.
Meu nome é Audrey Sinclair, e por quase três anos eu trabalhei na Mansão Mercer seguindo uma única regra.
Ficar invisível.
Jude Mercer inspirava histórias diferentes, dependendo de quem contava. Uns o chamavam de bilionário, outros de criminoso de terno sob medida, mas todo mundo concordava numa coisa: homens poderosos ficavam muito cuidadosos quando Jude entrava numa sala.
Eu também tinha aprendido a ser cuidadosa.
Sabia polir prata, memorizar as preferências dos convidados, e desaparecer no fundo do cenário enquanto senadores, banqueiros e esposas da alta sociedade fingiam ser melhores do que os segredos que carregavam.
Esconder dor também era algo que eu sabia fazer bem.
Eu praticava isso desde criança.
Naquela noite, Bryce Whitmore me encurralou no corredor de serviço, com mais sete amigos.
Ele estava bêbado, arrogante, sorrindo.
Filho de um juiz federal.
O tipo de homem que provavelmente nunca tinha ouvido um “não” sem achar que, mais cedo ou mais tarde, alguém ia transformar aquilo num “sim”.
— Sai da frente — falei baixinho, segurando uma pilha de toalhas limpas contra o peito.
Bryce se aproximou.
— Você trabalha aqui. Não manda em convidado.
— Eu não vim por sua causa.
Os amigos dele riram.
Foi quando a mão dele acertou meu rosto.
Minha cabeça virou de lado, as toalhas caíram no chão, e o gosto de sangue tomou conta da minha boca.
Dois homens seguraram meus braços antes que eu conseguisse correr.
— Acha que é boa demais pra gente? — Bryce perguntou.
Eu lutei.
Com tudo que tinha.
Foi aí que alguém torceu meu braço esquerdo para trás enquanto outro empurrava meu corpo para frente.
POP.
O som veio de dentro do meu ombro.
A dor explodiu tão forte que eu gritei antes mesmo de entender o que tinha acontecido.
Por um segundo, todo mundo congelou.
Eu aproveitei.
Pisei com o salto no pé de um deles, uma das mãos afrouxou, e eu me soltei.
Então corri.
Meu braço esquerdo pendia sem força ao lado do corpo, e cada passo mandava uma onda de fogo pelo ombro e pelas costelas.
Não olhei para trás.
Cheguei ao andar de cima, atravessei a galeria oeste, e me tranquei dentro de um closet pequeno.
Aí escorreguei até o chão.
Enfiei a manga do uniforme entre os dentes para ninguém ouvir eu chorando.
E comecei a contar.
Um.
Dois.
Três.
Contar era mais fácil do que pensar.
Catorze minutos depois, eu ainda estava sentada no escuro quando a maçaneta começou a girar devagar.
Meu corpo inteiro travou.
A porta se abriu.
A luz invadiu o chão.
E Jude Mercer entrou.
Os olhos dele encontraram o sangue primeiro.
Depois o uniforme rasgado.
Depois o jeito que eu segurava meu braço inútil contra o corpo.
Ele não perguntou se eu estava bem.
Homens como Jude sabiam que era inútil fazer perguntas óbvias quando a resposta estava ali, sangrando na sua frente.
— Quem?
Uma palavra só.
Baixa.
Aterrorizante.
Tentei me levantar.
Ele se agachou na minha frente.
— Sr. Mercer, por favor…
Os olhos dele subiram até os meus.
— Quem fez isso?
Engoli em seco.
— Bryce Whitmore.
Alguma coisa desapareceu da expressão de Jude.
Não era raiva.
Era algo mais frio.
— E quem estava com ele?
Hesitei.
Foi quando passos e risadas ecoaram baixinho, vindos do salão lá embaixo.
Jude olhou na direção do som.
Quando voltou a olhar para mim, a voz saiu quase gentil.
— Quantos?
— Oito.
Ele se levantou.
Depois pegou o celular.
E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele falou cinco palavras que gelaram o sangue nas minhas veias.
— Tranquem todas as portas da casa.
