Quando Jude Mercer me encontrou sangrando no chão de um closet escuro, meu ombro estava deslocado, meu lábio estava cortado, e oito homens ricos lá embaixo ainda achavam que o sobrenome deles podia protegê-los

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Chapter 4

Duas semanas se passaram entre aquela noite e o dia em que os oito homens compareceram à primeira audiência.

Jude não me deixou trabalhar durante esse tempo — insistiu que eu ficasse na ala de hóspedes da mansão, “em recuperação”, apesar de eu insistir que meu ombro já estava quase bom.

A verdade, que nenhum dos dois dizia em voz alta, era que ele queria me manter por perto.

Numa tarde, encontrei ele na biblioteca, cercado de pastas, o rosto tenso de concentração.

— O que é tudo isso? — perguntei, me aproximando devagar.

Ele hesitou antes de responder, como se estivesse decidindo quanto contar.

— Provas. Sobre cada um dos oito homens daquela noite. Reunidas há mais de dois anos.

Aquilo me pegou de surpresa.

— Dois anos? Mas você não sabia o que ia acontecer comigo naquela noite.

— Não. — Ele fechou uma das pastas. — Mas eu sabia o tipo de homem que Bryce Whitmore e os amigos dele eram há muito tempo. Homens como esses deixam rastro, Audrey. Reclamações abafadas, acordos silenciosos, mulheres que desapareceram de empregos depois de “problemas” que ninguém queria investigar direito.

— E você guardou tudo isso… por quê?

— Porque eu sabia que um dia alguém ia precisar. Só não imaginei que seria você.

Sentei na cadeira em frente à mesa dele, processando aquilo.

— Então a noite da festa não foi o motivo de você agir. Foi só o estopim.

— Exatamente.

— Isso muda alguma coisa entre nós? — Não sei de onde veio a coragem de perguntar aquilo, mas a pergunta já estava no ar antes que eu conseguisse recuar.

Jude ergueu os olhos, surpreso com a pergunta direta.

— Como assim?

— Você está fazendo tudo isso por justiça, ou está fazendo isso porque, de alguma forma, você se importa comigo especificamente?

Ele ficou em silêncio por um tempo tão longo que eu quase me arrependi de ter perguntado.

— As duas coisas — ele finalmente disse. — Eu ia usar essas provas um dia, de qualquer forma, contra homens como esses. Mas a urgência, a raiva que eu senti quando abri aquela porta do closet e vi você sangrando… isso não foi sobre justiça abstrata, Audrey. Foi sobre você.

Meu coração disparou de um jeito que não tinha nada a ver com medo dessa vez.

— Três anos trabalhando nessa casa, e você nunca disse mais que “bom dia” para mim.

— Eu sabia que se prestasse atenção demais em você, ia ser óbvio demais rápido demais.

— Óbvio o quê?

— Que eu reparava em você mais do que deveria, para um homem que finge não precisar de ninguém.

A confissão pairou entre nós, pesada e frágil ao mesmo tempo.

Antes que eu pudesse responder, o telefone dele tocou.

Ele atendeu, ouviu por alguns segundos, e o rosto se fechou de um jeito que me fez sentar mais reta na cadeira.

— O quê? — perguntei assim que ele desligou.

— A audiência foi adiantada. Os advogados dos oito estão tentando um acordo de última hora com o promotor, antes que as provas sejam apresentadas oficialmente.

— Isso pode funcionar?

— Não se eu tiver algo a dizer sobre isso.

Ele já estava de pé, pegando o paletó.

— Vem comigo?

Não era um pedido educado. Era um convite genuíno, quase vulnerável, como se ele realmente quisesse que eu estivesse ao lado dele naquele momento.

— Vou.

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