Acordar na cama proibida do chefe da máfia mais temido de Boston já seria o suficiente para destruir minha carreira — mas encontrar o braço cheio de cicatrizes dele travado

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Chapter 3

Fiquei olhando para aquela mensagem por um tempo que pareceu eterno.

— Quem mandou isso? — consegui perguntar, finalmente.

— Um número que não reconheço. Mas o estilo é exatamente o de Salvatore. Ele gosta de deixar claro que está observando antes de agir.

— Adrian, eu sou uma organizadora de eventos. Não sou ninguém importante nesse seu mundo. Por que ele se importaria comigo?

Ele hesitou, e aquela hesitação me assustou mais do que qualquer ameaça explícita.

— Porque agora você é a mulher que vai se casar com o chefe da família Moretti. E para Salvatore Greco, isso te transforma em alavanca.

— Alavanca para quê?

— Para me forçar a fazer escolhas que eu nunca faria se você não estivesse no meio disso.

Senti as pernas fraquejarem, e dessa vez não tinha nada a ver com a noite maldormida ou a exaustão do evento.

— Eu preciso ir embora — falei, procurando minhas roupas pelo quarto, encontrando meu vestido amassado jogado perto da lareira. — Preciso voltar para minha vida normal, meu apartamento, meu emprego que provavelmente já me demitiu por sumir a noite inteira sem satisfação nenhuma.

— Elena.

— O quê?

— Se você sair dessa propriedade agora, sozinha, sem proteção, você está exatamente onde Salvatore quer que você esteja.

Parei, o vestido ainda apertado contra o peito.

— Então o que você sugere? Que eu fique aqui, brincando de noiva de mentirinha, enquanto minha vida inteira desmorona lá fora?

— Eu sugiro — ele disse, se aproximando devagar, como se eu fosse um animal assustado prestes a fugir — que você me dê alguns dias. Só isso. Tempo suficiente para eu descobrir exatamente o que Salvatore sabe, e neutralizar qualquer ameaça antes que ela chegue perto de você de verdade.

— E se eu não confiar em você?

— Você não tem motivo para confiar em mim, Elena. Eu sei disso. Mas eu tenho um motivo forte para proteger você agora, goste você ou não.

— Qual motivo?

Ele ficou em silêncio por um segundo longo demais.

— Porque foi a minha decisão, dizer que você era minha noiva, que colocou você nessa posição. Se algo acontecer com você agora, a culpa é inteiramente minha.

Aquela resposta, tão direta, tão sem rodeios, me pegou de jeito completamente diferente do que eu esperava.

Foi quando batidas soaram na porta outra vez — mas dessa vez, mais suaves, mais respeitosas.

— Chefe — a voz do mesmo homem de antes chamou. — Sua avó está esperando. E… o Sr. Greco ligou pessoalmente para a linha principal da casa. Disse que quer marcar uma reunião. Para conhecer a noiva.

Meu sangue gelou pela segunda vez naquela manhã.

Adrian fechou os olhos por um instante, como se estivesse absorvendo o peso daquela informação.

— Diz a ele que aceitamos.

— Adrian! — protestei. — Você vai me colocar numa sala com o homem que acabou de me ameaçar por mensagem?

— Não — ele respondeu, se virando para mim com uma determinação nova nos olhos. — Eu vou colocar nós dois numa sala com ele. Juntos. Porque a única forma de proteger você de verdade é deixar Salvatore ver, com os próprios olhos, que mexer com você significa mexer diretamente comigo.

— E se isso não for suficiente para impedir ele?

Adrian pegou minha mão, os dedos cheios de cicatrizes envolvendo os meus com uma firmeza que, de alguma forma, era mais reconfortante do que assustadora.

— Então eu vou garantir que ele entenda exatamente o preço de tentar.

Três dias depois, me vi sentada numa sala de reuniões que parecia mais uma sala de tribunal do que qualquer coisa doméstica, vestindo um vestido que a avó de Adrian tinha insistido em escolher pessoalmente, esperando o homem que tinha me ameaçado por mensagem entrar por aquela porta.

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