Acordar na cama proibida do chefe da máfia mais temido de Boston já seria o suficiente para destruir minha carreira — mas encontrar o braço cheio de cicatrizes dele travado

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Chapter 5

O mundo pareceu parar por um segundo.

— O quê? — Adrian já estava se movendo, pegando o celular, gritando ordens em italiano para os guardas espalhados pela casa.

— Meu apartamento? — repeti, sentindo o pânico subir pela garganta. — Por que ele iria até lá?

— Porque ele quer provar um ponto — Adrian respondeu, já correndo para a garagem, puxando minha mão junto com ele. — Ele quer mostrar que sabe exatamente onde encontrar as pessoas que você ama, Elena. Sua família mora perto de você?

— Minha irmã. Ela mora dois andares abaixo do meu apartamento.

O rosto de Adrian ficou ainda mais tenso.

Entramos no carro blindado, três outros veículos com seguranças seguindo logo atrás, e a viagem até meu apartamento pareceu durar horas, apesar de serem só vinte minutos reais.

Quando chegamos, o carro de Salvatore já estava estacionado na frente do prédio.

Adrian saiu do carro antes mesmo dele parar completamente, e eu corri atrás dele, o coração disparado, imaginando o pior.

Encontramos Salvatore parado no saguão do prédio, conversando calmamente com o porteiro, como se estivesse ali só de passagem casual.

— Adrian! — ele disse, sorrindo ao nos ver chegar sem fôlego. — Que coincidência encontrar vocês aqui.

— Não existe coincidência com você, Salvatore — Adrian respondeu, a voz baixa e perigosa. — Fala logo o que veio fazer aqui.

— Eu só vim ver, com meus próprios olhos, se a Srta. Brooks realmente tinha uma vida antes de aparecer do nada na sua cama. E veja só — ele olhou em volta, para o saguão simples, para os vizinhos observando de longe —, tudo parece bem real, afinal. Uma irmã morando aqui perto, um emprego de verdade, uma vida normal que você decidiu destruir ao envolvê-la nos seus problemas.

— Eu não destruí nada — Adrian rebateu.

— Ainda não — Salvatore concordou, o tom quase gentil demais para as palavras que escolhia. — Mas basta uma palavra minha, uma ligação para as pessoas certas, e a vida simples da Elena Brooks nunca mais vai ser a mesma. Família dela incluída.

Foi nesse momento que percebi: aquilo não era mais sobre território, nem sobre negócios. Salvatore estava desfrutando do poder de assustar, de mostrar que podia alcançar qualquer pessoa, a qualquer momento.

E foi isso que me deu a coragem de falar.

— Sr. Greco.

Ele se virou para mim, surpreso com a interrupção.

— O senhor veio até aqui para mostrar que pode me alcançar. Já mostrou. Parabéns. Mas deixa eu te mostrar uma coisa também.

Peguei meu celular, as mãos tremendo só um pouco, e mostrei a ele uma foto que eu tinha tirado momentos antes de sair do apartamento, semanas atrás, antes de tudo aquilo começar — eu e minha irmã, sorrindo, numa tarde comum qualquer.

— Essa é minha irmã, Sr. Greco. Ela não tem nada a ver com o mundo do senhor, nem com o de Adrian. Se o senhor decidir usá-la como arma contra mim, ou contra ele, o senhor não vai estar provando poder nenhum. Vai só estar provando que precisa machucar pessoas inocentes para conseguir o que quer, porque não consegue vencer de frente.

O saguão inteiro ficou em silêncio.

Salvatore me encarou por um longo momento, e pela primeira vez desde que eu tinha conhecido aquele homem, algo no rosto dele vacilou — não medo, mas talvez um respeito relutante.

— Você tem coragem, Srta. Brooks. Vou admitir isso.

— Não é coragem. É desespero de proteger quem eu amo. Imagino que o senhor entenda a diferença, já que também parece disposto a ir longe demais por poder.

Adrian ficou parado ao meu lado, tenso, pronto para agir se Salvatore fizesse qualquer movimento, mas deixando aquele momento ser meu.

Salvatore, finalmente, deu um passo para trás.

— A reunião da próxima semana ainda está de pé, Adrian. Discutiremos território como homens de negócio, sem envolver mais ninguém fora dele.

— E se eu descobrir que você chegou perto da família dela de novo? — Adrian perguntou, a voz uma promessa fria.

— Não vai ser necessário — Salvatore respondeu, olhando para mim uma última vez. — Ela já deixou claro que protegê-la significa lidar com uma mulher que não recua fácil. Isso, sozinho, já é suficiente aviso para mim.

Ele saiu do prédio sem mais uma palavra, entrando no carro e desaparecendo pela rua.

Só quando o carro sumiu de vista, senti as pernas cederem, e foi o braço de Adrian que me segurou, dessa vez sem nenhuma pretensão, sem nenhuma mentira, só o apoio genuíno de alguém que realmente se importava.

— Você foi incrível lá dentro — ele disse, a voz baixa, cheia de admiração.

— Eu estava apavorada.

— Coragem não é ausência de medo, Elena. É agir apesar dele. E foi exatamente isso que você fez.

Nas semanas seguintes, a reunião de território aconteceu sem mais incidentes, Salvatore mantendo a palavra de deixar minha família fora de qualquer conflito futuro.

O noivado, que tinha começado como uma mentira desesperada para me proteger, foi se tornando, devagar, algo real demais para qualquer um de nós negar.

Numa noite tranquila, meses depois, sentados na mesma varanda onde tudo tinha começado a fazer sentido entre nós, Adrian finalmente tirou do bolso um anel de verdade — não mais parte de uma mentira, mas um pedido genuíno.

— Dessa vez — ele disse, ajoelhando-se de verdade —, eu quero fazer certo. Elena Brooks, você aceitaria se casar comigo não porque alguém bateu naquela porta e nos forçou a mentir, mas porque nós dois escolhemos isso, de verdade, um pelo outro?

Olhei para aquele homem que tinha começado como uma ameaça e virado a pessoa em quem eu mais confiava no mundo, e soube, sem nenhuma dúvida, qual era minha resposta.

— Sim.

E enquanto ele colocava o anel no meu dedo, pensei em todas as vezes na vida em que eu tinha aceitado o caminho mais seguro, mais previsível, só para evitar risco.

Quantas vezes vocês já deixaram o medo escolher por vocês, em vez de dar uma chance para algo que parecia arriscado demais para ser real?

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