Cheguei em casa depois de mais uma noite com a minha amante, certo de que minha esposa já estaria dormindo.

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Chapter 4

As duas semanas seguintes foram uma queda livre.

O processo criminal avançou rápido — Robert não fez questão nenhuma de suavizar as coisas por causa do neto.

Meu advogado criminal, um homem caro chamado Peter Hastings, me avisou logo de cara que a melhor estratégia era um acordo: devolver o dinheiro desviado, mais juros, em troca de uma pena reduzida, provavelmente prestação de serviços comunitários e liberdade condicional, já que era primeira ofensa.

Aceitei, sem forças pra lutar contra mais nada.

Vendi o carro.

Vendi o relógio que Claire tinha me dado no nosso quinto aniversário de casamento, com uma ironia que doeu mais do que eu esperava.

Enquanto isso, Vanessa desaparecia aos poucos da minha vida também.

Ela não atendia mais minhas ligações depois que descobriu que eu tinha perdido o emprego e estava sendo processado.

Um mês depois, recebi uma mensagem curta dela:

Decidi que é melhor criar esse bebê sozinha. Não preciso de mais complicação na minha vida. Vou te avisar quando ele nascer, pro registro, mas não espere mais que isso.

Li aquela mensagem sentado no chão do apartamento pequeno que eu tinha alugado, um lugar que cabia inteiro dentro da sala de estar da minha casa antiga.

Ela tinha razão, de um jeito cruel.

Eu não tinha feito por merecer mais que isso.

Enquanto minha vida profissional desmoronava, tentei, sem sucesso, conseguir ver o Noah.

Claire não respondia minhas mensagens.

Foi Linda, a mãe dela, quem finalmente me ligou, semanas depois, com uma voz mais suave do que da última vez que conversamos.

— A Claire concordou em deixar você ver o Noah. Duas horas, no parque perto do apartamento novo dela. Supervisionado.

— Supervisionado por quem?

— Por mim — ela disse, seca. — E se você chegar atrasado, ou cheirando a perfume de alguma mulher que não seja a mãe dele, essa vai ser a última vez.

Concordei sem hesitar.

No dia marcado, cheguei quarenta minutos antes, sentado num banco esperando, o coração batendo de um jeito que eu não sentia desde a faculdade.

Quando Claire apareceu empurrando o carrinho, com Noah maior do que eu lembrava, usando um casaquinho azul que eu nunca tinha visto, senti um aperto no peito que quase me derrubou.

— Ele cresceu tanto — falei, a voz embargada.

— As crianças crescem, Daniel. Mesmo quando os pais não estão por perto pra ver.

A frase foi cirúrgica, precisa, e eu engoli em seco.

Peguei o Noah no colo pela primeira vez em semanas, e ele me olhou com aqueles olhos grandes, sem reconhecimento completo, mas sem medo também.

Isso, de alguma forma, doeu mais do que qualquer rejeição.

— Claire, eu queria dizer que sinto muito. De verdade. Não só pela Vanessa, pelo dinheiro, por tudo.

— Eu sei que sente — ela disse, sentando no banco ao lado, mantendo distância física clara entre nós. — Mas sentir não desfaz nada, Daniel. Eu passei a gravidez inteira sozinha, com você inventando reuniões. Passei os primeiros três meses do Noah cuidando dele sozinha às três da manhã enquanto você estava em hotéis chiques. Sentir muito não devolve esse tempo.

— Eu sei.

— Você não sabe, na verdade — ela continuou, olhando pro filho no meu colo. — Porque você nunca precisou saber o que é ficar sozinha com medo, cansada, se perguntando se o seu casamento inteiro foi uma mentira. Eu tive que descobrir isso sozinha, junto com fraldas sujas e noites sem dormir.

Fiquei em silêncio, porque não havia nada que eu pudesse dizer que não soasse vazio.

— Por que você não simplesmente me confrontou antes? Por que passou semanas juntando provas em silêncio?

Ela me olhou, e pela primeira vez desde que tudo tinha começado, vi um resquício de tristeza genuína, não só raiva.

— Porque eu te conheço, Daniel. Sabia que se eu te confrontasse sem provas, você ia negar tudo, ia me fazer duvidar de mim mesma, ia dizer que eu estava “hormonal” ou “paranoica” por causa do pós-parto. Eu precisava ter certeza absoluta antes de te dar a chance de mentir na minha cara de novo.

Aquilo foi como um soco, porque ela estava certa.

Eu provavelmente teria feito exatamente isso.

— E agora? — perguntei, baixinho, olhando pro Noah dormindo no meu colo. — O que acontece agora?

— Agora você cumpre sua sentença, paga sua dívida com a empresa do meu pai, e aprende a ser um pai de fim de semana supervisionado, se tiver sorte — ela disse, se levantando, estendendo os braços pra pegar o Noah de volta. — E eu reconstruo minha vida, com ou sem você nela.

Devolvi o filho pra ela com relutância, sentindo o calor pequeno dele sair dos meus braços.

— Claire, existe alguma chance, algum dia, de…

— Não — ela cortou, sem raiva, só com uma certeza que doía mais que qualquer grito. — Não existe, Daniel. E acho que, no fundo, você sabe disso.

Ela colocou Noah de volta no carrinho, ajeitou o casaquinho dele, e começou a se afastar, deixando-me sentado sozinho naquele banco de parque, entendendo, finalmente, que algumas pontes não podem ser reconstruídas, não importa quanto arrependimento você carregue.

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