Cheguei em casa depois de mais uma noite com a minha amante, certo de que minha esposa já estaria dormindo.

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Chapter 5

Seis meses se passaram desde aquele dia no parque.

O processo criminal terminou com uma sentença de dois anos de liberdade condicional, restituição total dos fundos desviados, e a obrigação de prestar duzentas horas de serviço comunitário — a maioria delas, ironicamente, ensinando educação financeira básica em um centro comunitário no Brooklyn.

Havia uma ironia cruel nisso que eu tentava não pensar demais.

O divórcio foi finalizado em quatro meses, mais rápido do que eu esperava, porque eu não tive forças, nem moral, pra lutar contra nenhum dos termos.

Claire ficou com a guarda total do Noah.

Eu fiquei com visitas supervisionadas, duas vezes por mês, que aos poucos, com o tempo e com Linda testemunhando que eu realmente estava tentando mudar, se tornaram visitas normais, sem supervisão, uma vez por semana.

Vanessa teve o bebê em março — uma menina, que ela chamou de Sofia.

Ela me avisou por mensagem, como prometido, e me enviou uma única foto.

Não pedi mais nada além disso, porque sabia, no fundo, que eu não tinha o direito de exigir presença numa vida que eu já tinha estragado antes mesmo dela começar.

Comecei a pagar pensão pra Sofia também, assim que o teste de paternidade confirmou o que já era óbvio.

Duas crianças, duas casas, e eu sozinho, no meio, tentando ser presente o suficiente pra não repetir os mesmos erros duas vezes.

Consegui um emprego novo, bem mais modesto — analista financeiro numa empresa pequena que nem de longe se comparava ao cargo que eu tinha antes.

O salário era metade do que eu ganhava, mas dessa vez eu não desviava um centavo, e havia algo estranhamente libertador nisso, em ganhar pouco, mas de forma honesta.

Num sábado de outono, fui buscar o Noah pra passar o dia comigo, já sem supervisão, o parque cheio de folhas amarelas caindo.

Ele já andava sozinho, chamava “papai” com aquela voz fina de criança pequena, e cada vez que ele fazia isso, eu sentia uma mistura de alegria e culpa que eu duvidava que fosse desaparecer algum dia.

Claire estava lá, entregando a mochila dele, quando percebi uma aliança diferente na mão dela — não a que eu tinha dado, é claro, mas uma nova, simples, discreta.

— Você está noivo? — perguntei, tentando manter a voz neutra.

— Casada, na verdade — ela respondeu, sem drama, sem crueldade, só informando um fato. — Há três meses. Ele é professor de história, conheceu o Noah antes de conhecer a mim direito, numa reunião de pais na creche.

Senti um aperto estranho no peito, não exatamente ciúme, mas algo parecido com luto — o luto de uma vida que eu mesmo tinha jogado fora.

— Ele é bom pra vocês dois?

— É — ela disse, simplesmente. — É gentil. É presente. É exatamente o que eu devia ter procurado desde o início, em vez de aceitar migalhas de alguém que nunca colocou a gente em primeiro lugar de verdade.

Não tive resposta pra isso, porque não havia defesa possível.

— Fico feliz por você, Claire. De verdade.

Ela me olhou, talvez surpresa com a sinceridade na minha voz.

— Eu acredito que você esteja tentando, Daniel. Vejo isso nas visitas com o Noah, na forma como você chega sempre no horário agora, como você aprendeu o que ele gosta de comer, quais desenhos ele assiste.

— É o mínimo que eu posso fazer.

— É — ela concordou. — E é o suficiente, pelo menos pra ele ter um pai presente, mesmo que a gente nunca mais seja uma família do jeito que eu sonhei um dia.

Peguei a mão do Noah, sentindo os dedinhos pequenos dele segurarem os meus com uma confiança que eu não tinha certeza de merecer ainda.

Vi Claire se afastar, caminhando de volta pro carro, mais leve do que eu me lembrava dela ser em anos, como se cada passo fosse um pouco mais livre do que o anterior.

Sentei no banco do parque com meu filho, vendo as folhas caírem, entendendo, finalmente e por completo, que a vida que eu tinha destruído não voltaria — mas que ainda havia, dali em diante, escolhas menores, diárias, que eu podia fazer certo, mesmo depois de ter feito tanta coisa errada.

Quantas pessoas na sua vida você só percebeu que tinha por perto depois que elas já tinham ido embora de vez?

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