Cheguei em casa depois de mais uma noite com a minha amante, certo de que minha esposa já estaria dormindo.

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Chapter 3

Passei três dias sem notícia de Claire.

Três dias dormindo num hotel qualquer perto do escritório, evitando os olhares dos meus colegas, sentindo o chão da minha vida inteira rachar debaixo dos meus pés.

Na quarta manhã, recebi uma intimação.

Não era da Claire diretamente.

Era do próprio Robert, meu sogro, convocando uma reunião de emergência do conselho — a mesma que Marcus tinha mencionado, só que antecipada.

Cheguei na sede da empresa com um terno mal passado e a certeza de que estava prestes a perder tudo que tinha construído.

A sala de reuniões estava cheia.

Todos os diretores.

Robert, na cabeceira da mesa, o rosto duro como pedra.

E, ao lado dele, sentada com uma postura que eu nunca tinha visto antes — ombros retos, olhar firme — estava Claire.

Meu coração disparou.

— Claire…

— Sente-se, Daniel — Robert disse, a voz cortante. — Isso não é uma conversa. É uma apresentação de fatos.

Sentei, sentindo os olhares de todo o conselho em cima de mim.

Claire abriu uma pasta na sua frente, sem nem me encarar diretamente.

— Nos últimos oito meses, o Sr. Carter desviou um total de 340 mil dólares de fundos operacionais do departamento que ele supervisiona, através de três contas-sombra registradas em nome de fornecedores fictícios.

A voz dela não tremia.

Nem um pouco.

— Esse dinheiro foi usado para financiar um relacionamento extraconjugal, incluindo o aluguel de um apartamento na Quinta Avenida, joias avaliadas em mais de cinquenta mil dólares, e diversas viagens registradas como “reuniões com investidores” que nunca aconteceram.

Um dos diretores mais velhos, o Sr. Whitfield, balançou a cabeça, visivelmente enojado.

— Claire, isso é… tenho certeza que existe alguma explicação…

— Não existe explicação nenhuma, Charles — ela cortou, educada mas firme. — Existe um homem que roubou da própria família enquanto a esposa ficava sozinha cuidando de um recém-nascido.

Tentei falar.

— Claire, deixa eu explicar…

— Você já teve oito meses pra explicar, Daniel. Teve todas as noites em que eu perguntei se estava tudo bem e você disse que sim. Teve todas as manhãs em que saiu “pra reunião” e eu fiquei em casa com o Noah chorando às três da manhã sozinha.

A sala inteira ficou em silêncio.

— Eu tenho gravações, extratos bancários, mensagens e um depoimento assinado da Sra. Vanessa Cole confirmando a natureza do relacionamento e o uso dos fundos — Claire continuou, entregando cópias pra cada diretor. — Está tudo documentado.

Robert finalmente falou, a voz rouca de quem estava segurando a raiva havia dias.

— Daniel, eu te dei uma oportunidade nessa empresa que eu não daria pra ninguém de fora da família. Confiei em você com os números, com as operações, com a minha filha.

— Robert, eu…

— Você está demitido, com efeito imediato. E o conselho já foi informado de que vamos abrir um processo criminal por desvio de fundos.

O mundo girou de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.

— Claire, por favor, podemos conversar em particular?

Ela finalmente me olhou.

Não havia raiva no rosto dela.

Havia algo pior.

Havia calma.

— Não tem mais nada pra conversar, Daniel. Meu advogado já entrou com o pedido de divórcio essa manhã. Guarda total do Noah, já que você está prestes a responder criminalmente e, aparentemente, vai ter uma segunda família pra sustentar também.

— Você sabe da Vanessa…

— Eu sei de tudo — ela disse, guardando os papéis na pasta com uma calma que doía mais do que gritos teriam doído. — Sei há semanas. Só esperei reunir provas suficientes pra garantir que você não conseguisse virar isso contra mim depois.

Levantei-me, tentando alcançá-la enquanto ela se dirigia pra porta.

— Claire, eu ainda te amo.

Ela parou, de costas pra mim, por um segundo inteiro.

— Você amava a ideia de ter tudo, Daniel. Uma esposa em casa, um filho pra continuar seu sobrenome, e uma amante pra te fazer sentir jovem de novo. Isso não é amor. Isso é ganância.

Ela saiu da sala sem olhar pra trás, e os diretores começaram a se levantar, recolhendo seus papéis, evitando meu olhar como se eu tivesse alguma doença contagiosa.

Fiquei sozinho naquela sala de reuniões, cercado pelas cadeiras vazias, entendendo, pela primeira vez de verdade, o tamanho do buraco que eu tinha cavado com as minhas próprias mãos.

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