Chapter 4
Nos dias seguintes, a mansão se transformou numa fortaleza ainda mais rígida, com homens armados triplicando em número, câmeras adicionais instaladas em cada corredor, cada entrada.
Dorian mal dormia, coordenando reuniões constantes com aliados de outras famílias, tentando rastrear a localização exata de Viktor antes que ele conseguisse agir.
— Encontramos uma pista — Marcus, o braço direito de Dorian, informou numa dessas reuniões tensas. — Viktor está se movendo pra Chicago pessoalmente. Chegada estimada em dois dias.
— Ele nunca vem pessoalmente pra território rival — Dorian murmurou, franzindo a testa. — Isso significa que ele está determinado a supervisionar isso de perto.
— Ou que ele quer se certificar de que o trabalho seja feito direito dessa vez — completei, sentindo o medo crescer no peito.
Naquela tarde, durante uma consulta médica dentro da própria propriedade, a Dra. Mercer, trazida especialmente pra acompanhar minha gravidez com segurança total, fez um ultrassom.
O som do coraçãozinho batendo encheu a sala, e, pela primeira vez desde que tudo aquilo tinha começado, vi Dorian genuinamente esquecer, por um instante, todo o perigo ao redor.
— Isso é… — ele sussurrou, os olhos fixos na tela.
— Nosso filho — completei, sentindo lágrimas brotarem de novo.
A Dra. Mercer sorriu gentilmente.
— Tudo parece perfeitamente saudável até agora. Continuem com o repouso e a segurança que estão mantendo.
Aquele pequeno momento de paz durou pouco.
Naquela mesma noite, um dos seguranças mais próximos de Dorian, Callum, foi encontrado morto no jardim, uma mensagem cravada no peito dele com uma faca: “Isso é só o começo, Cross.”
O terror que tomou conta da propriedade foi imediato e absoluto.
— Ele está entrando na nossa segurança — Dorian rosnou, examinando o corpo com uma frieza que escondia mal a fúria por baixo. — Alguém aqui dentro está deixando ele passar.
— O informante — sussurrei.
Dorian se virou pra mim, os olhos duros.
— Vou descobrir quem é, hoje mesmo.
Ele reuniu toda a equipe de segurança na sala principal, examinando cada movimento, cada acesso registrado nas últimas semanas, cruzando informações com uma precisão fria que me lembrou exatamente por que ele era tão temido.
Foi Marcus quem encontrou o padrão, examinando os registros de celular da equipe.
— Aqui, Sr. Cross. Diego fez três ligações pro mesmo número não registrado, sempre minutos depois de reuniões estratégicas nossas.
Diego, um dos seguranças mais novos, contratado há apenas oito meses — exatamente quando o conflito com os Kovalenko tinha começado.
Confrontado, ele não negou por muito tempo.
— Eles ameaçaram minha família na Colômbia — Diego confessou, a voz quebrando. — Disseram que, se eu não passasse informações, matariam meus pais.
Dorian encarou ele, uma mistura complexa de raiva e algo parecido com compreensão cruzando o rosto.
— Isso não justifica ter colocado a vida da minha esposa e do meu filho em risco.
— Eu sei, Sr. Cross. Eu sei.
— Onde exatamente Viktor está agora?
Diego, tremendo, revelou o endereço de um armazém abandonado na periferia da cidade, onde Viktor estava organizando o ataque final.
Dorian se virou pra mim, a decisão já tomada.
— Vou até lá. Agora, antes que ele tenha tempo de reorganizar os planos, sabendo que descobrimos o informante.
— Não vou ficar aqui esperando notícias, Dorian.
— Você está grávida, Alina. Não posso te levar pra esse confronto.
— E eu não vou deixar você ir sozinho enfrentar um homem que já matou um dos seus próprios seguranças dentro da nossa casa.
Ele hesitou, o medo de me perder brigando visivelmente com a necessidade de agir.
— Fica no carro blindado, então. Perto o suficiente pra eu saber que você está segura, longe o bastante pro perigo real.
Aceitei, sabendo que aquele era o máximo de compromisso que conseguiria dele.
