Eu vomitei na frente dos papéis do divórcio antes de conseguir assiná-los, disse pro meu marido da máfia que era “só enjoo de carro”, e vi o medo substituir cada resquício de frieza no rosto dele.

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Chapter 5

O armazém abandonado ficava numa área industrial isolada, luzes fracas piscando entre estruturas enferrujadas.

Fiquei no carro blindado, junto com dois seguranças de confiança absoluta, observando Dorian e sua equipe se aproximarem em silêncio, armas prontas, movimentos sincronizados de quem já tinha vivido aquele tipo de confronto antes.

O rádio na mão do segurança ao meu lado transmitia fragmentos tensos da operação.

— Kovalenko avistado, segundo andar — a voz de Marcus ecoou, baixa.

Minutos que pareceram eternos se passaram, meu coração disparado, uma mão protetora instintivamente na barriga.

Então, tiros.

Vários, em sequência rápida, seguidos por um silêncio ainda mais aterrorizante.

— O que está acontecendo? — perguntei, desesperada, pro segurança.

— Preciso que a senhora fique calma, Sra. Cross.

O rádio voltou a crepitar.

— Situação controlada — a voz de Dorian, finalmente, tensa mas viva. — Kovalenko neutralizado.

O alívio que me atravessou foi tão intenso que quase chorei ali mesmo no carro.

Minutos depois, Dorian apareceu, caminhando na minha direção, um pequeno corte no rosto, mas inteiro, vivo, os olhos imediatamente buscando os meus através do vidro.

Abri a porta antes mesmo dele chegar, jogando os braços em volta dele, sentindo o corpo dele tremer levemente contra o meu.

— Acabou — ele sussurrou contra meu cabelo. — Acabou de verdade, Alina.

— Viktor?

— Preso. Vivo, mas preso, com evidências suficientes reunidas essa noite pra garantir que ele nunca mais represente ameaça nenhuma pra nossa família.

Voltamos pra mansão em silêncio, a exaustão e o alívio pesando igualmente sobre nós dois.

Naquela noite, deitados juntos pela primeira vez em meses, Dorian passou a mão gentilmente pela minha barriga ainda quase plana, um sorriso genuíno, raro, iluminando o rosto dele.

— Eu quase estraguei tudo, tentando te proteger do jeito errado — ele disse, baixinho.

— Você estava tentando me manter viva, Dorian. Eu entendo isso agora.

— Mas quase te perdi de um jeito diferente, no processo. Quase deixei você acreditar que eu não te amava mais, só pra te manter segura fisicamente.

Toquei o rosto dele, sentindo a barba por fazer sob meus dedos.

— Da próxima vez que você tentar me proteger de alguma coisa, promete que vamos decidir juntos, não sozinho.

— Prometo. Nunca mais vou esconder nada de você, Alina. Nem que doa, nem que pareça mais fácil no momento.

Ele beijou minha testa, depois desceu até minha barriga, sussurrando algo baixinho, só pro bebê ouvir.

Meses depois, com Viktor Kovalenko definitivamente fora do jogo e a paz relativa finalmente reinando entre as famílias, nossa filha nasceu numa manhã tranquila de primavera, os gritinhos dela enchendo a mansão de um som que substituiu, de vez, todo o silêncio frio dos meses anteriores.

Dorian segurou ela pela primeira vez com as mãos tremendo, o mesmo homem temido por toda uma cidade completamente derretido diante daquela vidinha pequena.

— Ela tem seus olhos — ele sussurrou, maravilhado.

— E o seu jeito teimoso de proteger tudo que ama, aparentemente, mesmo antes de nascer.

Ele riu, um som leve, livre, diferente de qualquer coisa que eu tinha ouvido dele nos meses mais sombrios daquele ano.

Olhando pra nossa filha, pra Dorian, pra tudo que quase tínhamos perdido por causa do silêncio e do medo, entendi finalmente que proteção verdadeira nunca deveria significar mentir pra quem se ama, mas sim enfrentar o perigo juntos, de mãos dadas, mesmo quando tudo parece impossível de superar.

Quantas vezes a gente escolhe carregar um fardo sozinho, achando que está protegendo quem amamos, quando na verdade só estamos criando uma distância que machuca os dois lados por igual?

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