O Chefão da Máfia a Ouviu Insultá-lo em Italiano — Depois Sussurrou Algo que Mudou Tudo

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Chapter 1

O Chefão da Máfia a Ouviu Insultá-lo em Italiano — Depois Sussurrou Algo que Mudou Tudo

Os lustres de cristal do Hotel Baccarat, em Midtown Manhattan, costumavam lançar um brilho dourado e acolhedor sobre a elite que passava pelas portas do lugar.

Numa noite gelada de terça-feira, em novembro, porém, o clima no saguão parecia ter caído dez graus.

Anna estava atrás do balcão de concierge, ajeitando as lapelas do blazer preto impecável. Aos 26 anos, era a chefe de relações com hóspedes mais jovem que o hotel já tinha empregado.

Ela tinha aprendido a ler pessoas muito antes de entrar na hotelaria.

Seus instintos tinham se formado numa infância sobrevivendo às ruas turbulentas de Palermo, antes de a mãe fugir com ela pros Estados Unidos. Anna sabia sorrir enquanto dizia não a um bilionário. Sabia acalmar realezas menores e desarmar ataques de fúria de executivos de Wall Street.

Mas o homem que atravessou as portas giratórias não era nenhum executivo de Wall Street.

Ele se movia com o tipo de autoridade absoluta que fazia o saguão lotado se abrir ao redor dele.

Um terno cinza-carvão, feito sob medida, vestia perfeitamente o corpo largo e musculoso. Um sobretudo de caxemira cinza-ardósia repousava sobre os ombros. O rosto dele era feito de ângulos duros e olhos escuros e frios, que pareciam menos interessados em observar o ambiente do que em calcular suas fraquezas.

O nome dele era Lorenzo Moretti.

Anna ainda não sabia disso.

Mas cada instinto que ela tinha estava disparando o alarme.

Três homens seguiam Lorenzo. Vestidos pra parecer seguranças particulares, mas se portando mais como executores.

Pararam a alguns passos do balcão de concierge.

Lorenzo continuou em frente.

De perto, ele tinha cheiro de chuva, concreto frio e Tom Ford Tuscan Leather.

Ele não ofereceu cumprimento nenhum.

Em vez disso, colocou um pesado cartão platinum American Express sobre o balcão de mármore.

— Preciso da Cobertura Grand Salon.

A voz dele era baixa e áspera, sem nenhuma tentativa de cordialidade.

— Agora.

Anna deu o sorriso ensaiado e compreensivo que reservava pra hóspedes difíceis.

— Peço desculpas, senhor. A Cobertura Grand Salon está ocupada no momento. Temos a Suíte Harcourt disponível, com uma vista deslumbrante da cidade e…

— Eu não pedi um guia turístico.

Lorenzo interrompeu sem erguer a voz.

— Eu pedi a cobertura.

Os olhos dele continuaram nos dela.

— Avisa quem estiver lá que tem dez minutos pra fazer as malas antes que meus homens façam isso por eles.

O sorriso de Anna endureceu.

Ela olhou pro nome impresso no cartão.

L. Moretti.

O sobrenome despertou algo vago e desagradável no fundo da memória dela, um sussurro da infância, mas ela empurrou aquilo pra longe.

— Sr. Moretti, o hóspede atual é um diplomata de destaque. Eu não posso, e não vou, expulsar um hóspede. A Suíte Harcourt é o melhor quarto que temos disponível.

Lorenzo se inclinou pra frente e colocou as duas mãos no balcão de mármore.

A intimidação física foi imediata.

Vários hóspedes por perto de repente encontraram motivos pra se mover em direção aos elevadores.

— Deixa eu te explicar como isso funciona.

Os olhos dele travaram nos de Anna.

— Eu tenho uma reunião muito específica daqui a exatamente uma hora. Essa reunião precisa do acesso ao elevador privado que só a cobertura tem.

Ele se inclinou mais perto.

— Então você vai pegar esse telefone, e vai liberar o quarto.

Anna encarou de volta.

Ela estava exausta.

Já tinha trabalhado um turno de quatorze horas lidando com gente que achava que dinheiro isentava de qualquer limite comum.

Sua paciência finalmente se esgotou.

Por só um segundo, ela desviou o olhar e baixou os olhos pro teclado.

Depois, baixinho, resmungou num napolitano rápido e áspero, de rua, um dialeto que ela tinha certeza de que um predador corporativo americano jamais entenderia.

— Mais um pavão inchado achando que pode comprar o sol. Adoraria ver ele se afogar no próprio ego.

Anna respirou fundo.

Recompôs a expressão.

Depois ergueu os olhos, pronta pra dar mais uma recusa educada em inglês.

Lorenzo não estava mais irritado.

A impaciência tinha sumido do rosto dele.

Em seu lugar, uma quietude tão completa que o silêncio entre os dois pareceu ganhar peso.

Um dos homens dele se mexeu levemente.

Lorenzo inclinou a cabeça.

Os olhos dele passearam por Anna como se a estivesse vendo de verdade pela primeira vez.

Então um sorriso apareceu.

Não caloroso.

Mais parecido com o fio de uma lâmina.

Ele se inclinou mais perto, até Anna sentir o calor do corpo dele.

Quando respondeu, não falou em inglês.

Usou o mesmo napolitano fluente e afiado que ela tinha acabado de usar.

— Pavões geralmente precisam se preocupar com lobos, passarinho. Não com o sol.

Anna gelou.

A respiração dela travou.

Os olhos se arregalaram quando o reconhecimento finalmente chegou.

Moretti.

Não era executivo nenhum.

A família Moretti.

Um dos poderes mais violentos e inabaláveis do submundo moderno de Nova York, com raízes profundas e sangrentas na Campânia.

Antes que Anna pudesse se desculpar, o gerente geral do hotel, Sr. Davis, saiu correndo do escritório dos fundos.

Estava pálido, quase sem fôlego.

Claramente tinha visto Lorenzo pelas câmeras de segurança.

— Sr. Moretti, minhas mais profundas desculpas. Eu não sabia que o senhor chegaria hoje à noite. Vamos liberar a cobertura imediatamente.

Ele olhou pra Anna.

— Sinto muito se minha concierge não foi prestativa.

Lorenzo nem olhou pra ele.

A atenção dele continuava em Anna.

— O quarto não é mais necessário, Davis.

Sr. Davis piscou.

— Não é?

— Não.

Lorenzo se endireitou e abotoou o botão central do terno Brioni.

Depois apontou um dedo, coberto por luva de couro, na direção de Anna.

— Cancela o turno dela.

O tom dele não deixava espaço pra discussão.

— Traz o casaco dela.

Uma pausa.

— Ela trabalha pra mim agora.

Sr. Davis deu um passo à frente.

— Sr. Moretti, espera. O senhor não pode simplesmente…

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