Chapter 2
O silêncio que tomou conta da mansão depois que os SUVs pararam era diferente de qualquer coisa que Kyle já tinha sentido em sua vida inteira de arrogância cultivada.
A porta da frente se abriu antes mesmo que alguém tocasse a campainha.
Victor Calder entrou como um homem que nunca precisou anunciar sua chegada — a presença dele já fazia isso sozinha. Terno impecável, cabelos grisalhos penteados com precisão militar, olhos da mesma cor gelada que os da filha, mas sem nenhuma fragilidade escondida atrás deles.
Atrás dele, o investigador federal — um homem magro, de meia-idade, pasta de couro debaixo do braço — seguia em silêncio, como quem já sabia que aquela cena não precisava de palavras suas ainda.
— Papai — Isabella sussurrou, a voz embargada pela primeira vez desde que tudo tinha começado.
Victor não olhou para ela imediatamente. Seus olhos foram direto para Kyle, parado ao lado da cadeira em que tinha desabado, o rosto branco como o mármore do chão.
— Você bateu na minha filha — Victor disse, a voz baixa, quase gentil, o que tornava tudo mais aterrorizante.
Kyle abriu a boca, fechou de novo. Nenhum som saiu.
— Sr. Calder — o investigador federal interveio, dando um passo à frente e abrindo a pasta. — Meu nome é Agente Daniel Reyes. Tenho aqui provas de que o senhor Whitmore pagou cento e oitenta mil dólares nos últimos seis meses para suprimir uma investigação sobre desvio de fundos da Whitmore Holdings.
O rosto de Kyle ficou ainda mais pálido, se é que isso era possível.
— Isso é… isso é uma armação — ele gaguejou.
— Não é — Reyes respondeu, sem alterar o tom. — E, coincidentemente, o senhor Calder aqui presente é quem financiava minha investigação por baixo dos panos, esperando o momento certo para revelar tudo. Hoje parece ter sido esse momento.
Thalia, que até então tinha se encolhido perto da escada, deu um passo para trás, os olhos correndo entre Kyle e Victor como quem calcula rota de fuga.
— Eu não tenho nada a ver com isso — ela disse rapidamente. — Eu só… eu só estava aqui…
— Você estava aqui sorrindo enquanto minha filha sangrava no chão — Victor disse, sem sequer olhar para ela, o que doeu mais do que se ele tivesse gritado.
Isabella se levantou completamente agora, apoiando-se no corrimão, a dor no corpo competindo com uma sensação estranha e nova: poder.
— Papai — ela disse. — Eu quero que ele perca tudo. Não só o dinheiro.
Victor finalmente se virou para ela, e pela primeira vez em toda a cena, algo suavizou no rosto dele.
— Já está em andamento, Bella. — Ele tocou o rosto dela de leve, avaliando o hematoma que começava a aparecer na maçã do rosto. — Isso aqui, porém, eu quero fotografado. Documentado. Vamos precisar disso.
Kyle finalmente encontrou a voz.
— Victor, podemos conversar sobre isso como homens de negócio—
— Você não é mais um homem de negócio — Victor cortou, friamente. — Às sete da manhã de amanhã, você vai ser apenas um nome em processo judicial. Suas ações na bolsa já estão despencando. Em uma hora, isso vai estar em todos os noticiários financeiros do país.
Do lado de fora, mais luzes de faróis cortavam a escuridão da propriedade — carros chegando, alguns com logotipos de emissoras de notícia já visíveis.
Kyle olhou pela janela, o pânico finalmente estampado no rosto.
— Você chamou a imprensa?
— Eu não precisei chamar ninguém — Victor respondeu, com o mínimo de satisfação na voz. — Notícias como essa se espalham sozinhas quando o dinheiro certo para de circular nos lugares certos.
Thalia, esquecida no canto, colocou a mão sobre a barriga de novo, como se aquilo ainda fosse um trunfo.
— E o bebê? — ela perguntou, a voz fina. — O que vai ser do meu filho?
Isabella olhou para ela com uma calma que surpreendeu a si mesma.
— Isso, Thalia, é uma pergunta muito interessante. Porque, na verdade, tem uma coisa que você não sabe que eu sei.
