Chapter 3
Duas semanas depois, sentada sozinha no banheiro da minha própria casa pela segunda vez naquele mês, olhei para o teste de gravidez em cima da pia.
Positivo.
As mãos tremiam tanto que quase deixei cair o teste dentro da privada.
Eu estava mesmo grávida.
E, dessa vez, eu sabia, com uma clareza que doía, que não podia deixar aquela criança crescer no mesmo tipo de casa que tinha me transformado em quase nada ao longo de dez anos.
Guardei o teste no fundo da bolsa e desci as escadas, encontrando Conrad na sala, já com o segundo copo de uísque da noite na mão.
— Precisamos conversar — falei, a voz mais firme do que eu esperava conseguir manter.
— Sobre o quê?
— Eu estou grávida.
Ele ficou em silêncio por um momento longo demais, os olhos avaliando aquela informação como quem avalia um relatório financeiro inesperado.
— Tem certeza que é meu?
A pergunta me atingiu como um tapa.
— Como você ousa perguntar isso?
— Winnie, você anda estranha há semanas. Chegando tarde, saindo sem avisar direito. Eu tenho todo direito de perguntar.
— Eu nunca te traí, Conrad. Nem uma vez, em dez anos.
Ele deu de ombros, tomando outro gole do uísque.
— Bom, se for meu mesmo, dessa vez você vai fazer certo. Repouso completo, os melhores médicos, nada de estresse. Não posso ter outra decepção como da última vez.
Aquela frase — outra decepção — carregava tanto desprezo que eu senti o estômago revirar.
— Eu não fui uma decepção, Conrad. Eu perdi um bebê. Isso aconteceu comigo, não por mim.
— Como quiser chamar.
Foi naquele momento, olhando para aquele homem que eu tinha amado um dia, que finalmente algo dentro de mim se quebrou de vez — não de tristeza, mas de clareza absoluta.
— Eu quero o divórcio.
O copo dele parou no ar, a meio caminho da boca.
— Você não está falando sério.
— Estou. Mais séria do que já estive em anos.
— Winnie, pense direito. Você não tem carreira própria há dez anos. Não tem dinheiro próprio. Sem mim, você não é nada.
— Sem você, eu finalmente vou descobrir quem eu realmente sou.
Ele se levantou, e pela primeira vez em muito tempo, vi verdadeiro medo passar pelos olhos dele — não medo de me perder, mas medo do que eu poderia saber, do que eu poderia revelar.
— Se você tentar me deixar, Winnie, eu vou garantir que você não tenha absolutamente nada. Nem a custódia dessa criança, se é que existe mesmo.
— Você está me ameaçando?
— Estou sendo realista. Meus advogados são melhores que qualquer coisa que você poderia pagar. Minhas conexões alcançam juízes que decidiriam a seu favor apenas se eu permitisse.
Foi então que lembrei das palavras de Luca na varanda, semanas atrás.
Se algum dia você precisar de ajuda, de qualquer tipo, meu número está guardado no seu celular agora.
Subi para o quarto, tranquei a porta, e com as mãos tremendo, encontrei o contato salvo simplesmente como “L.M.”
Demorei três tentativas para conseguir digitar a mensagem sem que as lágrimas borrassem completamente a tela do celular.
“Você disse que eu poderia pedir ajuda. Eu preciso agora.”
A resposta veio em menos de um minuto.
“Onde você está? Vou mandar alguém buscar você essa noite.”
