Chapter 4
Vinte minutos depois, um carro preto parou silenciosamente na rua atrás da nossa mansão, longe o suficiente para não chamar atenção das câmeras de segurança que Conrad tinha instalado em toda parte.
Desci pela escada de serviço, uma pequena mala já preparada havia dias, escondida atrás de caixas antigas no closet de hóspedes — um plano de fuga que eu nunca tinha coragem de executar, até aquela noite.
O motorista, um homem de meia-idade com um sotaque italiano suave, abriu a porta sem fazer perguntas.
— A senhora Moretti está esperando a senhora — ele disse, e só depois percebi que ele tinha se enganado no sobrenome, ou talvez soubesse de algo que eu ainda não sabia.
Chegamos a um prédio elegante no Upper East Side, e Luca estava esperando no saguão, o rosto tenso de preocupação genuína.
— Você está bem? — ele perguntou, assim que me viu.
— Estou. Só… assustada.
— Ele te machucou?
— Não fisicamente. Mas ameaçou tirar a custódia da criança, ameaçou me deixar sem nada.
Luca me guiou até um elevador privado, o cotovelo dele oferecendo um apoio silencioso que eu aceitei sem hesitar.
— Isso não vai acontecer — ele disse, a voz carregada de uma certeza que eu queria desesperadamente acreditar.
— Como você pode prometer isso? Os advogados dele são os melhores da cidade.
— Os advogados dele respondem a juízes. E os juízes, Winnie, respondem a influências que vão muito além do dinheiro que Conrad tem.
— Você está dizendo que vai manipular o sistema pra me ajudar?
— Estou dizendo que vou garantir que a justiça, dessa vez, funcione do jeito que deveria funcionar sempre — protegendo quem realmente precisa, não quem tem mais dinheiro para comprar silêncio.
No apartamento dele, espaçoso e surpreendentemente aconchegante para alguém do mundo que ele habitava, Luca me ofereceu chá, evitando qualquer coisa mais forte, claramente lembrando da gravidez sem que eu precisasse mencionar de novo.
— Preciso te contar uma coisa — ele disse, sentando-se ao meu lado, mas mantendo distância respeitosa. — Sobre a investigação que mencionei na gala.
— O que você descobriu?
— Conrad tem desviado fundos da própria fundação beneficente há anos. Dinheiro que deveria ir para programas de habitação para famílias de baixa renda está sendo lavado através de contratos fictícios, e uma parte considerável termina nas contas pessoais dele.
Senti a raiva substituir gradualmente o medo que tinha me acompanhado a noite inteira.
— Você tem provas?
— Tenho o suficiente para começar. Mas para uma condenação completa, preciso de acesso a certos documentos que só existem dentro da casa de vocês. Registros financeiros pessoais, e-mails, contratos que ele guarda no cofre do escritório.
— Você quer que eu roube provas contra meu próprio marido?
— Quero que você tenha a chance de proteger seu filho, e a si mesma, de um homem que vai usar qualquer recurso disponível para destruir sua credibilidade num tribunal. Se conseguirmos provar a fraude dele, o divórcio, a custódia, tudo fica infinitamente mais simples.
Fiquei em silêncio, considerando o peso daquela decisão, sabendo que, uma vez que eu cruzasse aquela linha, não haveria mais volta possível.
— Se eu fizer isso, e ele descobrir antes de tudo ficar protegido…
— Ele não vai descobrir. Eu vou garantir pessoalmente sua segurança durante todo o processo.
— Por que você está fazendo tanto por mim, Luca? Você mal me conhece.
Ele ficou em silêncio por um momento, os olhos carregados de algo que eu ainda não conseguia nomear completamente.
— Porque, há anos, minha própria irmã esteve numa situação parecida com a sua. E eu não estava por perto, na época, para ajudar do jeito que poderia ter ajudado. Não vou cometer o mesmo erro duas vezes.
Antes que eu pudesse perguntar mais sobre aquilo, o celular dele vibrou, e o rosto dele ficou tenso ao ler a mensagem.
— O que foi?
— Conrad percebeu que você sumiu. E, pelo que meu contato na polícia acabou de informar, ele já está preenchendo um boletim de desaparecimento, alegando que você foi sequestrada.
