Na noite em que voltei para casa mais cedo de uma viagem de negócios, eu esperava fazer uma surpresa para minha esposa grávida.

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Chapter 2

Não perdi mais um segundo.

Peguei o celular e liguei para a emergência, minhas mãos tremendo tanto que quase deixei o aparelho cair duas vezes.

— Preciso de uma ambulância agora. Minha esposa está grávida, sangrando, e parece estar em trabalho de parto prematuro.

Enquanto esperava, me ajoelhei ao lado de Lily, tirando com cuidado os cacos de vidro de perto do corpo dela.

— Fica comigo, amor. A ajuda já está vindo.

— Adam — ela sussurrou, a voz fraca. — Eu tentei ligar pra você. Meu celular… ela quebrou meu celular.

Olhei ao redor e vi, pela primeira vez, os pedaços do celular dela espalhados perto da cômoda, a tela completamente estilhaçada.

— Quem era o médico, Lily? Você sabe o nome dele?

Ela balançou a cabeça, fraca.

— Não. Sua mãe disse que ele ia “cuidar do problema”. Eu não entendi na hora. Achei que fosse um médico de verdade, alguém preocupado comigo.

— E depois?

— Ele tentou me dar uma injeção. Eu perguntei o que era, e ele não respondeu direito. Foi aí que eu entrei em pânico e tentei correr.

Senti o estômago revirar.

— Ele te machucou?

— Eu tropecei tentando fugir, derrubei o porta-retrato, caí em cima do vidro. Sua mãe só ficou observando, Adam. Ela não tentou me ajudar nem uma vez.

As sirenes começaram a soar lá fora, cada vez mais próximas.

— O que ela disse, exatamente? — perguntei, precisando entender, mesmo sabendo que aquele não era o melhor momento.

Lily fechou os olhos, tentando se lembrar através da dor.

— Ela disse que esse bebê nunca devia ter existido. Que eu tinha “estragado os planos dela”. E que, se eu contasse pra você, ninguém ia acreditar numa grávida histérica contra a palavra da própria mãe.

Os paramédicos chegaram minutos depois, e tudo virou um turbilhão de vozes, macas, luzes de emergência.

No hospital, enquanto os médicos examinavam Lily e monitoravam os batimentos do bebê, fiquei sentado na sala de espera, sentindo uma raiva que eu nunca tinha experimentado antes crescer dentro de mim, misturada com uma culpa que ameaçava me sufocar.

Eu tinha ficado parado.

Sessenta segundos, desconfiando da minha própria esposa, enquanto minha mãe colocava em risco a vida dela e do meu filho.

Uma enfermeira finalmente se aproximou.

— Senhor Carter, sua esposa e o bebê estão estáveis. Conseguimos controlar o sangramento a tempo. Ela vai precisar ficar em observação, mas os dois vão ficar bem.

Senti as pernas cederem de alívio.

— Posso vê-la?

— Pode, mas ela precisa descansar.

Entrei no quarto devagar, encontrando Lily pálida, mas consciente, uma das mãos protegendo a barriga instintivamente.

— Ei — falei, sentando na beira da cama, pegando a mão dela com cuidado. — Eu sinto muito. Por ter hesitado. Por ter deixado a voz da minha mãe entrar na minha cabeça daquele jeito.

— Você a chamou? — perguntou Lily, um resquício de medo ainda na voz.

— Não. E não vou. Não até entender exatamente o que ela estava tentando fazer.

Lily apertou minha mão com a força que ainda tinha.

— Adam, tem mais uma coisa que eu preciso te contar. Uma coisa que o médico disse antes de eu conseguir fugir dele.

— O quê?

Ela hesitou, os olhos se enchendo de lágrimas novamente.

— Ele disse “se ela perder esse bebê, o Sr. Carter nunca vai saber a verdade sobre o testamento do pai dele.”

As palavras caíram sobre mim como um balde de água gelada.

— O testamento do meu pai?

Meu pai tinha morrido dois anos antes, deixando uma fortuna considerável, dividida, segundo minha mãe sempre me disse, igualmente entre ela e eu.

Mas, pela primeira vez, uma dúvida terrível começou a se formar na minha mente: e se aquilo nunca tivesse sido verdade?

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