“Ninguém toca nela na minha casa”, avisou o chefe da máfia ao mordomo — mas o que aconteceu depois chocou todo mundo

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Chapter 1

“Ninguém toca nela na minha casa”, avisou o chefe da máfia ao mordomo — mas o que aconteceu depois chocou todo mundo

O frio chegou primeiro nas mãos dela, depois no peito, e quando uma sombra se formou no topo da escada atrás dela, Corrie Hayes já tinha parado de ouvir o próprio coração batendo. Ela estava ajoelhada no patamar do terceiro andar da Mansão Hallowmere, um pano molhado escorrendo entre os dedos, passava das onze da noite, e ela já vinha esfregando a mesma fresta de madeira havia tanto tempo que o veio da madeira começava a nadar diante dos olhos dela. Em algum lugar acima, uma porta abriu e fechou, suave como uma respiração contida, e ela entendeu — com a calma que só vem quando fugir deixa de ser opção — que quem quer que estivesse descendo aquela escada sabia exatamente onde encontrá-la. Quatro meses de noites tinham levado até aquele momento.

Os passos pararam. Não era um som que ela conseguisse nomear, só a ausência repentina de barulho, do jeito que um cômodo fica quieto quando alguém chega para escutar. Depois uma mão encontrou o ombro dela, deslizou até a cintura, e a puxou para trás, contra um corpo que se aproximou perto demais do ouvido dela. A voz que saiu dali era educada do mesmo jeito que o hall de entrada era elegante, suave como creme derramado.

— De pé, Srta. Hayes. O chão pode esperar até de manhã.

Ela não se moveu. Tinha aprendido, em quatro meses debaixo daquele teto, que a única resposta segura para Everett Whitlock era nenhuma resposta. As mãos dela continuaram enroladas no pano, e dentro da cabeça ela repetia a velha conta, a soma que já nem precisava mais pensar para fazer. A certidão de nascimento de Lily. O cartão de identificação de Lily. Os papéis de guarda médica. Tudo guardado na gaveta direita da mesa do escritório de Whitlock — três folhas de papel que separavam a filha dela de qualquer hospital de Rhode Island. Sem eles, ela não podia assinar nada, aprovar nada, não era nada além de uma mãe de mãos vazias. Então ela ficou onde estava, do jeito que tinha ficado toda noite durante quatro meses, enquanto os dedos dele apertavam o quadril dela e a escada segurava a respiração.

Do corredor de cima veio um passo tão fraco que deveria ter se perdido na escuridão — a menos que o homem que o deu quisesse ser ouvido. Corrie olhou para cima. Domenico Moretti estava parado no topo da escada, ainda de casaco, como se tivesse interrompido um trajeto só para ficar exatamente ali. Ele não gritou. Não desceu. Só olhou para o lugar onde a mão de Whitlock descansava sobre ela, e a mão se afastou como se tivesse tocado um fio elétrico ligado.

Ninguém na escada se moveu. O pano continuava pingando, uma gota, depois outra, espalhando uma mancha escura pelo degrau. Whitlock deu meio passo para trás e começou a falar, o tom nivelado como uma linha de contabilidade, explicando que a Srta. Hayes estava terminando uma tarefa extra designada a ela e que ele só tinha passado por ali, por acaso, para checar o andamento do trabalho. Soava razoável. Soava como um homem que não tinha feito absolutamente nada.

O homem no topo da escada não respondeu nada. Olhou para baixo, para Corrie, e quando finalmente falou, a voz saiu tão gentil que se acomodou sobre ela como um cobertor cujo calor ela já tinha esquecido como era.

— Desce para a cozinha.

Ela se levantou. Os joelhos tinham travado de tanto tempo ajoelhada, e ela precisou se segurar no corrimão por um instante antes que as pernas lembrassem como funcionar. Desceu sem olhar para trás, o pano ainda na mão porque ela tinha esquecido de largar, contando os degraus — vinte e três até o patamar do segundo andar — quando a porta do escritório se abriu e se fechou atrás dela. Não bateu com força. Só se encaixou no batente, limpa como uma moeda caindo sobre veludo.

Atrás dela, bem baixinho, ela ouviu a voz do Sr. Moretti de novo, mais baixa do que antes, e ela não precisava ver o rosto dele para saber o quanto aquilo cortava.

— Você não toca na equipe daqui — ele disse. — Nem nessa casa. Nunca.

Ela entrou na cozinha, e Rosa Delgado estava no fogão, de costas para a porta, picando cebola num ritmo que não tinha mudado em vinte anos. Não perguntou por que Corrie tinha descido às onze da noite com um pano de chão apertado na mão. Só empurrou um banquinho com a ponta do sapato, e Corrie sentou.

Acima das cabeças delas, através do teto e das portas duplas, veio o som de uma cadeira caindo.

A cabeça de Corrie disparou para cima. Rosa não ergueu a dela.

— Não olha para o teto — Rosa disse, baixo e firme, quase se perdendo por baixo do barulho da faca. — Não vai ajudar em nada.

Um gemido curto e sufocado se seguiu — o som que um homem faz quando perde o equilíbrio e ainda não se recuperou dele. Depois, nada. Sem gritos, sem um segundo golpe, sem passos, absolutamente nada. E o silêncio se estendeu tanto que Corrie começou a ouvir o zumbido da geladeira, o vento trabalhando no batente da janela, e o som da própria respiração — e mesmo assim, por muito tempo, ninguém desceu aquela escada.

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