Chefe da máfia flagra a noiva agredindo uma garçonete pobre — mas a reação dele muda tudo

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Chapter 1

Chefe da máfia flagra a noiva agredindo uma garçonete pobre — mas a reação dele muda tudo

O armazém ficava encostado na margem do rio, na zona oeste da cidade, onde o cheiro de concreto úmido grudava nas paredes como algo que nunca tinha aprendido a ir embora. Lá dentro, debaixo de uma única lâmpada pendurada no teto, dois homens estavam sentados frente a frente numa mesa de metal dobrável.

Um deles era Warren Pike, dono de uma empresa de materiais de construção que já tinha feito negócios com a família Santoro havia várias temporadas. O outro sentava sempre com as costas na parede — do jeito que fazia em qualquer sala que entrava — e, antes mesmo de se sentar, já tinha contado três saídas sem que ninguém percebesse que ele estava contando.

Rafael Santoro não falou primeiro. Só colocou três coisas sobre a mesa, uma depois da outra, devagar, como um homem arrumando a mesa de jantar.

A primeira era uma pilha de fotografias — blocos de concreto mais claros do que deveriam ser, tiradas num canteiro de obras na zona sul.

A segunda era um contrato, já aberto na última página.

A terceira era a própria caneta dele — uma caneta de aço preta, gasta de tanto uso — deitada na horizontal sobre a mesa, com a ponta virada na direção de Pike.

O outro homem olhou para as fotografias, e a pele do pescoço dele começou a ficar vermelha por baixo do colarinho.

Rafe disse três frases. Só isso. Disse que um prédio de cinco andares estava sendo erguido com os materiais mostrados naquelas fotos. Disse que quarenta famílias iam se mudar para aquele prédio antes do inverno chegar. Depois disse que o Sr. Pike assinaria a última página, pagaria do próprio bolso para reconstruir toda a fundação, e nunca mais receberia outro contrato naquela cidade.

Ele não levantou a voz nem uma vez. Não bateu na mesa. Não ameaçou ninguém com nada específico.

E era exatamente isso que tornava aquilo assustador.

Porque, quando um homem não precisa dizer quais serão as consequências, é porque os dois lados já sabem exatamente quais são.

Warren Pike pegou a caneta e deixou cair. Pegou de novo e deixou cair pela segunda vez. Nas duas vezes, Rafe se abaixou, pegou a caneta, limpou a ponta no próprio lenço, e devolveu com as duas mãos — tão educadamente quanto um garçom servindo um cliente conhecido.

Na terceira tentativa, Pike conseguiu assinar.

Abel Ferraro dirigia no caminho de volta. Trabalhava para a família desde a época em que o pai de Rafe ainda era vivo, e era o único homem com permissão para dizer as coisas que mais ninguém tinha permissão de dizer.

Perguntou se Rafe já tinha escolhido a música de abertura da recepção do casamento, porque a Srta. Whitlock tinha perguntado a ele sobre isso três vezes numa única semana.

Rafe olhou pela janela, onde o lago se estendia debaixo de um céu cor de chumbo, e disse que deixaria ela escolher. Ela era melhor nesse tipo de coisa do que ele.

Abel ficou quieto por um tempo. Depois disse que o Sr. Pike ia guardar rancor dele pelo resto da vida.

Rafe respondeu que Pike tinha todo o direito de guardar rancor, contanto que aquelas quarenta famílias pudessem dormir em segurança à noite.

Depois acrescentou mais uma frase, dessa vez mais devagar, como quem repete algo decorado havia muito tempo. Disse que existia só uma regra naquela casa que ele nunca negociaria — que ninguém tinha permissão de bater em quem não podia revidar, e quem fizesse isso deixaria de trabalhar para ele imediatamente.

Abel assentiu. Já tinha ouvido aquelas palavras tantas vezes que sabia de cor cada pausa entre elas.

E, como todo mundo na organização, acreditava que aquela regra estava sendo cumprida à risca.

Na tarde seguinte, Rafe estava no escritório dele no quadragésimo sétimo andar, aprovando a folha de pagamento mensal do restaurante. Os olhos dele passaram pela coluna que mostrava o total de gorjetas distribuídas naquele período, e ele parou por meio segundo porque o valor estava um pouco mais baixo do que no período anterior.

Depois pensou que a temporada estava mais fraca, e assinou.

Naquela noite, atravessou a área do bar a caminho do elevador particular e quase esbarrou numa garçonete que vinha na direção contrária, carregando uma bandeja. Ela deu um passo para trás, baixou a cabeça e pediu desculpas. E, enquanto se afastava, deslizou rapidamente a mão esquerda para trás das costas, num movimento tão treinado e preciso que já tinha virado puro reflexo.

Rafe assentiu em resposta e continuou andando. Não olhou para aquela mão.

Quando chegou ao elevador, uma mulher mais velha, de uniforme de chefe de garçons, se colocou no caminho dele, chamando seu nome. Bernadete Kowalski. Trabalhava naquele prédio havia mais tempo do que a maioria da equipe de cozinha estava na profissão. Disse que precisava falar com ele sobre uma coisa.

Nesse exato momento, o celular no bolso do casaco dele começou a vibrar.

Rafe levantou uma mão, pedindo desculpas, antes de entrar no elevador, levando o celular ao ouvido enquanto as portas se fechavam entre eles. Bernadete ficou parada ali por mais um instante, ainda segurando com força o pano de serviço na mão.

Depois se virou e voltou para dentro.

A garçonete que Rafael Santoro quase tinha esbarrado perto do elevador se chamava Marin Hollis. E, naquela noite, foi a última pessoa a sair do prédio.

O turno dela terminou depois que as luzes da cozinha já tinham apagado, depois que as últimas toalhas de mesa já tinham sido recolhidas nos cestos de lavanderia, depois que a cidade do outro lado do vidro tinha virado só uma grade de luzes âmbar se espalhando em direção ao lago. Ela trocou o uniforme na sala dos funcionários, sentou no banco de madeira prensada, e fez o que fazia toda noite antes de ir para casa.

Tirou os sapatos pretos de couro e pressionou os dedos contra a sola dos pés até o sangue voltar a circular.

Dentro daqueles sapatos havia duas camadas de palmilha — o par original e outra camada que ela mesma tinha cortado de uma almofada comprada na farmácia. Porque ficar dezesseis horas por dia em pé era algo que nenhum sapato do mundo tinha sido feito para aguentar.

Tirou as luvas de serviço por último, dobrou em quadrado, e guardou no bolso do casaco. As luvas dela eram um tamanho mais grossas que as de todo mundo na equipe. Uma vez, quando uma garota nova perguntou o motivo, Marin só respondeu que as mãos dela ficavam mais frias que as da maioria das pessoas, e mudou de assunto tão rápido que a garota nunca teve chance de perguntar mais nada.

O carro dela estava estacionado no terceiro subsolo — um sedã prateado com quilometragem demais no painel. A porta do passageiro só abria por dentro. Ela se acomodou atrás do volante, mas não ligou o motor na hora. Acendeu a luz interna, tirou do bolso as notas pequenas, alisou cada uma sobre a coxa, e começou a contar.

No banco do passageiro estavam três envelopes de papel pardo, todos amaciados de tanto uso. Cada um tinha uma palavra escrita à mão, em caneta esferográfica, no canto superior. O primeiro dizia aluguel. O segundo dizia contas. O terceiro não tinha nada escrito — só um pontinho num dos cantos — e era esse o envelope que ela enchia por último, e com mais cuidado.

Naquela noite, o terceiro envelope recebeu menos do que ela esperava.

Ficou parada por um bom tempo, as mãos apoiadas no volante, antes de finalmente arrancar o carro.

O chaveiro na ignição tinha três chaves e um pedacinho de metal — uma placa de latão tão gasta que as letras gravadas só apareciam quando a luz batia num ângulo certo.

Ele balançava suavemente com o movimento do carro, o caminho inteiro rumo ao sul.

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