Chapter 4
Marcus Kane.
O nome passou a assombrar cada canto daquela casa depois daquela noite.
Adrian intensificou a segurança, dobrou o número de homens ao redor da propriedade, e passou a evitar sair sozinho para qualquer compromisso.
Eu, por outro lado, comecei a sentir o peso da gravidez avançando mais rápido do que eu esperava, o corpo mudando, os enjoos dando lugar a uma exaustão constante que me deixava presa naquela casa a maior parte do tempo.
Numa manhã, durante um exame de rotina, o médico particular franziu a testa olhando para os resultados.
— O que foi? — perguntei, o medo automático já se instalando.
— Pressão um pouco elevada — ele disse. — Nada alarmante ainda, mas em uma gestação de trigêmeos, precisamos monitorar de perto. Estresse pode agravar rapidamente.
Adrian, que tinha insistido em acompanhar aquela consulta, ficou visivelmente tenso.
— Que tipo de estresse pode agravar isso? — ele perguntou.
— Situações de ameaça, insegurança, ansiedade constante — o médico respondeu, olhando entre nós dois de um jeito que deixava claro que ele sabia mais sobre nossa situação do que dizia em voz alta.
Depois que ele saiu, Adrian ficou parado no meio do quarto, os punhos cerrados.
— Isso é minha culpa.
— Não é culpa de ninguém — falei, tentando acalmá-lo, apesar do próprio medo. — É a realidade da situação em que estamos.
— Eu prometi te proteger, não te colocar numa posição pior do que a de antes.
— Você não me colocou aqui, Adrian. Marcus Kane colocou, no momento em que decidiu matar seu irmão.
Ele se aproximou, sentando ao meu lado na cama, as mãos entrelaçando as minhas com um cuidado que eu não esperava de alguém com a reputação dele.
— Eu vou resolver isso — ele disse, a voz baixa, quase um juramento. — De um jeito ou de outro.
Naquela mesma noite, recebi uma visita inesperada.
Sophia entrou no meu quarto quase correndo, o rosto pálido.
— Lena, precisa vir comigo agora.
— O que está acontecendo?
— Alguém invadiu o sistema de segurança da propriedade. Adrian está lá embaixo com os homens dele tentando entender o que aconteceu.
Descemos juntas, meu coração acelerado, cada passo pesando mais do que o anterior.
Na sala principal, Adrian discutia em voz baixa mas urgente com um dos seus seguranças, uma tela mostrando imagens de câmeras espalhadas pela propriedade.
— O que houve? — perguntei, tentando entender pelas imagens confusas na tela.
Adrian se virou para mim, a expressão sombria.
— Kane sabe que você está aqui.
Senti o chão sumir sob meus pés.
— Como?
— Uma falha na segurança. Alguém de dentro, possivelmente, ou uma brecha que não detectamos a tempo. De qualquer forma, ele mandou uma mensagem.
Ele me entregou o celular, a tela mostrando uma foto anexada a uma mensagem curta e gelada.
A foto era da entrada da clínica em Baltimore, tirada no exato dia em que tudo começou.
A mensagem dizia apenas: “Sei exatamente o que ela carrega. E sei exatamente quanto isso vale.”
Minhas mãos tremeram segurando o celular.
— O que isso significa? — perguntei, embora já suspeitasse da resposta.
— Significa que ele não vai negociar como um homem razoável — Adrian respondeu. — Significa que ele vai tentar pegar você, ou as crianças, antes que possamos impedir.
— Então o que fazemos agora?
Adrian trocou um olhar rápido com Sophia, algo silencioso passando entre os dois irmãos.
— Agora — ele disse, se virando para mim com uma determinação que eu nunca tinha visto tão intensa — nós paramos de reagir e começamos a atacar primeiro.
