No dia em que entrei numa clínica de saúde da mulher em Baltimore planejando interromper minha gravidez, três pequenos batimentos de coração transformaram minha decisão num segredo perigoso

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Chapter 5

O plano de Adrian era arriscado o suficiente para me deixar sem dormir a noite inteira antes de ser executado.

A ideia era simples na teoria: usar informações que a própria família Vale tinha guardado por anos sobre as operações ilegais de Marcus Kane, expor tudo publicamente através de contatos na imprensa e nas autoridades certas, tirando dele qualquer proteção que sua influência ainda garantisse.

— Isso vai deixá-lo desesperado — Sophia comentou, durante uma reunião tensa na sala principal. — Homens desesperados fazem coisas imprevisíveis.

— Eu sei — Adrian respondeu, sem hesitar. — Por isso vamos precisar mover Lena para um local seguro antes de qualquer coisa vazar.

— Vocês estão falando de mim como se eu não estivesse na sala — interrompi, cansada de ser tratada como uma peça a ser movida no tabuleiro deles.

Adrian se virou para mim, a expressão suavizando.

— Você tem razão. Desculpa.

— Eu quero saber exatamente o que vocês estão planejando, e quero opinar sobre onde eu e meus filhos vamos ficar.

Ele assentiu, e pela primeira vez desde que eu tinha chegado àquela casa, me incluiu de verdade na conversa, explicando cada detalhe do plano, cada risco envolvido.

Duas noites depois, fui levada para uma casa discreta na costa, longe da cidade, acompanhada apenas por dois seguranças de confiança absoluta e Ines, que insistiu em vir cuidar de mim pessoalmente.

Adrian ficou para trás, coordenando a operação contra Kane pessoalmente.

Os dias que se seguiram foram de silêncio tenso, notícias esparsas chegando através de ligações curtas e criptografadas.

— Está tudo indo conforme planejado — Adrian me garantiu numa dessas ligações, a voz cansada mas firme. — As informações já chegaram aos jornalistas certos. Amanhã, tudo isso deve vir à tona.

— E se ele descobrir onde eu estou antes disso?

— Ele não vai descobrir. Ninguém sabe desse local além de mim, Sophia e os homens que estão com você.

Fiquei quieta por um momento, sentindo os bebês se mexerem levemente pela primeira vez de um jeito perceptível, um lembrete físico de tudo que estava em jogo.

— Adrian — falei, baixinho. — Promete que vai ficar bem?

Houve uma pausa do outro lado da linha, breve, mas suficiente para eu notar.

— Prometo fazer tudo que estiver ao meu alcance para voltar inteiro para você e para eles.

Aquela resposta, cuidadosamente construída para não ser uma mentira nem uma garantia impossível, ficou martelando na minha cabeça pelo resto da noite.

Na manhã seguinte, um barulho estranho me acordou antes do amanhecer.

Vozes abafadas vindas do andar de baixo, passos apressados.

Levantei da cama com dificuldade, o peso da barriga já se fazendo sentir mais do que antes, e me aproximei da porta, o coração disparado.

Ines apareceu no corredor, o rosto tomado de pânico controlado.

— Lena, precisamos ir agora.

— O que está acontecendo?

— Alguém encontrou a casa. Não sabemos como.

O terror que me tomou naquele instante foi diferente de tudo que eu tinha sentido até ali, porque dessa vez não era só sobre mim.

Era sobre três vidas inteiras dependendo de decisões tomadas em segundos.

Descemos por uma escada lateral, os seguranças já posicionados, armas em punho, tensão suficiente no ar para cortar com uma faca.

Do lado de fora, luzes de carros se aproximavam pela estrada de terra que levava até a casa.

— Kane descobriu antes de a notícia sair — um dos seguranças disse, a voz tensa através do rádio. — Ele está vindo pessoalmente.

Ines me puxou para um cômodo interno, longe das janelas, enquanto os homens se posicionavam para o que quer que estivesse prestes a acontecer.

Meu celular vibrou.

Uma mensagem de Adrian: “O que está havendo aí? Responde.”

Digitei rapidamente, as mãos tremendo tanto que quase não consegui acertar as letras: “Kane está aqui. Estamos escondidos.”

A resposta demorou segundos que pareceram uma eternidade.

“Estou a vinte minutos daí. Aguenta firme.”

Vinte minutos.

Vinte minutos que, naquele momento, pareciam a distância entre a vida e tudo que eu tinha aprendido a temer.

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