Chapter 4
Dante voltou ao anoitecer do dia seguinte, mas não sozinho.
Cassius vinha logo atrás dele, escoltado por Marco e Rafael, o rosto pálido e a postura visivelmente derrotada.
Sophia se escondeu atrás de mim instintivamente ao ver o homem que, durante anos, ela tinha chamado de “tio”.
— Sente-se — ordenou Dante, apontando para uma cadeira no meio da sala.
Cassius obedeceu, tentando manter alguma dignidade que já não lhe pertencia mais.
— Dante, podemos conversar sobre isso com calma…
— Você planejou matar minha sobrinha — Dante o cortou, a voz baixa e perigosamente controlada. — Não existe conversa calma depois disso.
O rosto de Cassius perdeu qualquer resquício de cor.
— Eu nunca concordei com isso de verdade. Foi ideia da Bianca e do pai dela. Eu só…
— Você só ajudou a esconder o dinheiro, planejou a movimentação das contas, e ficou calado enquanto discutiam a morte de uma criança de dez anos na sua frente — completei, incapaz de me conter.
Cassius me olhou com desprezo.
— Você não tem direito de falar nada aqui. É só uma funcionária.
— Ela é a mulher que protegeu minha sobrinha quando você devia estar fazendo isso — rebateu Dante, com fúria contida. — E ela agora faz parte dessa família mais do que você jamais fez.
Sophia se aproximou, ainda um pouco atrás de mim, mas com os olhos fixos em Cassius.
— Por que você fez isso comigo, tio Cassius? Eu confiava em você.
Pela primeira vez, algo pareceu quebrar na expressão dele.
— Sophia, eu… — ele começou, mas não conseguiu terminar a frase.
— Você ia deixar eles me matarem — ela completou por ele, a voz tremendo, mas firme.
Cassius abaixou a cabeça, incapaz de encará-la.
Dante colocou as duas gravações sobre a mesa, junto com uma pasta cheia de documentos financeiros.
— Rafael conseguiu rastrear cada centavo que você moveu nos últimos dois anos. Contas na Suíça, propriedades nas Ilhas Cayman, tudo em nome de empresas fantasmas ligadas à família Bianca.
Cassius engoliu em seco, percebendo que não havia mais como negar.
— O que você vai fazer comigo? — perguntou, a voz agora reduzida a um sussurro.
— Isso depende — respondeu Dante, se inclinando sobre a mesa. — Você vai me dar cada nome envolvido nesse esquema, cada detalhe, cada conta. Em troca, talvez eu considere deixar você viver o suficiente para fugir bem longe daqui.
— E se eu recusar?
— Então essas gravações vão parar direto na mesa do FBI, junto com provas suficientes para garantir que você e a família Bianca passem o resto da vida atrás das grades — ou pior, dependendo de quem mais estiver interessado em vocês antes disso.
Cassius olhou ao redor, percebendo que estava completamente encurralado.
— Tudo bem — ele disse, derrotado. — Eu conto tudo.
Nas horas seguintes, Cassius revelou nomes, contas, e o plano completo que Bianca e o pai dela tinham arquitetado havia mais de um ano — desde antes mesmo do noivado ser anunciado publicamente.
Quando terminou, Marco e Rafael o levaram para fora, sob escolta pesada, rumo a um destino que Dante não quis revelar na frente de Sophia.
Sozinhos novamente, Dante se sentou ao lado dela no sofá.
— Está tudo acabando, Sophia. Eu prometo.
— E a Bianca? — perguntei.
— Com essas provas, a família dela não vai ter escolha além de recuar completamente. Se tentarem qualquer retaliação, tudo isso vai parar nas autoridades certas, e eles sabem disso.
Sophia se aconchegou entre nós dois, finalmente parecendo relaxar pela primeira vez em dias.
— Posso fazer uma pergunta? — ela disse, olhando para Dante.
— Claro.
— A Elena vai continuar morando com a gente depois disso tudo?
Dante olhou para mim, e pela primeira vez desde que tudo aquilo tinha começado, um sorriso verdadeiro apareceu no rosto cansado dele.
— Isso depende da Elena — ele respondeu, sem desviar o olhar de mim.
Sophia sorriu, satisfeita, como se já soubesse a resposta antes mesmo de eu dizer qualquer coisa.
