POR CAUSA DO TAMANHO DELE, O CHEFE DA MÁFIA ERA REJEITADO POR TODAS AS MULHERES — ATÉ UMA CONFEITEIRA DESAJEITADA ACEITAR SE TORNAR SUA NOIVA

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Chapter 3

Acordei na manhã seguinte com o cheiro de café forte subindo pela casa inteira.

Luca já não estava no quarto — o sofá tinha um travesseiro dobrado com um cuidado quase militar, como se ele já estivesse acostumado a arrumar os próprios rastros.

Desci as escadas de pedra, ainda tentando entender a geografia daquela casa enorme, e encontrei Elena sozinha na cozinha, tomando café numa xícara pequena demais pra mão dela.

— Bom dia — falei, cautelosa.

Ela olhou em volta, verificando se estávamos sozinhas, antes de responder.

— Você casou mesmo.

— Casei.

— Corajosa. Ou desesperada. Ainda não decidi qual.

— Um pouco dos dois, provavelmente.

Ela empurrou uma cadeira na minha direção com o pé, um gesto quase amigável.

— Senta. Você merece saber, já que virou família oficialmente, mesmo que só no papel por enquanto.

Sentei, o coração acelerando.

— A dívida do seu pai — Elena começou, baixando a voz — não é real. Não do jeito que meu irmão pensa que é.

— Como assim, não é real?

— É real no sentido de que existe, no papel, registrada. Mas ela foi criada. Forjada.

— Por quem?

— Por um homem chamado Vittorio Rossi. Um inimigo antigo do meu pai, de antes mesmo de eu nascer. Ele manipulou os negócios do seu pai anos atrás, colocou ele numa posição impossível, e depois ofereceu “ajuda” em troca de uma condição: que a dívida fosse quitada através de um casamento com meu irmão.

Minha cabeça girava tentando processar aquilo.

— Mas por quê? Qual o interesse dele nisso?

— Porque Vittorio quer uma coisa que só existe dentro dessa família: acesso aos territórios que meu pai controla ao norte, perto da fronteira. Territórios que, por tradição antiga e idiota, só passam adiante através de casamento legítimo, com herdeiros legítimos.

Fiquei em silêncio, juntando as peças.

— Então ele planejou isso pra quê? Pra eu ter filhos com Luca e, no futuro, alguém tentar usar essas crianças como… o quê, moeda de troca?

— Exatamente. Ou pior. Controlar Luca através de você, uma vez que ele descobrisse que gosta de você o suficiente pra ter algo a perder.

Senti um arrepio subir pela espinha.

— Luca sabe de alguma coisa disso?

— Nada. Ele acredita completamente que a dívida do seu pai é legítima, que esse casamento é só mais um acordo de negócios pra proteger a família dele.

— Por que você não contou pra ele?

Elena hesitou, olhando pro fundo da xícara como se as respostas estivessem lá.

— Porque as fontes que eu tenho vêm de um lugar que eu não deveria ter acesso. Se eu contar pra ele de onde veio a informação, coloco outras pessoas em perigo. Preciso ter certeza absoluta antes de jogar essa bomba na mesa.

— E enquanto isso?

— Enquanto isso, você fica de olhos abertos. E talvez… talvez você consiga fazer meu irmão confiar em você o suficiente pra que, quando essa verdade vier à tona, ele não desmorone sozinho.

Passei os dias seguintes tentando fazer exatamente isso.

Descobri que Luca acordava antes do sol nascer, todos os dias, pra correr sozinho pelos limites da propriedade.

Descobri que ele tinha medo ridículo de aranhas, coisa que jamais imaginaria de um homem daquele tamanho.

Descobri que ele lia poesia escondido, guardada atrás de livros de contabilidade na estante do escritório, como se tivesse vergonha daquilo.

E, aos poucos, descobri que ele começava a rir de verdade perto de mim — não os sorrisos comedidos do primeiro dia, mas risadas genuínas, surpresas com a própria existência.

Numa tarde, enquanto eu tentava, sem sucesso nenhum, fazer um bolo simples na cozinha da propriedade, ele apareceu na porta, observando o desastre de farinha espalhada pela bancada.

— Achei que você fizesse bolos de casamento profissionalmente.

— E faço. Só que essa cozinha odeia sua forno é uma tortura medieval disfarçada de eletrodoméstico.

Ele riu, aquela risada rara, e se aproximou, pegando a tigela das minhas mãos com um cuidado que contrastava completamente com o tamanho dele.

— Deixa eu tentar.

— Você sabe cozinhar?

— Minha mãe me ensinava, antes de morrer. Coisas simples. Bolos, principalmente.

Aquilo foi a primeira vez que ele mencionou a mãe, e algo na voz dele mudou, ficou mais fino, mais exposto.

— Sinto muito — falei, baixinho.

— Foi há muito tempo.

— Isso não muda o “sinto muito”.

Ele parou de mexer a massa por um segundo, olhando pra mim com uma expressão que eu ainda não sabia nomear direito.

— Você é diferente, Sophia. De um jeito que eu não sei explicar ainda.

— Bom, eu ainda não caí de novo essa semana, então acho que estou até melhorando.

Ele riu de novo, e naquele momento, enquanto os dois terminávamos de fazer um bolo torto e desengonçado numa cozinha antiga demais pra sua própria época, esqueci completamente do peso da conversa que tinha tido com Elena.

Só por um instante.

Mas foi o suficiente pra eu entender que talvez estivesse ficando perigosamente perto de sentir algo real por um homem que ainda não sabia a verdade sobre o próprio casamento.

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