Por causa do tamanho dele, o chefe da máfia era rejeitado por todas as mulheres — até uma confeiteira desastrada aceitar se tornar sua noiva.

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Chapter 3

Os primeiros dias na propriedade foram uma sucessão de descobertas pequenas que, juntas, formavam um quadro bem diferente do que eu esperava.

Luca acordava antes do sol nascer, revisando relatórios na cozinha, sozinho, sempre com duas xícaras de café — uma pra ele, outra que ele deixava do meu lado sem dizer nada, só empurrando gentilmente na minha direção quando eu descia.

— Você não precisa fazer isso todo dia — falei, na quarta manhã.

— Eu sei que não preciso.

Foi só isso que ele disse, mas o jeito como disse me fez entender que aquele pequeno gesto era, pra ele, uma linguagem própria.

Elena virou minha companhia mais constante, me mostrando os cômodos da casa, os jardins escondidos atrás da ala leste, contando histórias sobre a infância dela e de Luca sempre que eu perguntava.

— Nosso pai era um homem difícil — ela me disse, um tarde, enquanto cortávamos rosas no jardim. — Luca cresceu tendo que provar força o tempo todo, mesmo sendo criança ainda.

— E as mulheres antes de mim?

Elena suspirou.

— A primeira ficou apavorada com o tamanho dele antes mesmo de conversarem. As outras… digamos que descobriram a verdade sobre a dívida de formas bem mais cruéis do que você descobriu comigo.

— Como assim, mais cruéis?

— Uma delas ouviu meu pai, ainda vivo na época, comentando com um convidado que ela era “o pagamento”. Bem na frente dela, achando que ela não entendia italiano.

Senti um nó no estômago só de imaginar.

— Isso é horrível.

— É. E Luca carrega essa culpa como se fosse dele, mesmo sem ter culpa nenhuma naquilo.

Aquela noite, encontrei Luca na biblioteca, um copo de uísque intocado na mesa, olhando pra lareira apagada.

— Elena te contou sobre a Isabela — ele disse, sem se virar.

— Contou.

— Eu devia ter impedido aquilo. Meu pai fez questão de humilhar ela na minha frente, como um teste, pra ver se eu tinha “força suficiente” pra não me importar.

— E você se importou.

— Me importei o bastante pra brigar com meu próprio pai naquela noite. Mas não o bastante pra impedir que ela fosse embora machucada de qualquer jeito.

Sentei ao lado dele, mais perto do que tinha me permitido até então.

— Eu não sou a Isabela, Luca.

Ele finalmente me olhou.

— Eu sei. Isso é o que mais me assusta.

— Assusta por quê?

— Porque, com ela, eu não tinha medo de perder nada, já que nunca tinha começado a construir alguma coisa de verdade. Com você…

Ele parou, a mandíbula travando.

— Com você, eu já sinto que tenho algo a perder.

O coração disparou no meu peito.

Antes que eu pudesse responder, Marco entrou apressado na biblioteca, o rosto tenso.

— Signor Moretti, desculpa interromper. Mas recebemos uma ligação. É sobre o pai da Sophia.

Meu sangue gelou.

— O que aconteceu com ele?

Marco olhou para Luca, hesitante, antes de responder.

— Ele desapareceu, Srta. Bennett. Ninguém sabe onde ele está desde ontem à noite.

Luca se levantou imediatamente, todo o cansaço saindo do corpo dele, substituído por uma tensão fria e calculada que eu ainda não tinha visto.

— Reúna os homens — ele disse a Marco. — Agora.

— O que está acontecendo, Luca? — perguntei, a voz tremendo.

Ele se virou pra mim, os olhos duros, mas com algo protetor por trás deles.

— Isso pode ter a ver com a dívida antiga. E, se for isso… vai envolver muito mais do que eu contei pra você até agora.

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