Chapter 4
O apartamento de Damian ficava no último andar de um prédio discreto perto do porto, longe o suficiente do escritório para parecer seguro.
Della passou os primeiros dias inquieta, incapaz de relaxar completamente, sempre com o medalhão de Ruth entre os dedos, como se aquilo pudesse protegê-la de alguma forma.
Damian estava quase sempre por perto, coordenando a investigação interna com uma equipe de segurança que ela nunca tinha visto antes — homens discretos, sérios, que falavam pouco e observavam tudo.
Numa noite, enquanto ela organizava documentos na mesa da sala, ele se sentou ao lado dela, mais cansado do que ela jamais tinha visto.
“Descobrimos mais”, ele disse. “Victor não está sozinho nisso. Vanessa está movendo dinheiro há meses, através de contas que parecem ligadas a fornecedores fantasmas.”
“Ela sempre pareceu saber demais sobre coisas que não eram da conta dela”, Della comentou.
“Ela também contratou alguém para te vigiar”, Damian disse, os olhos duros. “Encontramos pagamentos para um investigador particular, feitos da conta pessoal dela.”
Della sentiu um arrepio.
“Então foi ela que descobriu sobre minha irmã.”
“Provavelmente”, Damian confirmou. “E o bilhete foi só o começo. Eles sabem que você tem provas, Della. E sabem que, se essas provas chegarem à polícia ou aos federais, tudo desmorona para eles.”
“Então por que ainda não fizeram nada além de ameaçar?”, ela perguntou, a voz baixa.
“Porque estão tentando descobrir onde estão as cópias antes de agir”, Damian respondeu. “E isso significa que, enquanto não descobrirem, você ainda está em perigo.”
Naquela noite, Della não conseguiu dormir.
Ficou sentada na varanda do apartamento, olhando as luzes do porto refletidas na água escura, pensando em Ruth, em tudo que sua mentora tinha ensinado sobre nunca confiar em nada que não pudesse ser provado.
Damian se juntou a ela, em silêncio, por um longo momento.
“Posso te perguntar uma coisa?”, ela disse, finalmente.
“Pode.”
“Por que você confiou em mim desde o início? Eu era só a secretária que ninguém olhava duas vezes.”
Damian ficou em silêncio, escolhendo as palavras com cuidado.
“Porque, no meu primeiro mês te observando trabalhar, percebi que você via coisas que ninguém mais via”, ele disse. “Você prestava atenção em cada detalhe, cada número, cada arquivo fora do lugar. Isso não é invisibilidade, Della. É atenção que a maioria das pessoas nunca teve a paciência de desenvolver.”
“Ninguém nunca tinha dito isso antes”, ela sussurrou.
“Então as pessoas erradas estavam olhando para você”, Damian respondeu, a voz mais suave do que ela jamais tinha ouvido dele.
Foi naquele momento, sob as luzes distantes do porto, que Della permitiu, pela primeira vez, imaginar uma vida em que ser vista não era um risco, mas um alívio.
Mas o momento durou pouco.
O telefone de Damian vibrou com uma mensagem da equipe de segurança.
Ele leu, e o rosto dele mudou instantaneamente.
“O que foi?”, ela perguntou, o coração já acelerando.
“Encontraram o investigador que a Vanessa contratou”, disse Damian, a voz tensa. “Ele confirmou que sabe onde você mora. E que já passou pelo seu prédio duas vezes essa semana.”
