Tudo mudou no instante em que minha filha soltou a minha mão no Lincoln Park e saiu correndo em direção a uma menininha sentada sozinha debaixo de um carvalho.

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Chapter 4

A resposta de Dominic Reyes veio mais rápido do que eu esperava.

Três dias depois, recebi uma ligação de um número desconhecido.

— Marcus — a voz do outro lado era calma, quase divertida. — Vejo que encontrou o presente que deixei no parque.

Meu sangue gelou.

— Reyes.

— Fico feliz que ainda se lembre de mim. Achei que sete anos poderiam ter apagado minha memória da sua mente.

— O que você quer? — perguntei, tentando manter a voz sob controle, mesmo com a fúria queimando por dentro.

— Só queria ver se você ainda tinha algo que valesse a pena proteger. Parece que sim. Duas coisas, na verdade.

A ameaça implícita nas palavras dele fez meu corpo inteiro se enrijecer.

— Se você chegar perto das minhas filhas, eu vou…

— Vai o quê, Marcus? — ele riu, friamente. — Vai fazer o que fez comigo há sete anos? Vai destruir tudo que eu construí só porque eu ousei competir com você?

— Você matou a Grace.

— Eu não matei ninguém — ele respondeu, com uma calma arrepiante. — Ela morreu de doença, sozinha, longe de qualquer ajuda, porque tinha medo demais de voltar para você. Isso é culpa minha, ou sua?

Aquelas palavras me atingiram como facas.

— Eu vou te encontrar, Reyes.

— Eu conto com isso — ele disse. — Porque, quando você me encontrar, vai perceber que eu sei exatamente onde a Lily estuda, a que horas a Emma tem consulta com a pediatra que vocês marcaram ontem, e qual é a rota que seu carro faz toda quarta-feira até a casa da sua mãe.

A ligação caiu, deixando um silêncio ensurdecedor no escritório.

Victor, que tinha ouvido a conversa pelo viva-voz, já estava reunindo os outros homens.

— Senhor, precisamos reforçar a segurança agora mesmo.

— Eu sei — respondi, tentando conter o tremor nas mãos. — Tripliquem a vigilância nas duas escolas. Ninguém, absolutamente ninguém, chega perto das minhas filhas sem ser verificado três vezes.

Naquela noite, reuni Lily e Emma na sala, tentando explicar, da forma mais gentil possível, que precisariam ficar mais tempo dentro de casa por um tempo.

— É por causa do homem mau? — Emma perguntou, surpreendendo-me com a percepção.

— Que homem mau? — Lily quis saber, confusa.

Emma abaixou os olhos.

— Às vezes, quando minha mãe achava que eu estava dormindo, ela chorava e falava sozinha sobre um homem que não deixava a gente ser feliz.

Ajoelhei-me na frente das duas.

— Sim. Existe um homem que fez muito mal para a nossa família. Mas eu prometo que vou fazer tudo para que ele nunca chegue perto de vocês.

Lily me abraçou com força, e Emma, hesitante, fez o mesmo segundos depois.

Nos dias seguintes, a tensão dentro de casa era palpável. Cada carro que passava devagar pela rua fazia meus homens ficarem em alerta máximo.

Foi numa dessas noites que recebi a notícia que eu temia.

— Senhor — Victor entrou, pálido. — Alguém tentou se aproximar da escola da Lily hoje. Um homem se passando por um pai novo na comunidade, fazendo perguntas sobre o horário de saída dela.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

— Ele foi identificado?

— Fugiu antes que conseguíssemos abordá-lo. Mas a descrição bate com um dos homens de confiança de Reyes.

Foi a gota d’água.

Reuni meus homens mais próximos naquela mesma noite e tracei um plano que eu tinha jurado nunca mais usar depois que Grace “morreu” — um plano para acabar, de uma vez por todas, com a ameaça que Dominic Reyes representava.

— Vamos até ele antes que ele chegue mais perto de nós — declarei. — Descubram onde ele está se escondendo. Eu quero isso resolvido antes do fim de semana.

Victor hesitou.

— E se ele tiver mais gente vigiando as meninas, mesmo enquanto agimos?

— Por isso, vocês três — apontei para os homens mais confiáveis que eu tinha — não saem de perto delas nem por um segundo. Eu vou cuidar de Reyes pessoalmente.

Naquela noite, antes de sair, fui até o quarto das meninas.

Lily dormia tranquila, mas Emma estava acordada, olhando para o teto.

— Você vai fazer o homem mau ir embora? — ela perguntou, baixinho.

Sentei-me na beirada da cama dela.

— Vou fazer tudo o que for preciso para que vocês duas fiquem seguras. Isso eu prometo.

Ela esticou a mão pequena e segurou a minha.

— Minha mãe teria gostado de você.

Aquelas palavras carregavam um peso que me acompanhou durante toda a operação que se seguiu naquela noite — uma noite que terminaria com o confronto final entre tudo o que eu tinha construído e tudo o que Dominic Reyes tinha tentado destruir.

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