Uma hora antes de nossa casa se encher de convidados ricos, meu marido esmagou meu rosto contra o espelho do banheiro enquanto a mãe dele assistia calmamente.

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Chapter 3

No hospital, enquanto os médicos suturavam os cortes mais profundos nos meus braços, Marcus finalmente contou o resto.

— O nome dela era Diane Kessler. Namorou Vance por dois anos, antes de você entrar na vida dele. Segundo os registros que encontramos, ela deu entrada num pronto-socorro três vezes em oito meses, com ferimentos que nunca bateram com as explicações que ela dava.

— O que aconteceu com o caso dela?

— Nunca virou caso oficial. As três vezes, ela retirou a queixa antes de qualquer investigação avançar. E logo depois disso, ela se mudou para outro estado, sem deixar contato com ninguém que conhecíamos.

— Você acha que a família dele…

— Eu acho — Marcus disse, a voz pesada — que Arthur e Beatrice têm um padrão bem estabelecido de fazer esse tipo de problema desaparecer antes que vire manchete.

Aquilo mudou completamente o peso do que eu estava enfrentando. Não era só o meu caso. Era um padrão que se repetia havia anos, protegido por dinheiro, sobrenome e silêncio comprado.

Dois dias depois, ainda em recuperação, recebi a visita de uma promotora federal chamada Renata Ibrahim, encarregada de construir o caso contra os três.

— Sarah, preciso que você entenda uma coisa — ela disse, sentando ao lado da minha cama de hospital. — A família Whitfield já contratou um dos escritórios de advocacia mais caros do país. Eles vão tentar de tudo para transformar você na vilã dessa história.

— Como assim, a vilã?

— Vão alegar que você provocou o incidente. Vão trazer “testemunhas” pagas dizendo que você tinha problemas de temperamento. Vão tentar desqualificar o dispositivo de emergência como prova, alegando invasão de privacidade.

— Mas está tudo gravado. Áudio, vídeo, tudo.

— Está. E isso é a nossa maior vantagem. Mas famílias como essa não desistem fácil, Sarah. Eles vão brigar com tudo que têm.

Foi exatamente o que aconteceu.

Na primeira audiência preliminar, os advogados de Vance apresentaram uma moção para excluir a gravação do dispositivo de emergência, alegando que Marcus tinha instalado um sistema de vigilância ilegal dentro da minha própria casa.

— Isso é absurdo — protestei, sentada ao lado de Renata na sala do tribunal. — Era meu bolso, minha decisão, meu botão.

— Eu sei — Renata respondeu, folheando os documentos com calma. — E é exatamente por isso que vamos vencer essa moção. Mas eles vão continuar tentando, Sarah. Prepare-se para isso.

Enquanto o processo avançava lentamente, comecei a receber mensagens anônimas — nunca ameaças diretas, sempre sutis o suficiente para não configurar crime, mas claras o bastante para me deixar apavorada.

Uma dizia apenas: “Diane também achou que ia vencer.”

Mostrei para Marcus imediatamente.

— Isso veio de dentro da família — ele disse, analisando o número, já sem esperança de rastrear algo útil. — Provavelmente um advogado, ou alguém contratado por eles.

— Eles sabem onde Diane está agora?

— Ainda não encontramos ela. Mas vamos continuar procurando. Se ela testemunhar, isso muda tudo.

Duas semanas depois, um investigador da equipe de Marcus finalmente localizou Diane Kessler, vivendo sob outro sobrenome em uma cidade pequena no Colorado.

Quando Marcus me contou que ela tinha aceitado conversar, senti pela primeira vez desde aquela noite no banheiro que talvez a justiça, de verdade, estivesse ao nosso alcance.

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