Eu gritei pro chefe da máfia mais temido de Phoenix não tocar no carro dele — e quinze homens armados levaram a mão às armas na mesma hora.

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Chapter 1

Eu gritei pro chefe da máfia mais temido de Phoenix não tocar no carro dele — e quinze homens armados levaram a mão às armas na mesma hora.

— Não sai lá fora essa noite!

Minha voz cortou o corredor de mármore às 2h47 da madrugada.

Adrian parou com uma mão ainda na porta que dava pro pátio.

Marcus Cole, o chefe de segurança dele, girou tão rápido que o paletó abriu, revelando a pistola presa debaixo do braço. Os seguranças no fim do corredor também levaram a mão às armas.

Todos os homens se viraram na minha direção.

Por dois anos, eu tinha sobrevivido dentro daquela mansão garantindo que ninguém realmente reparasse em mim.

Agora, o homem mais perigoso de Phoenix estava olhando direto nos meus olhos.

— O que você disse? — perguntou Adrian.

A voz dele estava calma, o que tornava tudo muito mais assustador.

Eu estava parada, descalça, no último degrau da escada, ainda segurando um pano de limpeza amarelo. Meu uniforme cinza estava amassado, meu cabelo tinha escapado do coque, e meus pulmões ardiam de tanto correr por três lances de escada.

— O seu carro prateado — falei. — Não chega perto dele.

Marcus sacou a arma por completo.

— Como ela sabe qual carro você vai pegar?

— Eu não sei — respondi. — Mas alguém sabe.

A expressão de Adrian quase não mudou.

— Explica.

— Tem um dispositivo preso embaixo do chassi, do lado do motorista — falei. — Uma caixa retangular escura. Fios indo em direção à ignição. A janela do quarto de hóspedes que dá pro pátio estava aberta, mesmo eu tendo trancado ela mais cedo.

Marcus deu um passo mais perto.

— Você viu tudo isso do terceiro andar?

— Usei a passagem de serviço pra ver melhor.

— Você chegou perto do carro?

— Não perto o suficiente pra mexer em nada.

Os olhos dele se estreitaram.

— Como uma empregada reconheceria um explosivo?

A palavra não devia ter doído.

Mas me lembrou da vida que eu tinha perdido.

— Eu estudei medicina — falei baixinho. — Durante meu estágio de trauma, a gente revisava lesões causadas por bombas em veículos. O cirurgião nos mostrava os dispositivos responsáveis.

Marcus olhou pra Adrian.

— Isso pode ser uma armação.

— Não é.

— Você espera que a gente confie em você?

— Não. Verifiquem a câmera do lado de fora do quarto de hóspedes leste. Alguém passou por aquela janela por volta de 1h40.

— O sistema teria disparado o alarme.

— O sensor de movimento está com defeito há onze dias.

O silêncio engoliu o corredor inteiro.

Marcus me encarou.

— Como você sabe disso?

— Ele faz um clique toda vez que reinicia sozinho.

Adrian tirou a mão da porta.

— Me mostra.

Fomos até a sala de segurança. Marcus abriu as imagens enquanto eu ficava atrás dele, tentando controlar o tremor das mãos.

No começo, a gravação parecia normal.

Então apontei pro canto da tela.

— Os horários pulam.

Às 1h42, cinquenta e três segundos simplesmente desapareceram.

Marcus abriu o backup das imagens. Uma sombra cruzou o quarto de hóspedes. Oito minutos depois, uma figura desceu do muro do pátio, deslizou por trás da fonte, e sumiu embaixo do carro esportivo prateado de Adrian.

Marcus começou a gritar ordens.

A mansão inteira mudou na mesma hora.

Portas trancadas. Seguranças inundando o pátio. Cada veículo revistado. Um especialista em explosivos foi chamado, e os funcionários foram levados pra uma sala segura.

Eu fiquei no corredor com Adrian.

Ele não desviou os olhos de mim nenhuma vez.

— Qual é seu nome? — ele perguntou.

A pergunta quase me fez rir.

Eu já tinha lustrado a mesa dele, trocado os lençóis do quarto de hóspedes, e limpado sangue do tapete da biblioteca depois de reuniões que terminaram mal.

— Evelyn Hart.

— Há quanto tempo trabalha aqui?

— Dois anos.

— E eu nunca tinha ouvido sua voz.

— O senhor nunca precisou.

— Hoje precisei.

Vinte minutos depois, a equipe de explosivos confirmou tudo.

Explosivo plástico de grau militar. Gatilho sem fio. Instalação profissional.

Se Adrian tivesse ligado o motor, a explosão teria destruído o carro antes mesmo de chegar aos portões.

Marcus voltou, o rosto pálido e rígido.

— Ela salvou sua vida.

O olhar de Adrian continuou fixo no meu.

— Sim — ele disse. — Ela salvou.

Eu devia ter me sentido aliviada.

Em vez disso, me senti presa.

Por anos, ser invisível tinha me protegido. Eu recebia em dinheiro, não usava nenhum documento ligado ao meu passado, e mantinha meu apartamento vazio o suficiente pra abandonar em minutos, se preciso.

Agora, todo homem da organização de Adrian Blackwell sabia meu nome.

— Eu preciso terminar de limpar a ala leste — sussurrei.

Marcus olhou pra mim como se eu fosse louca.

Adrian quase sorriu.

— Alguém tentou me matar, e você está preocupada com um corredor sujo?

— Eu preciso desse emprego.

— Você ainda tem ele.

— Não é isso que eu quis dizer.

A expressão dele ficou mais afiada.

Ele entendeu.

— Vem pro meu escritório.

Lá dentro, ele colocou um copo d’água na minha frente.

— Por que uma mulher com formação em medicina está limpando minha casa sem registro?

— É pessoal.

— Tudo debaixo do meu teto virou pessoal no momento em que salvou minha vida.

— Eu não tive nada a ver com a bomba.

— Eu acredito em você.

Aquela certeza me assustou mais do que qualquer suspeita teria assustado.

— Então por que estou aqui?

— Porque você viu o que minha equipe de segurança inteira não viu. Arriscou sua vida por um homem que mal conhece.

— Eu sei o que o senhor é.

Os olhos dele escureceram, mas ele não se moveu.

— E mesmo assim me avisou.

Apertei as mãos ao redor do copo.

— Deixar você morrer, podendo evitar, me transformaria em alguém que eu me recuso a ser.

Alguma coisa mudou no rosto dele.

Então Adrian se inclinou mais perto.

— De quem você está se escondendo, Evelyn?

E foi ali, naquele escritório, que percebi que tinha acabado de abrir uma porta que passei anos tentando manter trancada pra sempre.

Alguém mais acha que o passado dela vai ser mais perigoso do que a bomba de hoje? Deixa aqui embaixo o seu palpite…

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