Chapter 1
Meu ex-namorado entrou correndo na minha sala de emergência carregando a filha machucada, esperando encontrar médicos, pânico e más notícias. Em vez disso, encontrou a mim — a mulher que ele tinha abandonado — de pé sob as luzes do hospital, grávida de sete meses de um bebê que ele nunca soube que existia. Eu não chorei, não gritei, não perguntei por que ele tinha ido embora. Então a filha dele sussurrou uma frase inocente que fez todo o sangue sumir do rosto dele.
Meu nome é Dra. Adelaide Brooks, e a medicina me ensinou a manter a calma enquanto vidas desmoronavam ao meu redor.
Eu só nunca imaginei que uma dessas vidas seria a minha própria.
A sala de emergência já estava lotada quando as portas da ambulância se abriram de repente.
Um pai apavorado corria ao lado da maca, segurando a mão da filha enquanto as enfermeiras a levavam correndo para a Sala de Trauma Dois.
No momento em que ergui os olhos, meu coração parou.
Elias.
Seis meses depois de ele ir embora da minha vida, ali estava ele, a poucos passos de mim.
— Papai… dói — a menininha choramingou.
O terno caro dele estava amassado, a gravata frouxa em volta do pescoço, e o medo tinha substituído a confiança que eu me lembrava. Pela primeira vez, ele não parecia o incorporador imobiliário bem-sucedido que tratava emoções como fraquezas.
Ele parecia um pai desesperado tentando salvar a filha.
Forcei a mim mesma a respirar.
— Eu sou a Dra. Adelaide — disse com voz firme, recusando deixar transparecer qualquer coisa. — Qual é o seu nome, querida?
— Sophie — ela sussurrou entre lágrimas. — Eu caí da barra fixa.
— Na escola?
Ela balançou a cabeça, confirmando.
Examinei o braço dela com cuidado, falando baixinho o suficiente para mantê-la calma.
— Eu vou cuidar bem de você.
Só então me virei para ele.
— Senhor, preciso que se afaste enquanto examinamos sua filha.
Nossos olhos se encontraram.
O reconhecimento bateu nele instantaneamente.
Depois, descrença.
Por fim, o olhar dele desceu até a curva inconfundível sob o meu jaleco.
O rosto dele ficou completamente pálido.
— Adelaide… — ele sussurrou, sem fôlego.
Recusei-me a reagir.
— Vamos pegar os sinais vitais, exame neurológico e imagem do braço esquerdo — instruí as enfermeiras. — Mantenham ela confortável.
Todo mundo se moveu com precisão treinada enquanto eu mantinha o foco em Sophie.
Mas eu ainda sentia Elias me observando.
Eu sabia exatamente o que ele estava pensando.
Sete meses de gravidez.
Apenas seis meses desde a noite em que ele olhou nos meus olhos depois que perguntei: “Você me ama?”
Ele não conseguiu responder.
Em vez disso, admitiu baixinho: “Eu não sei como construir uma família.”
Então eu fui embora.
Três semanas depois, fiquei sozinha no meu banheiro, encarando duas linhas rosa num teste de gravidez.
Tudo mudou naquele momento.
— Dra. Adelaide?
A vozinha de Sophie me trouxe de volta.
— Sim, querida?
— A senhora é muito bonita.
Apesar de tudo, sorri.
— Obrigada.
Ela olhou curiosa para a minha barriga.
— A senhora vai ter um bebê?
— Vou.
O rosto dela se iluminou.
— Eu sempre quis um irmãozinho ou irmãzinha.
Atrás de mim, ouvi Elias puxar o ar com força.
Os exames trouxeram boas notícias.
Apenas uma fratura leve no pulso.
Ela ficaria internada durante a noite para observação, mas ficaria bem.
Mais tarde naquela noite, encontrei Elias sozinho do lado de fora da ala pediátrica, olhando pela janela para a filha adormecida.
— Ela vai se recuperar — eu disse baixinho.
Ele se virou para mim, os olhos fixos na minha barriga.
— O bebê é meu?
Minha mão instintivamente pousou sobre a barriga.
— Sua filha precisa de você agora — respondi. — Foca nela.
— Eu não sabia — ele sussurrou.
— Você nunca tentou saber.
Os ombros dele caíram.
— Eu estava com medo.
— Sim.
— Cometi o maior erro da minha vida.
Antes que eu pudesse responder, Sophie se mexeu na cama do hospital.
Ela sorriu ao me ver.
Depois olhou de um para o outro, com total inocência.
— Papai — ela disse baixinho — o bebê na barriga da doutora bonita… é meu irmãozinho?
O quarto ficou em silêncio.
Elias me encarou como se o mundo inteiro tivesse acabado de desabar.
