Chapter 2
O silêncio que se seguiu à pergunta de Sophie pareceu durar uma eternidade.
Elias abriu a boca, fechou de novo, sem encontrar nenhuma palavra que fizesse sentido diante da inocência da filha.
— Sophie, querida — eu disse, mantendo a voz calma e profissional, mesmo com o coração disparado —, você precisa descansar agora. Vamos conversar sobre isso depois, está bem?
Ela assentiu, os olhos já pesados de sono, e em minutos tinha adormecido de novo, exausta pelo dia difícil.
Elias me seguiu para o corredor, longe dos ouvidos da filha.
— Adelaide, precisamos conversar.
— Não precisamos de nada. — Comecei a me afastar, mas ele segurou meu braço gentilmente.
— Por favor. Só me dá cinco minutos.
Parei, respirando fundo antes de me virar para encará-lo. — Cinco minutos, Elias. Depois disso, tenho pacientes de verdade pra cuidar.
Encontramos uma sala de espera vazia no final do corredor. Ele fechou a porta, as mãos tremendo levemente enquanto tentava organizar os pensamentos.
— O bebê é meu.
Não era uma pergunta dessa vez. Era uma afirmação, quase um pedido de confirmação que ele já sabia a resposta.
— Sim.
Ele fechou os olhos, o peso daquilo visivelmente esmagando qualquer resquício de compostura que restava nele. — Por que você não me contou?
A raiva que eu tinha mantido cuidadosamente controlada finalmente encontrou uma fresta. — Contar o quê, Elias? Que engravidei três semanas depois de você me dizer que não sabia construir uma família e sair pela porta sem olhar pra trás? Pra quê? Pra você fugir ainda mais rápido?
— Eu não teria fugido.
— Você já tinha fugido. — Minha voz tremeu, mas mantive o controle. — Eu te dei a chance de escolher ficar, Elias. Você escolheu não ficar. Não vejo por que um teste de gravidez mudaria isso.
— Você não sabe disso. Você nunca me deu a chance de provar o contrário.
— E você nunca me deu motivo pra acreditar que provaria.
Ele passou as mãos pelo rosto, o cansaço evidente em cada linha de expressão. — Eu sei que estraguei tudo. Sei que fui covarde. Mas isso muda tudo, Adelaide. Esse bebê é meu filho, tanto quanto Sophie é minha filha.
— Esse bebê — eu disse, a mão descendo instintivamente para proteger minha barriga — vai crescer sabendo que é amado, independente de qualquer decisão que você tome agora.
— Eu quero fazer parte disso.
— Você quer, ou acha que deveria querer porque se sente culpado?
A pergunta pousou entre nós, pesada e desconfortável demais para uma resposta fácil.
— Eu não sei — ele admitiu, finalmente sendo honesto. — Mas sei que não posso simplesmente ir embora de novo, fingindo que esse bebê não existe.
— Sophie precisa de você agora. Ela é sua prioridade, e deveria ser. — Levantei-me, encerrando a conversa antes que ficasse emocional demais para qualquer um de nós dois. — Quanto ao bebê, vamos conversar quando as coisas estiverem menos… caóticas.
— Adelaide.
— Tenho que voltar ao trabalho, Elias.
Saí da sala antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o coração martelando com uma mistura confusa de raiva antiga e algo mais complicado que eu não estava pronta pra examinar de perto.
Nos dias seguintes, evitei qualquer contato desnecessário com Elias, focando inteiramente no trabalho e na recuperação de Sophie, que continuava internada para observação adicional depois que exames mostraram uma pequena complicação na fratura.
Foi durante uma dessas visitas de rotina que Sophie, sozinha comigo por um momento enquanto o pai tinha ido buscar café, me chamou com aquela voz doce e inocente.
— Dra. Adelaide?
— Sim, querida?
— Meu papai fica triste quando pensa que eu não tô olhando. — Ela brincava distraidamente com o lençol do hospital. — Ele disse que fez uma coisa muito errada com você.
Meu coração apertou. — Ele disse isso?
Ela assentiu solenemente. — Ele chora às vezes, à noite, quando acha que eu tô dormindo.
Não soube o que responder àquilo, então apenas segurei a mãozinha dela gentilmente.
— Seu papai te ama muito, Sophie. Isso eu sei com certeza.
— Eu sei. — Ela sorriu, um sorriso puro demais pra entender a complexidade da situação. — E eu queria muito ter um irmãozinho de verdade. Você acha que ele vai deixar isso acontecer?
Não tive resposta pra dar a ela, porque, sinceramente, eu mesma não sabia a resposta.
