Meu ex-namorado entrou correndo na minha sala de emergência carregando a filha machucada, esperando encontrar médicos, pânico e más notícias

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Chapter 3

Sophie recebeu alta uma semana depois, mas o vínculo que tinha se formado entre nós durante a internação não desapareceu com a saída do hospital.

Elias começou a aparecer nas minhas consultas pré-natais — sempre discreto, sempre esperando na sala de espera, mas presente. No início, tentei ignorar aquela presença silenciosa, mas era impossível não notar o esforço genuíno que ele parecia estar fazendo.

— Você não precisa fazer isso — eu disse, depois de uma consulta particularmente longa, encontrando-o esperando pacientemente na recepção pela quinta vez consecutiva.

— Eu quero fazer isso.

— Elias, eu aprecio o esforço, mas isso não muda o que aconteceu.

— Eu sei que não muda o passado. — Ele se levantou, mantendo distância respeitosa. — Mas eu gostaria de ter a chance de construir um futuro diferente, se você permitir.

Antes que eu pudesse responder, meu celular tocou — Sophie, pedindo pra falar comigo, algo que tinha se tornado rotina nas últimas semanas.

— Dra. Adelaide! — a vozinha animada soou do outro lado da linha. — Você pode vir no meu recital de balé sábado? Papai disse que ia perguntar pra você.

Olhei para Elias, surpresa. — Você não me falou sobre isso.

— Eu ia perguntar hoje. — Ele pareceu genuinamente sem jeito. — Sophie insistiu em te convidar pessoalmente.

— Elias, isso complica as coisas.

— Ou simplifica — ele respondeu. — Sophie gosta de você, Adelaide. Independente do que aconteça entre nós, ela criou um vínculo real, e eu não quero ser a pessoa que quebra isso por orgulho ou medo.

Diante da insistência inocente de Sophie, acabei concordando em ir ao recital, dizendo a mim mesma que era só por causa da menina, nada mais.

O recital foi doce, desajeitado do jeito encantador que só crianças pequenas conseguem ser, e Sophie brilhou de felicidade ao me ver na plateia, acenando entusiasticamente no meio da apresentação.

Depois, enquanto Elias buscava o carro, Sophie segurou minha mão, olhando para cima com aquela expressão séria que só crianças conseguem ter sobre assuntos importantes.

— Dra. Adelaide, posso te perguntar uma coisa?

— Claro, querida.

— Você ainda gosta do meu papai?

A pergunta me pegou completamente desprevenida. — Isso é complicado, Sophie.

— Ele ainda gosta de você. Eu sei porque ele fica sorrindo bobo quando fala de você com a vovó.

Antes que eu pudesse processar aquela informação, Elias voltou com o carro, e o momento se dissolveu em despedidas apressadas.

Mas as palavras de Sophie ficaram ecoando na minha cabeça pelos dias seguintes.

Foi numa dessas noites, sozinha no meu apartamento, que recebi uma visita inesperada — não de Elias, mas de uma mulher elegante que eu nunca tinha visto antes, esperando na porta do meu prédio quando cheguei do trabalho.

— Dra. Brooks? — a mulher perguntou, um sorriso frio nos lábios perfeitamente pintados.

— Sim?

— Meu nome é Vanessa. Sou noiva do Elias.

O chão pareceu sumir sob meus pés. — Desculpa?

— Noiva — ela repetiu, deixando a palavra pousar entre nós com peso deliberado. — Estamos juntos há oito meses. Ele nunca mencionou você?

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