Só pedi para um estranho me abraçar por um segundo, depois que meu namorado terminou nosso relacionamento de três anos numa mensagem de voz de quarenta segundos, no aeroporto JFK

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Chapter 1

Só pedi para um estranho me abraçar por um segundo, depois que meu namorado terminou nosso relacionamento de três anos numa mensagem de voz de quarenta segundos, no aeroporto JFK. Eu não fazia ideia de que o homem cujo terno preto caro eu estava arruinando com lágrimas era um dos bilionários mais poderosos dos Estados Unidos — nem que, três dias depois, eu entraria numa sala em Boston e descobriria exatamente de quem era aquele ombro no qual eu tinha chorado.

Eu tinha vinte e sete anos quando aconteceu.

Naquela manhã de fevereiro, cheguei ao Terminal 4 do JFK cedo demais para o meu voo pra Boston, carregando uma mala, meu passaporte e a esperança boba de que Preston e eu ainda estávamos construindo um futuro juntos.

Foi quando meu celular vibrou.

Preston.

A mensagem começava de um jeito casual demais.

“Eve, eu sei que você já vai embarcar, mas acho melhor a gente terminar.”

Parei de respirar.

Ele disse que ia buscar as coisas dele no meu apartamento enquanto eu estivesse viajando.

Depois veio a frase que mais doeu.

“Boa viagem.”

Três anos terminados em menos de um minuto.

Ouvi a mensagem de novo.

E de novo.

Na quarta vez, eu já chorava tão forte que estranhos na fila do check-in começaram a desviar o olhar.

Não fui nada elegante naquilo. O nariz escorria, a maquiagem borrava sob os olhos, e o cartão de embarque tremia tanto na minha mão que eu quase não conseguia segurar.

Foi quando me virei e o vi.

Alto.

Cabelo escuro.

Olhos cinza.

Um terno preto tão bem cortado que, mesmo no meio do meu colapso, eu soube que custava mais do que o meu aluguel mensal.

Três homens estavam atrás dele. Dois pareciam segurança. O terceiro segurava um caderno vermelho contra o peito.

Percebi que nada daquilo importava.

Simplesmente caminhei até o estranho e agarrei a lapela dele.

— Por favor — engasguei. — Só me abraça por um segundo.

Ele congelou.

Completamente.

Por vários batimentos de coração, ele não me tocou.

Então, devagar, os braços dele me envolveram.

O abraço foi estranho no começo, quase mecânico, como se ele tivesse esquecido como funcionava o contato humano. Mas depois algo mudou.

O aperto dele ficou mais firme.

Não de um jeito romântico.

De um jeito desesperado.

Como se, em algum lugar dentro daquele estranho tão controlado, algo também tivesse se quebrado.

Enterrei o rosto no ombro dele e chorei.

Um dos seguranças me ofereceu, em silêncio, um lenço branco perfeitamente dobrado.

Peguei, assoei o nariz, e devolvi.

O canto da boca dele se contraiu.

Aquilo deveria ter me envergonhado o suficiente pra eu querer sumir para sempre.

Em vez disso, olhei de volta para o homem que me abraçava.

— Você é péssimo em abraçar — sussurrei.

Pela primeira vez, algo parecido com diversão tocou o rosto dele.

— Já me disseram isso.

Dei um passo para trás e vi o estrago.

Maquiagem manchava a lapela dele.

O ombro estava molhado.

— Meu Deus.

— É só um paletó.

— Parece caro.

— Era.

Aquilo, de algum jeito, me fez rir em meio às lágrimas.

Então anunciaram o embarque do meu voo.

Peguei minha mala.

— Obrigada — eu disse. — E desculpa pelo seu terno.

Ele me observou com atenção.

— Qual é o seu nome?

— Eve.

Antes que eu pudesse perguntar o dele, um funcionário correu até ele.

— Senhor Sterling, o carro está pronto.

Senhor Sterling.

O nome não significava nada para mim, naquele momento.

Embarquei no meu voo, convencida de que tinha acabado de me humilhar na frente de um estranho rico que eu nunca mais veria.

Três dias depois, entrei na sede da Sterling Capital, em Boston, para uma apresentação de emprego.

As portas da sala de reunião se abriram.

E sentado na cabeceira da mesa, usando outro terno preto impecável, estava o homem cujo ombro eu tinha coberto de rímel.

Os olhos cinza dele encontraram os meus.

Então ele sorriu.

— Olá, Eve.

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