Chapter 4
— Isso é impossível — eu disse, a voz tremendo apesar do meu esforço para mantê-la firme. — Elias vem me visitando quase todos os dias. Ele foi ao recital de balé da Sophie comigo semana passada.
— Ele foi ao recital com você porque Sophie insistiu — Vanessa respondeu, o tom calmo demais para ser reconfortante. — E quanto às visitas, imagino que ele tenha convenientemente esquecido de mencionar que estamos morando juntos há três meses.
Senti a bile subir pela garganta. — Ele nunca mencionou nada sobre uma noiva.
— Claro que não mencionou. — Vanessa cruzou os braços, examinando minha barriga com uma expressão que misturava desprezo e algo parecido com pena. — Elias tem talento pra manter as pessoas em compartimentos separados, Dra. Brooks. Eu devia saber, considerando que descobri sobre sua existência só depois de ver o extrato do cartão de crédito dele cheio de compras de itens de bebê que eu não fiz.
— Eu não sabia sobre você.
— Acredito que não sabia. — Ela suspirou, a fachada fria rachando ligeiramente. — Olha, eu não vim aqui pra brigar. Vim porque mereço saber a verdade sobre o homem com quem estou planejando construir uma vida, e você merece saber que ele está mentindo pra nós duas simultaneamente.
Aquela noite, depois que Vanessa foi embora, liguei para Elias, a raiva substituindo qualquer resquício de vulnerabilidade que eu tinha permitido nas últimas semanas.
— Precisamos conversar. Agora.
Ele apareceu vinte minutos depois, o rosto pálido ao perceber, pela minha expressão, que eu sabia.
— Adelaide, eu posso explicar.
— Você tem uma noiva, Elias. — Cuspi as palavras como veneno. — Vocês moram juntos há três meses. E você teve a coragem de aparecer no meu hospital, se reaproximar de mim, ir ao recital da Sophie comigo, fingindo que estava tentando construir algo genuíno.
— Eu estava tentando construir algo genuíno! Com você e com Sophie!
— Enquanto mantinha um relacionamento inteiro escondido de nós duas?
— Vanessa e eu… não é o que parece. — Ele passou as mãos pelo rosto, desesperado. — Nosso relacionamento esfriou meses atrás. Eu ia terminar com ela, mas com tudo que aconteceu com Sophie e depois descobrir sobre o bebê, eu simplesmente não tive coragem de lidar com mais uma explosão emocional.
— Então você decidiu mentir pras duas ao mesmo tempo, esperando que tudo se resolvesse sozinho.
— Eu sei que foi errado.
— Foi covarde. — A palavra saiu carregada de todo o desprezo que eu sentia naquele momento. — Exatamente como foi covarde quando você me deixou grávida sem sequer saber, porque tinha medo demais de construir uma família de verdade.
Elias ficou em silêncio, incapaz de contestar a verdade nua e crua daquelas palavras.
— Eu quero terminar com Vanessa. De verdade dessa vez.
— Isso não é problema meu, Elias. Nunca foi. — Abri a porta do meu apartamento, sinalizando claramente que a conversa tinha terminado. — Resolva sua vida pessoal antes de tentar fazer parte da vida do meu filho.
— Nosso filho.
— Um filho que você só reconheceu depois de ser forçado pelas circunstâncias, enquanto secretamente construía uma vida inteira com outra pessoa.
Ele saiu sem dizer mais nada, o silêncio pesado entre nós carregando o peso de tudo que tinha desmoronado naquela noite.
Nas semanas seguintes, mantive distância completa, recusando ligações, adiando qualquer tentativa de contato que não envolvesse diretamente questões médicas relacionadas a Sophie.
Foi Sophie quem, inocentemente, trouxe as coisas de volta à tona, aparecendo na minha porta um sábado à tarde, acompanhada por uma babá visivelmente constrangida.
— Dra. Adelaide, eu preciso te contar uma coisa importante — ela disse, os olhos sérios demais para uma criança de seis anos. — Papai terminou com a Vanessa. Ele chorou a noite toda depois.
