Meu ex-namorado entrou correndo na minha sala de emergência carregando a filha machucada, esperando encontrar médicos, pânico e más notícias

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Chapter 5

— Sophie, querida, isso não é assunto que você deveria estar carregando — eu disse gentilmente, ajoelhando-me para ficar na altura dela. — Como você veio até aqui sozinha?

— Não vim sozinha. — Ela apontou para a babá, que se aproximou timidamente. — A Marta me trouxe. Eu implorei muito.

A babá, uma mulher de meia-idade com expressão preocupada, se explicou rapidamente. — Sinto muito incomodar, doutora. Sophie insistiu tanto que o pai dela concordou, contanto que eu ficasse junto.

Convidei as duas para entrar, o coração se apertando ao ver a determinação séria no rosto pequeno de Sophie.

— Por que você veio até aqui, Sophie?

— Porque o papai tá muito triste, e eu acho que é porque ele terminou as coisas erradas com você. — Ela se sentou no meu sofá, as pernas balançando sem alcançar o chão. — Ele terminou com a Vanessa de verdade. Eu ouvi ele falando no telefone com o advogado dele sobre isso.

— Sophie, essas são coisas de adulto, complicadas demais pra você resolver.

— Eu sei que sou pequena — ela disse, com uma seriedade que desmentia a idade —, mas eu sei quando as pessoas são felizes de verdade e quando fingem. Papai finge ser feliz com a Vanessa. Mas ele é feliz de verdade quando fala de você e do bebê.

As palavras dela pousaram no meu peito com um peso inesperado.

— Eu sei que você tá com raiva dele — Sophie continuou, com uma sabedoria impressionante para os seis anos —, e acho que você tem razão pra estar. Mas eu realmente, muito mesmo, quero ter meu irmãozinho na minha vida de verdade, não só de vez em quando.

Antes que eu pudesse responder, meu celular tocou. Elias.

Hesitei, mas Sophie olhou para mim com uma expressão tão esperançosa que acabei atendendo.

— Sophie está aí? — a voz dele soou tensa, preocupada.

— Está. Ela está bem, só um pouco impaciente demais pra esperar adultos resolverem as coisas no próprio ritmo.

Um som que parecia meio riso, meio suspiro de alívio veio do outro lado da linha. — Posso ir buscá-la?

— Pode vir.

Quando Elias chegou, quinze minutos depois, encontrou a filha sentada tranquilamente no meu sofá, tomando suco, como se não tivesse acabado de orquestrar uma intervenção emocional entre os pais.

— Sophie Marie Hartwell — ele disse, um misto de exasperação e alívio na voz —, você não pode simplesmente sair de casa sem avisar direito.

— Eu avisei a Marta.

— Isso não conta como avisar direito.

Depois de garantir que a babá levasse Sophie para casa em segurança, Elias ficou, hesitante na porta do meu apartamento.

— Ela me contou sobre Vanessa — eu disse, quebrando o silêncio desconfortável.

— Terminei de verdade dessa vez. Definitivamente, completamente, sem ambiguidade nenhuma. — Ele passou a mão pelo cabelo, nervoso. — Percebi, conversando com o advogado sobre a separação, que eu estava tentando manter duas vidas paralelas porque tinha medo demais de escolher genuinamente uma direção.

— E agora?

— Agora eu quero fazer as coisas direito. Não porque Sophie está pressionando, embora ela definitivamente esteja. — Um sorriso cansado, mas sincero, cruzou o rosto dele. — Mas porque, pela primeira vez em anos, eu sei exatamente o que quero, e é uma chance de fazer parte da vida do nosso filho, e talvez, se você permitir algum dia, uma chance de reconstruir alguma coisa entre nós também.

— Isso não vai ser fácil, Elias. Reconstruir confiança depois de tudo isso.

— Eu sei. — Ele assentiu, aceitando a dificuldade sem tentar minimizá-la. — Mas estou disposto a colocar o trabalho necessário, no ritmo que você precisar, sem pressão, sem expectativas apressadas.

Fiquei em silêncio por um longo momento, considerando seriamente, pela primeira vez, a possibilidade de um caminho diferente daquele que eu tinha traçado sozinha nos últimos meses.

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