QUANDO O CHEFÃO DA MÁFIA MAIS TEMIDO DO BROOKLYN ENTROU NA LANCHONETE, TUDO CONGELOU…

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Chapter 1

QUANDO O CHEFÃO DA MÁFIA MAIS TEMIDO DO BROOKLYN ENTROU NA LANCHONETE, TUDO CONGELOU… ATÉ QUE UMA GARÇONETE RESPONDEU O INSULTO DELE EM SICILIANO, E AS 72 HORAS SEGUINTES VIRARIAM A CIDADE DE PONTA-CABEÇA

O sino da porta não tocou naquela noite.
Ele soou como um dobre fúnebre.

Foi assim que todo mundo sentiu, ali dentro do Silver Fork, numa terça-feira de chuva em Greenpoint, Brooklyn, quando Alessandro Moretti atravessou a porta e todo o calor daquele lugar pareceu sumir de uma vez.

Um segundo antes, a lanchonete fervilhava com a miséria comum de uma noite em Nova York. A chapa assobiando de gordura. Um paramédico beliscando batatas fritas enquanto ouvia o rádio da polícia no celular. Dois universitários dividindo uma fatia de torta que mal podiam pagar. Manny, o gerente do turno, brigando com o lavador de pratos porque ninguém tinha reposto o creme de leite.

No segundo seguinte, tudo parou.

O paramédico baixou o garfo.
Os universitários engoliram o riso.
Manny se abaixou atrás do caixa como se a gaveta de dinheiro pudesse salvar a vida dele.
Na janela da cozinha, um dos cozinheiros murmurou uma reza em espanhol e sumiu para dentro da despensa.

Todo mundo no Brooklyn conhecia a regra sobre Alessandro Moretti.

Você não olhava para ele.
Você não falava com ele.
E se o destino te colocasse na mesma sala que ele, você fazia de tudo para se tornar invisível.

Emma Gallagher nunca tinha sido muito boa nisso.

Aos vinte e quatro anos, ela trabalhava no turno da madrugada no Silver Fork, seis noites por semana, e tinha desenvolvido aquele tipo de calma dura e prática que só vem de passar tempo demais sem dinheiro. Ela carregava sessenta mil dólares em dívidas médicas do último ano de vida da mãe, que lutou contra um câncer de ovário, um senhorio que tratava gentileza como se fosse contagiosa, e um pai que sumia em temporadas de jogo, e quando dava notícias, era sempre sinal de problema.

O medo, nela, já tinha se gasto fazia tempo.

Por isso, quando a lanchonete inteira travou como uma presa sentindo o cheiro do lobo, Emma só ergueu os olhos do balcão de café que estava limpando e viu três homens de casaco escuro parados sob a luz do neon.

Os dois de trás eram capangas, isso era óbvio. Pescoço grosso, ombros largos, varrendo saídas e cantos com um olhar frio e calculado. Um era enorme e calado, com uma cicatriz cortando a sobrancelha. O outro tinha sapatos engraxados, um sorriso torto e aquele tipo de confiança nojenta que só existe em quem machuca gente escondido atrás de alguém mais forte.

Mas o do meio era diferente.

Alessandro Moretti não precisava olhar em volta para dominar a sala.

Ele andava com a graça fria e econômica de um homem que nunca precisou levantar a voz duas vezes. Uns trinta e dois anos, talvez. Alto. Magro de um jeito que sugeria perigo, não elegância. Cabelo escuro penteado para trás, rosto de traços aristocráticos e afiados. Casaco cinza-chumbo, caro, ainda brilhando de chuva. Olhos da cor de pedra-de-isqueiro, e igualmente frios.

Ele tinha o tipo de rosto que seria bonito, se não fosse tão completamente despido de qualquer suavidade.

Emma conhecia o nome. Todo mundo conhecia.

Os Moretti comandavam pedaços do Brooklyn havia três gerações. Contratos no porto, rotas de transporte, jogo ilegal, coleta de lixo, intimidação de sindicatos — tudo isso costurado tão fundo na vida da cidade que a maioria das pessoas fingia não ver. Alessandro tinha assumido o comando dois anos antes, depois que o pai foi baleado na porta de uma padaria italiana em Bensonhurst. Diferente dos homens mais velhos, dos quais se cochichava em clubes sociais e salas cheias de fumaça, Alessandro não se exibia. Não fazia teatro. Ele se movia como uma faca que já está na metade do caminho dentro do corpo.

Ele foi direto até o balcão e sentou num banco de vinil vermelho.

Sem cardápio.
Sem “boa noite”.

Só uma mão enluvada, apoiada na mesa, e um silêncio tão completo que Emma conseguia ouvir o zumbido do letreiro azul de neon lá fora.

Atrás dela, Manny se levantou só o suficiente para sibilar:
— Não vai lá.

Emma pegou a garrafa de café.
— A gente tá aberto, Manny.
— Aquele é o Alessandro Moretti.
— Eu ouvi a sala inteira morrer.
— Emma, eu tô falando sério.

Ela limpou as mãos no avental manchado.
— Eu também. O aluguel vence sexta.

Antes que Manny pudesse impedi-la, ela empurrou a meia-porta e entrou naquele silêncio.

De perto, Moretti tinha o cheiro de chuva, cedro e o gosto metálico de uma noite que estava prestes a desandar.

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