Chapter 6
Três semanas se passaram.
Sean Gallagher entrou num programa de apoio para jogo compulsivo por vontade própria — a primeira decisão adulta que Emma o via tomar em anos. Não era perfeito. Ele ainda vacilava, ainda ligava chorando à noite pedindo desculpa por erros antigos que nenhuma desculpa resolvia sozinha. Mas estava tentando. E, pela primeira vez, isso parecia real.
A dívida tinha sumido como se nunca tivesse existido — nenhum papel, nenhuma cobrança, nenhum vestígio, exceto pelo fato de que Dominic Russo havia desaparecido de circulação em Bensonhurst, e ninguém no bairro parecia disposto a perguntar para onde.
Emma continuou trabalhando no Silver Fork. Precisava do salário, e mais do que isso, precisava daquela normalidade — o cheiro de café queimado, o barulho da chapa, Manny reclamando dos estoques.
Moretti aparecia de vez em quando.
Nunca anunciado. Nunca com aviso. Só a campainha da porta e, de repente, ele estava ali, sentado no mesmo banco vermelho, pedindo o mesmo café.
Naquela noite específica, ele chegou sozinho, sem capangas, o que já era, por si só, um tipo de mensagem.
— Achei que homens como você não andavam desacompanhados — Emma comentou, servindo o café.
— Homens como eu decidem quando precisam de companhia — ele respondeu. — Esta noite, não precisava.
Ela se apoiou no balcão, os braços cruzados, estudando o rosto dele com uma familiaridade que três semanas atrás teria parecido impossível.
— Por que você continua vindo aqui, Alessandro?
Foi a primeira vez que ela usou o nome dele, e algo passou pelos olhos dele quando ouviu.
— O café é bom — ele disse.
— Mentira. O café daqui é péssimo, e você sabe disso.
Um silêncio se estendeu entre eles, mas não era o mesmo silêncio pesado da primeira noite. Era outra coisa — mais quieto, mais honesto.
— Eu passei minha vida inteira sendo temido — ele disse por fim, a voz mais baixa do que Emma já tinha ouvido dele. — As pessoas baixam os olhos quando entro numa sala. Elas fingem sorrisos. Fingem respeito. Ninguém nunca me respondeu de igual para igual, muito menos numa língua que era da minha avó.
— Eu só falei o que pensava.
— Eu sei. — Ele a encarou, e havia algo desarmado naquele olhar, algo que ele provavelmente não mostrava a mais ninguém no mundo. — E foi a primeira vez, em muito tempo, que eu não soube o que fazer com o que senti.
Emma sentiu o peito apertar, não de medo dessa vez.
— E agora? Sabe o que fazer?
— Não — ele admitiu, quase rindo, um som raro e rouco. — Mas estou disposto a descobrir. Se você estiver.
Ela olhou para ele por um longo momento — o homem que a cidade inteira temia, sentado num banco vermelho de lanchonete, admitindo, pela primeira vez, que não tinha todas as respostas.
— Um café de cada vez — ela disse, finalmente, um sorriso pequeno escapando. — Vamos ver aonde isso nos leva.
Lá fora, a chuva tinha parado. O letreiro de neon continuava zumbindo, azul e constante, como sempre tinha sido — só que, dessa vez, ninguém ali dentro sentia medo dele.
Às vezes a vida mais dura não te dá escolha sobre as batalhas que enfrenta — só sobre quem fica ao seu lado nelas. Você já teve que encontrar coragem numa hora em que jurava não ter mais nenhuma sobrando?
