Chapter 3
Emma agarrou a borda do balcão como se o chão fosse ceder de verdade.
— Isso é mentira.
— Eu não minto sobre dinheiro — Moretti disse, calmo. — Seu pai pegou emprestado há oito meses. Apostas. Prometeu pagar em seis semanas. Some desde então.
— Meu pai… — a voz dela falhou. — Eu não falo com ele há três meses.
— Eu sei. Meus homens também não conseguem encontrá-lo. — Ele a observou com atenção, como quem lê um documento em busca de uma linha específica. — E isso é um problema, Emma, porque quando um homem some, a dívida não some com ele. Ela recai em quem fica.
O sangue gelou nas veias dela.
— Eu não devo nada a ninguém.
— Ainda não — ele disse, e havia algo quase gentil na maneira fria como falou aquilo, o que era pior do que qualquer ameaça gritada. — Mas meus sócios não vão ver dessa forma. Prazo vence sexta-feira. Se ele não aparecer com o dinheiro, alguém vai precisar responder.
Manny, atrás do balcão, tinha parado de fingir que limpava qualquer coisa. Os dois capangas trocaram outro olhar — o de sapatos engraxados sorriu de leve, como se já soubesse como aquilo terminaria.
— Por que está me contando isso? — Emma perguntou, a voz mais firme do que ela se sentia. — Podia ter chegado aqui, quebrado tudo, e ido embora. Por que sentar, pedir café, conversar?
Moretti ficou em silêncio por um momento longo demais para ser confortável.
— Porque você respondeu em siciliano — ele disse por fim. — E porque, nesta cidade, eu já vi o que acontece com filhas que pagam pelos pecados dos pais. Não gosto do padrão.
— Isso quer dizer o quê? Que vai me ajudar? — Havia descrença na voz dela, afiada como lâmina.
— Isso quer dizer que sexta-feira você e eu vamos conversar de novo. — Ele se levantou, ajeitou o casaco molhado de chuva, deixou uma nota de cem dólares sobre o balcão sem esperar troco. — E que, até lá, seria sábio você descobrir onde seu pai está escondido. Porque se meus homens o encontrarem primeiro, a conversa vai ser bem diferente da que estamos tendo agora.
Ele caminhou até a porta. No último instante, parou, sem se virar completamente.
— Grazie pel cafè, Emma Gallagher.
E saiu para a chuva, os dois capangas atrás dele, deixando a lanchonete inteira soltando, ao mesmo tempo, o ar que tinha prendido nos pulmões.
Emma ficou parada, olhando a nota de cem dólares sobre o balcão como se fosse uma sentença de morte disfarçada de gorjeta.
O celular vibrou no bolso do avental.
Um número desconhecido.
Ela deslizou o dedo na tela, o coração disparado.
A mensagem tinha só quatro palavras:
“Eles me encontraram. Corre.”
Era o número do pai dela.
