Chapter 4
Emma não conseguiu dormir aquela noite.
Ela ligou de volta para o número desconhecido a cada dez minutos. Sempre caía na caixa postal. A mensagem continuava lá, cravada na tela do celular como uma faca: “Eles me encontraram. Corre.”
Às seis da manhã, alguém bateu na porta do apartamento.
Não era o pai dela.
Era o capanga de sapatos engraxados, sozinho dessa vez, encostado no batente com um sorriso que não alcançava os olhos.
— O senhor Moretti mandou avisar — ele disse, sem cumprimento. — Seu pai foi visto ontem à noite perto do píer. Correu quando meus colegas se aproximaram. Isso não foi inteligente da parte dele.
— O que vocês fizeram com ele? — Emma perguntou, a voz tremendo apesar do esforço para mantê-la firme.
— Nada, ainda. — Ele deu de ombros. — Mas “ainda” tem prazo de validade, garota. Sexta-feira. Você lembra.
Ele se virou para ir embora, então parou, como se tivesse esquecido algo.
— Ah. E o chefe quer ver você hoje à noite. Sozinha. Endereço vai chegar por mensagem.
A porta bateu antes que Emma pudesse responder.
O endereço chegou duas horas depois: um restaurante fechado ao público em Bensonhurst, o tipo de lugar que só existia para conversas que não podiam acontecer em nenhum outro lugar.
Ela chegou às oito da noite, o coração batendo tão forte que doía.
Moretti estava sentado sozinho numa mesa no fundo, sem capangas visíveis, um copo de vinho tinto intocado à frente dele.
— Sente-se — ele disse, sem erguer os olhos.
Emma sentou, as mãos apertadas no colo para esconder o tremor.
— Onde está meu pai?
— Não sei — ele respondeu, e pela primeira vez ela achou que talvez fosse verdade. — Meus homens o perderam de vista perto do píer. Ele é mais escorregadio do que parece.
— Então por que estou aqui?
Moretti finalmente ergueu os olhos.
— Porque eu investiguei você o dia inteiro, Emma Gallagher. E descobri algo que mudou a conversa.
— O quê?
— A dívida do seu pai não é com a minha organização — ele disse, devagar, cada palavra pesada. — É com um homem chamado Dominic Russo. Um antigo sócio meu, que se tornou rival depois que assumi o comando. Ele emprestou o dinheiro usando o nome da minha família para assustar seu pai, sabendo que ninguém questionaria uma dívida que carrega o sobrenome Moretti.
Emma sentiu a cabeça girar.
— Então… não foi você o tempo todo?
— Foi meu nome. Não fui eu. — Ele bebeu um gole de vinho, os olhos nunca saindo dela. — E isso é pior, porque significa que Russo está usando minha reputação para cobrar uma dívida que, tecnicamente, eu nem sabia que existia — até você aparecer atrás daquele balcão e me obrigar a olhar de perto.
— Por que isso te interessa? Deixa ele cobrar. Não é problema seu.
— Torna-se problema meu — Moretti disse, a voz baixando — quando alguém usa meu nome sem permissão. Isso é um insulto que exige resposta. E, por coincidência, resolver isso também tira seu pai do perigo.
Emma o encarou, tentando entender o ângulo, a armadilha, o preço escondido.
— O que você quer em troca?
Pela primeira vez, algo quase parecido com hesitação cruzou o rosto dele.
— Ainda não sei — ele admitiu. — Mas vou descobrir. E quando descobrir, você vai ser a primeira a saber.
Lá fora, um carro buzinou duas vezes — um sinal. Um dos capangas de Moretti entrou correndo, sem fôlego.
— Chefe. Encontraram o pai dela. Só que os homens do Russo chegaram primeiro.
