Chapter 5
Moretti levantou-se tão rápido que a cadeira raspou no chão com um som seco.
— Onde?
— Um galpão perto do píer 39. Russo está lá pessoalmente.
Emma já estava de pé também, o sangue latejando nos ouvidos.
— Eu vou com vocês.
— Não vai — Moretti disse, sem sequer olhar para trás enquanto pegava o casaco.
— Ele é meu pai.
— E se Russo te ver lá, ele vai entender exatamente o quanto você importa para mim, e vai usar isso contra nós dois. — Ele finalmente a encarou, os olhos duros como pedra. — Fique aqui. Prometo trazê-lo vivo.
— Sua promessa vale o quê, exatamente? — ela perguntou, a voz quebrando de raiva e medo misturados.
Alguma coisa mudou no rosto dele — não suavizou, mas ficou mais… presente.
— Vale mais do que você imagina — ele disse, baixinho. — Porque eu não faço promessas. Eu faço garantias. E nunca quebrei uma.
Ele saiu antes que ela pudesse discutir mais.
Emma ficou sozinha no restaurante vazio por quarenta e três minutos que pareceram quarenta e três anos.
Quando a porta finalmente se abriu, era Moretti — sozinho, o casaco rasgado no ombro, um corte fino sangrando acima da sobrancelha.
Atrás dele, apoiado nos dois capangas, vinha um homem magro, encolhido, com o rosto marcado por dias sem dormir e olhos vermelhos de quem tinha chorado sem coragem de admitir.
— Papai — Emma sussurrou, a voz quebrando de vez.
Sean Gallagher ergueu os olhos, envergonhado demais para encará-la direito.
— Emma, eu sinto muito, eu não queria que…
— Depois — ela cortou, correndo para abraçá-lo, sentindo o corpo dele tremer contra o dela.
Moretti observou a cena de longe, o rosto ilegível como sempre, mas havia algo diferente nos ombros dele — um cansaço que não era só físico.
— Russo? — Emma perguntou, por cima do ombro do pai.
— Vivo. Por enquanto — Moretti respondeu. — Ele vai pensar duas vezes antes de usar meu nome de novo. Isso eu garanto.
— E a dívida?
— Paga. — Ele tirou uma luva, esfregando os nós dos dedos machucados. — Considere isso um presente de despedida da minha parte para o Russo.
Sean Gallagher, ainda tremendo, olhou entre a filha e o homem que tinha acabado de salvar sua vida.
— Por que fez isso? — ele perguntou, a voz rouca. — Por que arriscou tudo por um bêbado desconhecido que deve dinheiro a um traidor?
Moretti olhou para Emma antes de responder, e pela primeira vez desde que ela o conhecera, algo no rosto dele pareceu quase humano.
— Não fiz isso por você — ele disse, simples. — Fiz isso por ela.
O silêncio que se seguiu foi diferente de todos os outros silêncios daquela noite — mais
