Chapter 5
Subimos as escadas correndo, o coração na garganta. A porta do quarto de Vivian estava aberta, e lá dentro, Marcus segurava o braço dela com força enquanto ela tentava se soltar, um vaso quebrado no chão entre eles.
— Solta ela! — Julian gritou, atravessando o quarto em três passadas.
Marcus largou Vivian tão rápido que ela cambaleou, e eu corri pra segurá-la antes que caísse.
— O que você pensa que está fazendo? — Julian perguntou, a voz tremendo de raiva controlada.
Marcus recuou, as mãos erguidas, mas o olhar dele não tinha o medo que deveria ter.
— A senhora estava tentando ligar pra um advogado, senhor. Achei melhor impedir, considerando os interesses da família.
— Interesses de qual família? — Julian perguntou, se aproximando devagar. — Porque comigo trabalhando ao seu lado há oito anos, eu nunca imaginei que fossem os Whitcomb.
O silêncio de Marcus disse tudo.
— Há quanto tempo? — Julian insistiu.
— Três anos — Marcus admitiu, finalmente. — Richard Whitcomb paga bem, senhor. Melhor do que o senhor jamais pagou.
— Então foi você — falei, entendendo de repente. — Você contou pra Celeste sobre as fotos que eu tinha guardado. Foi você que avisou que eu estava investigando.
Marcus não negou.
Julian olhou pra ele com uma expressão que eu nunca tinha visto antes, algo entre nojo e uma tristeza profunda.
— Você vai deixar essa casa agora, e nunca mais vai chegar perto da minha família. Se eu descobrir que você tocou em um fio de cabelo da minha mãe ou da Emma outra vez, os Whitcomb vão ser o menor dos seus problemas.
Marcus saiu sem dizer mais nada, e o quarto ficou em silêncio, exceto pela respiração ainda acelerada de Vivian.
— Você está bem? — perguntei, ajudando-a a se sentar na cama.
— Estou — ela disse, mas as mãos ainda tremiam. — Ele entrou aqui perguntando sobre você, Emma. Sobre o que eu sabia sobre a sua mãe.
Congelei.
— O que a senhora sabe sobre a minha mãe?
Vivian olhou pra Julian, como se pedisse permissão silenciosa, e ele assentiu.
— Sua mãe se chamava Clara, não é? — Vivian perguntou, e minha respiração parou. — Clara Hale trabalhou nesta casa, há muito tempo. Antes de se casar com seu pai. Ela era a governanta daqui, na época em que o marido de Julian… quer dizer, o pai dele, ainda administrava tudo pessoalmente.
— Isso é impossível — sussurrei. — Minha mãe nunca me contou nada disso.
— Talvez ela quisesse te proteger — Vivian disse, gentil. — Ela saiu daqui de repente, um ano antes de conhecer seu pai. Nunca soube o motivo real. Só sei que, antes de ir, ela e o marido de Julian tiveram uma discussão feia numa noite, e no dia seguinte ela simplesmente não apareceu mais.
Julian me olhava com uma expressão que misturava choque e algo mais profundo.
— Isso significa que sua família e a minha estão entrelaçadas há mais tempo do que qualquer um de nós imaginava.
— Isso significa — falei, sentindo o peso de tudo finalmente me atingir — que eu não vim parar aqui por acaso. E isso me assusta mais do que qualquer coisa que a Celeste já fez.
Julian se aproximou e, pela primeira vez, tocou meu rosto com uma delicadeza que não tinha nada a ver com cuidar de um machucado.
— Emma, seja o que for que ligue nossas famílias, uma coisa eu sei com certeza: você não é um acidente na minha vida. Você é a única coisa nessa casa toda que nunca mentiu pra mim.
Senti as lágrimas descerem antes de conseguir impedir.
— E se, quando tudo isso vier à tona, você descobrir que não consegue olhar pra mim do mesmo jeito? Que eu só vou ser sempre a filha do homem que seu pai ajudou a enterrar?
— Então eu vou provar todos os dias, pelo tempo que for necessário, que isso não é verdade — ele disse. — Mas primeiro, precisamos terminar o que você começou. Precisamos da verdade toda, não só de pedaços.
Vivian segurou minha mão com força.
— E dessa vez, você não vai enfrentar isso sozinha, querida. Nenhuma de nós vai.
