A caneta caiu no chão antes do meu casamento cair por terra.

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Chapter 2

O som dos saltos dos dois homens de segurança ecoou pelo mármore antes mesmo de eles chegarem perto de mim.

Eu esperava ser escoltada até a porta de serviço, como Miranda tinha sugerido com aquele sorriso cheio de veneno.

Mas os dois homens não olharam para mim.

Eles passaram direto, um de cada lado, e pararam atrás de Ethan.

— Senhor Caldwell — disse o mais alto, com a voz firme e sem emoção. — Precisamos que o senhor nos acompanhe.

Ethan riu, ainda com os papéis do divórcio na mão.

— Vocês erraram de alvo. A segurança do hotel já está resolvendo isso, ela já está de saída.

— Nós não somos da segurança do hotel — disse o segundo homem.

Ele abriu o paletó por um segundo. Um crachá discreto, prateado, com um brasão que eu reconheci na hora.

Evans Holdings.

A empresa do meu pai.

O salão inteiro pareceu se inclinar um grau para o lado, como se o chão tivesse mudado embaixo de todo mundo.

Miranda franziu a testa, ainda segurando o microfone.

— Isso é… alguma piada?

Ninguém riu.

Eu me virei devagar, ainda no topo da escada, e olhei para o fundo do salão.

Foi aí que eu o vi.

Meu pai atravessava a entrada principal como se aquele lugar fosse dele — porque, tecnicamente, uma parte generosa dele era.

Robert Evans não gostava de aparecer em público. Ele preferia mover peças de longe, através de e-mails, de ligações, de advogados com ternos discretos. Mas naquela noite ele tinha vindo pessoalmente, com o casaco ainda por cima dos ombros, como se tivesse saído direto de um avião.

Os convidados começaram a sussurrar.

— Aquele não é… — uma mulher perto de mim engasgou a frase, sem coragem de terminar.

Ethan ficou pálido.

Não o tipo de pálido de quem reconhece um rosto importante.

O tipo de pálido de quem reconhece um nome que aparece em contratos que ele nunca leu com atenção.

— Boa noite — disse meu pai, parando a poucos metros do palco, a voz calma, quase gentil, do jeito que só fica quando ele está prestes a arrancar o chão de alguém. — Sinto muito por interromper a festa.

— Senhor Evans — Ethan gaguejou o nome, tentando montar um sorriso profissional em cima do pânico. — Eu… não sabia que o senhor viria.

— Eu sei — disse meu pai. — Ninguém sabia.

Ele olhou para mim, ainda parada no alto da escada, os papéis assinados na mesinha atrás de mim.

Alguma coisa no rosto dele suavizou por um segundo. Só por mim.

— Você já assinou? — perguntou ele.

Minha garganta apertou.

— Já.

Ele assentiu devagar, como quem confirma algo que já esperava.

— Ótimo.

Ethan olhou de um para o outro, tentando entender a cena que se formava.

— Ótimo? — repetiu ele, sem entender. — Senhor Evans, eu acho que o senhor não está a par de toda a situação. Sua filha e eu estamos nos divorciando, é uma questão particular…

— Não é mais — disse meu pai.

Ele tirou um envelope do bolso interno do casaco. Fino. Discreto. Do tipo que carrega mais poder do que qualquer coisa naquele salão coberto de ouro.

— Você deveria ter lido as cláusulas do seu acordo de investimento com mais atenção, Ethan.

O microfone ainda estava ligado na mão de Miranda, captando cada palavra e jogando pelas caixas de som do salão inteiro.

— Que cláusulas? — a voz de Ethan já não soava mais confiante. Soava fina. Apertada.

Meu pai abriu o envelope, mas não entregou a ele.

Só segurou, como se tivesse todo o tempo do mundo.

— A cláusula que diz que, no caso de um evento de humilhação pública contra um membro protegido da família Evans, o investidor detém o direito de reaver, de forma imediata, a totalidade das ações preferenciais adquiridas na rodada de resgate de 2021.

O silêncio que caiu sobre o salão não era mais curiosidade.

Era pavor.

— Isso é… — Ethan tentou rir, mas a risada morreu na garganta. — Isso é ridículo, isso nunca…

— Está na página catorze — disse meu pai, calmamente. — Seu advogado assinou. Você assinou. Ninguém leu.

Miranda finalmente abaixou o microfone, mas ainda estava ligado, ainda captando cada respiração pesada dela.

— Ethan — ela sussurrou, mas o som saiu alto pelas caixas. — Do que ele está falando?

Ethan não respondeu.

Ele estava olhando para mim.

Pela primeira vez em três anos, ele estava realmente me olhando.

— Olivia — disse ele, a voz quebrando. — Quem diabos é você?

Eu desci o primeiro degrau da escada, devagar, sem pressa nenhuma.

— Eu sou a mulher que você chamou de peso morto na frente de trezentas pessoas — falei. — E também sou a única razão pela qual essa empresa ainda existe.

Atrás de mim, os dois homens de segurança se aproximaram de Ethan.

E o envelope na mão do meu pai ainda não tinha sido totalmente aberto.

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