A caneta caiu no chão antes do meu casamento cair por terra.

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Chapter 4

Ethan olhou para o celular como se ele tivesse acabado de explodir na sua mão.

— Quem é? — perguntou Miranda, ainda tentando entender seu próprio lugar naquele desastre.

Ele não respondeu. Apertou o botão de atender e levou o telefone ao ouvido, afastando-se alguns passos, como se a distância pudesse abafar o que estava por vir.

Eu não precisava ouvir a ligação para saber que era ruim.

Reconheci aquela postura. Os ombros caindo. O maxilar travando. Era o mesmo jeito que ele ficava quando um fornecedor ameaçava cortar o crédito, só que dessa vez, multiplicado por dez.

— O quê? — a voz dele saiu mais alta do que ele pretendia. — Agora? No meio da…

Ele parou de falar, ouvindo.

— Isso não pode esperar até amanhã?

Mais silêncio do outro lado.

Ethan fechou os olhos.

— Entendido — disse ele, finalmente, a voz reduzida a quase nada. — Eu ligo de volta.

Ele desligou e ficou parado, olhando para o chão do palco, como se tentasse encontrar ali uma saída que não existia.

— Ethan — meu pai chamou, a voz calma, quase curiosa. — Alguma novidade?

Ele levantou os olhos, e pela primeira vez naquela noite, eu vi nele algo que nunca tinha visto antes.

Medo de verdade.

— O conselho já sabe — ele disse, quase sem voz. — Alguém vazou a gravação da festa. Está circulando entre os investidores agora mesmo.

Um burburinho percorreu a plateia. Alguns convidados já tinham os celulares na mão, as telas iluminando rostos chocados.

— Três membros do conselho já pediram uma reunião de emergência — continuou Ethan, olhando para mim como se eu tivesse orquestrado aquilo também.

— Eu não fiz isso — falei, e era verdade. — Você fez isso sozinho, na frente de trezentas testemunhas com celular na mão.

Miranda deu um passo para trás, os braços se cruzando no peito, como se estivesse tentando se proteger de alguma coisa que ainda não tinha nome.

— Ethan — ela disse, a voz baixa agora, sem nenhum resquício da confiança de antes. — Você me disse que a empresa estava indo bem. Que a oferta pública ia nos deixar…

— Vai calar a boca, Miranda? — ele explodiu, virando-se para ela com um olhar que fez até os seguranças se moverem um passo à frente.

O salão inteiro prendeu a respiração.

Miranda ficou paralisada por um segundo, os olhos brilhando, não de tristeza, mas de raiva.

— Eu larguei meu emprego por você — disse ela, a voz tremendo. — Eu disse pros meus pais que a gente ia se casar assim que o divórcio saísse.

— Isso não é da conta de ninguém aqui — Ethan sibilou entre dentes.

— É da minha conta! — ela gritou, e o microfone, ainda ligado na mesa, pegou cada palavra e espalhou pelo salão. — Você me usou. Você me transformou nisso tudo — ela apontou para o palco, para o vestido, para o colar no pescoço — só pra fazer ela sofrer.

Ela arrancou o colar do pescoço com um movimento brusco e jogou aos pés de Ethan.

— Fica com isso — disse ela. — Junto com o resto da sua vida que está desmoronando.

Ethan olhou para o colar no chão, depois para Miranda saindo do palco, os saltos batendo furiosos contra o tablado, e por um instante ele pareceu menor do que eu jamais tinha visto.

Meu pai observava tudo com uma calma que só vem de quem já viu impérios caírem antes.

— Ethan — disse ele, guardando o envelope de volta no paletó. — Amanhã de manhã, às nove horas, meus advogados vão se reunir com o conselho da Caldwell Technologies.

— Isso é golpe — Ethan sussurrou, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. — Isso é um golpe corporativo.

— Não — respondeu meu pai. — Isso é o que acontece quando alguém assina contratos sem entender o que está assinando.

Ele se virou para mim, e a expressão dele suavizou de novo, só para mim.

— Você quer ficar mais um pouco, ou já viu o suficiente?

Eu olhei para o salão, para os convidados sussurrando atrás das mãos, para Ethan parado sozinho no meio do palco com o colar de Miranda aos seus pés e os papéis de divórcio espalhados como confete de uma festa que já tinha acabado há muito tempo.

— Já vi o suficiente — falei.

Comecei a descer a escada ao lado do meu pai, os seguranças se posicionando atrás de nós.

Foi quando ouvi a voz de Ethan atrás de mim, quebrada, quase irreconhecível.

— Olivia, espera. Se você fizer isso, eu perco tudo. A empresa, a casa, tudo.

Parei no último degrau, sem me virar.

— Você não vai perder tudo, Ethan — falei. — Você já perdeu.

E, pela primeira vez naquela noite, foi a minha vez de deixá-lo falando sozinho.

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