Chapter 4
“Não,” Carmine disse, antes mesmo de eu abrir a boca. “Você não vai a lugar nenhum perto dele.”
“Se ele fez tudo isso para me usar contra o senhor, talvez seja melhor eu ir,” falei, tentando parecer mais corajosa do que estava. “Talvez, se eu falar com ele—”
“Ele não quer conversar com você, Ivy. Ele quer usar você como refém, e chamar isso de reunião.” A voz de Carmine era firme, mas havia algo novo nela — um tipo de urgência que eu ainda não tinha ouvido.
Naquela noite, ele me levou para um andar da casa que eu nunca tinha visto: um quarto ao lado do escritório dele, com uma porta de aço reforçada.
“Fique aqui. Tranque por dentro. Não saia até eu voltar, não importa o que você ouça.”
“E se o senhor não voltar?”
Ele parou na porta, de costas para mim por um segundo antes de se virar.
“Eu volto,” ele disse, num tom que parecia mais uma promessa a si mesmo do que a mim.
A porta se fechou. Ouvi a tranca do lado de fora.
Passei horas sentada no chão daquele quarto, ouvindo carros chegando e saindo, vozes distantes, o som ocasional de passos apressados no corredor.
Por volta das duas da manhã, ouvi gritos — dessa vez muito mais perto do que da última vez.
Reconheci a voz de Carmine, tensa, discutindo com alguém em italiano, rápido demais para eu entender tudo.
Depois, um estrondo. Vidro quebrando.
Levantei-me de um salto, o coração disparado, tentando decidir se devia obedecer e ficar quieta ou arriscar tudo e sair.
Foi então que a porta se abriu — não por Carmine, mas por um homem que eu nunca tinha visto. Alto, elegante, com um sorriso frio que não alcançava os olhos.
“Você deve ser a famosa Ivy,” ele disse, em inglês perfeito, mas com um sotaque que confirmava tudo. “Salvatore. Prazer.”
Recuei até a parede.
“Como você entrou aqui?”
“Esta ainda é a casa da minha família, querida. Eu conheço cada porta, cada tranca, cada segredo dela — inclusive segredos que meu primo Carmine gostaria de manter escondidos.” Ele deu um passo à frente. “Você vai vir comigo. Sem escândalo, sem gritos. Se você cooperar, ninguém mais precisa se machucar.”
“Carmine vai—”
“Carmine está ocupado apagando o incêndio que eu ateei do outro lado da casa,” Salvatore disse, com um sorriso satisfeito. “Ele nem vai perceber que você sumiu até ser tarde demais.”
Ele estendeu a mão na minha direção.
Foi então que a porta atrás dele se abriu com força total.
Carmine estava ali, o rosto cortado, a camisa manchada de sangue que não parecia ser dele, os olhos fixos no primo com um ódio que eu nunca tinha visto em ninguém.
“Afaste-se dela,” ele disse, a voz baixa como o som antes de uma tempestade.
Salvatore riu, mas dei um passo e vi seu sorriso vacilar quando percebeu que Carmine não estava sozinho — dois homens o seguiam, armados, silenciosos.
“Você não teria coragem,” Salvatore disse, mas a certeza tinha sumido da voz dele.
“Você comprou a dívida da mãe dela,” Carmine disse, cada palavra pesando como pedra. “Você mandou Rocco machucá-la. Você invadiu minha casa e ameaçou alguém sob minha proteção. Você decidiu, sozinho, que valia a pena testar até onde eu chegaria.”
Ele deu mais um passo.
“Agora você tem sua resposta.”
